Quanto aquece o CO2?

Deve-se ir até a página 631 do último informe do IPCC para encontrar o dado importante sobre o que se supõe aquece o CO2. Segundo os modelos, a duplicação do CO2, que se alcançará lá pelo ano de 2100, produzirá – sem outros feedbacks adicionais – um aquecimento da temperatura do ar na superfície de apenas 1,2 °C.

Não está claro se se refere à duplicação do CO2, tal e como se escreve, ou à duplicação do CO2 equivalente, ou seja, dos gases estufa em seu conjunto (metano incluído), em cujo caso seria ainda menos.

Não importa. O que de acordo com o IPCC aumentaria o aquecimento em até 5 °C segundo alguns modelos é o efeito estufa causado essencialmente pelo incremento da umidade do ar e das nuvens altas, que retém o calor na baixa atmosfera.

Precipitation system

Mas uma das maiores incertezas do funcionamento do clima é precisamente isso: como o aquecimento superficial afeta a umidade do ar e a nebulosidade em diferentes zonas do planeta. Sabe-se, por exemplo, que na troposfera tropical, acima dos oceanos e em especial acima dos 2.000 ou 3.000 metros, há grades contrastes de umidade entre uma zona e outra. Em umas o ar ascende muito úmido e em outras descende muito seco.

Em alguns locais o ar ascende em poderosas torres de nuvens na forma de Cumulus, carregando para cima o vapor d’água. Ao subir, o vapor acaba se condensando e grande parte dele cai na forma de chuva. Dependendo da maior ou menor força das ascensões, formam-se nuvens com mais ou menos água precipitável. As gotículas que não chegam a precipitar-se nos Cumulus congelam-se na alta troposfera e formam Cirrus que se soltam dos Cumulus, se entendem na horizontal e têm um efeito de aquecimento notável, pois retêm a radiação infravermelha e refletem apenas a radiação solar (seu efeito estufa é maior que seu efeito albedo).

Segundo a teoria de Richard Lindzen, se aumenta a temperatura do mar, aumenta a força das ascensões e as gotículas das nuvens são maiores, precipitando-se mais e mais rápido e deixando seca a alta troposfera, sem a possibilidade de que se formem estes extensos Cirrus desgarrados das colunas ascendentes. Portanto, produz-se um feedback negativo. Quanto maior a temperatura da água do mar, menos Cirrus e, portanto, resfriamento. Uma teoria que uns dizem que funciona e outros dizem que não.

O que está claro é que as variações da umidade do ar e do tipo de nuvens nos trópicos e fora dos trópicos dependem não só da evaporação provocada pela temperatura, mas também pelas precipitações. Assim, como sustenta Roy Spencer, as variações na precipitação (por seu efeito no vapor d’água e nas nuvens) podem ser tanto uma causa das variações na temperatura como um efeito. Com o mal que ainda se entende a formação das nuvens e das precipitações, e, sobretudo, com o mal que se sabe prever a chuva, é ridículo atribuir a um determinado incremento do CO2 um determinado aumento da temperatura.

Mas ridículos são os políticos – que de tanto falar, não tiveram tempo de chegar a ler a página 631 – que dirigem o mundo.

Ref: Roy W. Spencer: Global Warming and Nature’s Thermostat; IPCC, Climate Change 2007; The Physical Science Basis, Cambridge University Press

O post acima é uma tradução livre do blog CO2, de Antón Uriarte. Para ver o original, clique aqui

 

Catástrofe adiada

Vocês já sabem que a cada cinco anos, por cada cem mil moléculas de ar, a viciosa humanidade adiciona aproximadamente uma de CO2.

E que esta molécula e outras mais do mesmo CO2 que pouco a pouco vamos adicionando – ainda que sejam invisíveis, inodoras e inofensivas – produzirão tal efeito de aquecimento que acabarão nos destruindo, não só a nós senão ao planeta inteiro. Alguns, psicólogos do clima, já observam. Dizem que está ficando louco.

Pois bem, lá se vão já dez anos nos quais a temperatura média global não aumenta e esta semana a revista Nature publica um artigo de pesquisadores alemães onde se diz que na próxima década tampouco.

A ação do mar, cuja circulação é ainda uma grande desconhecida, pode ser muito mais relevante nos próximos dez anos, ou vinte, que as moléculas de CO2 que adicionaremos.

O artigo da Nature, intitulado assepticamente “Advancing decadal-scale climate prediction in the North Atlantic sector”, refere-se à possibilidade de que o Atlântico Norte se esfrie devido a uma realimentação da corrente do Golfo ou do que, no jargão científico, é chamado MOC (Meridian Overturning Circulation).

De qualquer forma, o dissimulado título não evitou que o artigo passasse despercebido pela comunidade cética, no interior do qual se fala da implicação da evolução oceânica na tendência da temperatura global, colocando nas entrelinhas a pressa que nos põe em descarbonizar o mundo.

GASBTLA

Acima se vê a evolução das temperaturas desde janeiro de 1990 até março passado na troposfera, a faixa mais baixa da atmosfera (com cerca de 10 km de espessura) onde se desenvolve o clima.

Abaixo se vê um índice da suposta força da circulação termohalina (CTH), que é outra maneira de se referir ao mesmo MOC. Observa-se que a tendência ascendente que se manifesta desde 1970 e que coincide com o aquecimento que seguiu o resfriamento anterior, pode reverter nas próximas décadas e, portanto, provocar de novo um resfriamento.

CTH

Ref.:
N. S. Keenlyside et al., 2008, Advancing decadal-scale climate prediction in the North Atlantic sector, Nature, May 1, 2008.
Figura de cima em Roy W. Spencer: Global Warming and Nature’s Thermostat, interessante artigo que comentaremos outro dia.
Figura de baixo em Jeff Knight et al., A signature of persistent natural thermohaline circulation cycles in observed climate, 2005, Geophysical Research Letters, VOL. 32, L20708, doi:10.1029/2005GL024233, 2005.
Para saber mais sobre as correntes oceânicas e a circulação termohalina, clique aqui

post acima é uma tradução livre do blog CO2, de Antón Uriarte. Para ver o original, clique aqui

 

Ártico e Antártida, uma conveniente confusão

Notícia recente no boletim da União Geofísica Norte-Americana - intitulada convenientemente, para que o menor número possível de pessoas a leiam, “Updated 2008 surface snowmelt trends in Antarctica” - indica que a tendência de degelo no verão da neve que se acumula na Antártida e em suas plataformas costeiras é cada vez menor e que neste frio verão no hemisfério sul registrou-se um mínimo. Retomo aqui o assunto do Ártico e da Antártida, cujas notícias sempre vêm propositadamente trocadas e apontam, como não, para o supostamente catastrófico degelo, tanto na terra como no mar.

Vou me referir outra vez ao gelo marinho, uma fina camada de pelo menos dois ou três metros de água superficial que todos os anos se congela e se descongela, seguindo o ritmo natural das estações do ano.

20070907-N20070907-S

Acima e abaixo vemos alguns mapas extraídos da página Web da Universidade de Bremen, que todos os dias apresentam a extensão de gelo marinho no oceano glacial Ártico e em torno da Antártida.

20080418-N20080418-S

Em 7 de setembro do ano passado, ao final do verão no hemisfério norte, a extensão de gelo marinho do Ártico registrou um mínimo bastante pronunciado, um recorde desde que se iniciaram as medições por satélite. Por sua vez, a extensão de gelo marinho na Antártida, ao final do inverno austral, registrou também um recorde, mas de máxima extensão. Logo, o Ártico começou de novo a se congelar e os mares da Antártida a se descongelar. Assim, chegamos aos mapas correspondentes ao dia 18 de abril.

Anomalias totais

A notícia que não saiu nem na imprensa e nem na televisão é que há vários meses a soma das extensões de gelo do Ártico e da Antártida registram uma anomalia positiva, que nos dias de hoje é de aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados. Acima se vê o gráfico da evolução da anomalia da extensão global de gelo marinho nos últimos anos. Clique nele para ampliá-lo. E então, o que devemos dizer? Que está havendo derretimento ou congelamento?

Referências:
Daily Updated AMSR-E Sea Ice Maps
Polar Sea Ice Cap and Snow - Cryosphere Today

O post acima é uma tradução livre do blog CO2, de Antón Uriarte. Para ver o original, clique aqui

 

Caso contra o alarmismo do clima

A idéia de um clima estático e imutável não faz parte da história da Terra ou de qualquer outro planeta com um envoltório fluido. O fato do mundo desenvolvido ter entrado em histeria devido a mudanças de alguns décimos de um grau Celsius na temperatura média global irá surpreender as gerações futuras. Essa histeria representa simplesmente o analfabetismo científico de grande parte do público, a sensibilidade desse público para a substituição goebbeliana da verdade pela repetição de uma mentira e pela exploração desses pontos fracos por políticos, promotores ambientais e, depois de 20 anos da mídia batendo tambor, muitos outros também.

O clima está sempre mudando. Tivemos eras glaciais e períodos bem mais quentes, quando jacarés foram encontrados em Spitzbergen. Glaciações têm ocorrido em ciclos de cem mil anos nos últimos 700 mil anos e períodos quentes anteriores parecem ter sido mais quentes que o atual, apesar dos níveis de CO2 inferiores aos atuais. Mais recentemente, tivemos o Período Quente Medieval e a Pequena Idade do Gelo. Nessa última, geleiras nos Alpes avançaram por sobre as aldeias. Desde o início do Século XIX, essas geleiras começaram a recuar. Sinceramente, não entendemos completamente nem o avanço, nem o recuo.

Para as pequenas mudanças de décimos de um grau Celsius associadas ao clima, não há necessidade de qualquer causa externa. A terra nunca está exatamente em equilíbrio. Os movimentos das massas d’água nos oceanos – onde o calor é transferido entre camadas profundas e superficiais – produzem uma variabilidade em escalas de tempo de anos a séculos. Trabalho recente (Tsonis et al., 2007) sugere que esta variabilidade é suficiente para explicar todas as alterações climáticas desde o Século XIX.

Apoiando a idéia de que o homem não tem sido a causa desta mudança não excepcional da temperatura está o fato de que existe uma assinatura diferente no aquecimento da estufa: o aquecimento na superfície deveria vir acompanhado por um aquecimento cerca de 2,5 vezes maior na troposfera (parte da atmosfera a uma altitude em torno de 9 km) que na superfície, nos trópicos. As medições mostram que o aquecimento na atmosfera nessa altitude é de apenas cerca de 3/4 do que se vê na superfície, o que implica que apenas cerca de um terço do aquecimento na superfície está associado ao efeito estufa e, muito provavelmente, nem mesmo todo este mínimo aquecimento é devido ao homem. Isto implica que todos os modelos que prevêem aquecimento mais significativo estão superestimando o aquecimento.

Isso não deveria ser surpreendente. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, o efeito estufa gerado por gases produzidos pelo homem já é de 86% do que se espera de uma duplicação do CO2 (ainda que quase metade do efeito seja proveniente do metano, óxido nitroso, CFCs e outros) e alarmantes previsões dependem de modelos para os quais a sensibilidade para uma duplicação do CO2 é maior do que 2C, o que implica que nós já deveríamos ter visto muito mais aquecimento do que temos visto até hoje, mesmo se todo o aquecimento que vimos até agora fosse devido ao homem.

Essa contradição torna-se mais grave com o fato de que não houve significativo aquecimento global dos últimos dez anos. Modeladores defendem esta situação, alegando que aerossóis podem ter cancelado grande parte do aquecimento, e que representam adequadamente em modelos internos a variabilidade natural não forçada. No entanto, um recente trabalho (Ramanathan, 2007) indica que aerossóis podem tanto aquecer quanto resfriar, enquanto cientistas do Reino Unido, do Hadley Centre for Climate Research, recentemente assinalaram que o seu modelo não lida adequadamente com a variabilidade natural interna, demolindo assim a base para a atribuição icônica do IPCC. Curiosamente (embora não inesperadamente), o trabalho britânico não destaca este aspecto. Em vez disso, eles especularam que a variabilidade natural interna poderia mudar de lado em 2009, permitindo o aquecimento para resumir. Resumir? Assim, o fato de ter deixado de haver aquecimento durante a última década é reconhecido…

Dado que os elementos de prova (e eu tenho observado apenas alguns dos muitos elementos de prova) sugerem fortemente que o aquecimento causado pelo homem tem sido muito exagerado, a base para o alarme devido a esse aquecimento é igualmente diminuída. No entanto, o que realmente importa é o caso do alarme ainda ser fraco, mesmo que o aquecimento global devido ao homem fosse significativo. Ursos polares, gelo sobre o mar nos verões polares, secas e inundações regionais, branqueamento dos corais, furacões, recuo das geleiras, malária, etc., etc., todos dependem não de uma média global da temperatura da superfície, mas de um grande número de variáveis regionais, incluindo temperatura, umidade, nebulosidade, precipitação, direção e intensidade do vento. O mar também é freqüentemente crucial. Nossa capacidade de previsão de qualquer destas variações durante períodos para além de alguns dias é mínimo.

No entanto, cada catastrófica previsão depende de cada um destes fatores estarem em um determinado intervalo. A probabilidade de qualquer catástrofe específica realmente ocorrer é quase zero. Isto foi igualmente válido para as previsões anteriores: fome na década de 80, arrefecimento global na década de 70, bug do milênio e muitos outros. Regionalmente, de um ano para outro, as variações de temperatura são mais de quatro vezes maior do que as flutuações na média global. Grande parte dessa variação tem de ser independente da média global; caso contrário, a média global iria variar muito mais. Trata-se simplesmente de notar que outros fatores além do aquecimento global são mais importantes para qualquer situação específica. Isto não quer dizer que não irão ocorrer catástrofes; elas sempre têm ocorrido e isso não irá mudar no futuro. Lutar contra o aquecimento global com gestos simbólicos não irá certamente alterar esta situação. No entanto, a história nos mostra que maior riqueza e desenvolvimento podem aumentar drasticamente nossa resistência.

Dado o que precede, alguém pode razoavelmente perguntar por que existe o atual alarme e, em especial, a razão pela qual houve um espantoso surto de alarmismo dos últimos dois anos. Quando uma questão como o aquecimento global está por aí há mais de vinte anos, várias agendas são desenvolvidas para explorar o assunto. O interesse do movimento ambientalista na aquisição de mais poder e influência é razoavelmente claro. Assim também são os interesses dos burocratas, para quem controle do CO2 é um sonho que pode vir a se tornar realidade.

Afinal, o CO2 é um produto da própria respiração. Os políticos podem ver a possibilidade de tributação, que será alegremente aceita porque é necessário para salvar o mundo. Nações têm visto uma forma de explorar esta questão, a fim de obter vantagens competitivas. Mas, no momento, as coisas têm ido muito mais longe. O caso da ENRON é ilustrativo neste sentido. Antes de desintegrar-se em uma exibição pirotécnica por manipulação sem escrúpulos nos balanços, a ENRON tinha um dos mais intensos lobbies a favor do protocolo de Kyoto. Eles tinham esperança de se tornar uma empresa de negociação de direitos de emissão de carbono. E esta não era uma esperança pequena. Estes direitos são susceptíveis de ascenderem a mais de um trilhão de dólares, e as comissões serão de muitos bilhões. Fundos de proteção cambial estão estudando profundamente as possibilidades. É provável que não acidentalmente, o próprio Al Gore esteja associado a essas atividades. A venda de indulgências já está em pleno andamento com organizações vendendo compensações para a pegada ecológica de outrem enquanto reconhecem por vezes que os deslocamentos são irrelevantes. As possibilidades de corrupção são imensas. E, finalmente, há também um significativo número de indivíduos que têm permitido aos propagandistas convencê-los de que ao aceitar a visão alarmista de alterações climáticas causadas pelo homem, estão exibindo inteligência e virtude, o seu bem-estar psíquico está em jogo.

Com tudo isso em jogo, pode-se facilmente suspeitar que possa haver um sentido de urgência provocado pela possibilidade de que o aquecimento pode ter cessado. Para aqueles comprometidos com a mais venal das agendas, a necessidade de agir rapidamente, antes que o público aprecie a situação, é realmente verdade.

O post acima é uma tradução livre de um artigo que o Professor de Ciências Atmosféricas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) Richard S. Lindzen enviou a um amigo

 

Menino ou menina?

Nos continentes e ilhas da faixa tropical (20°N a 20°S) vivem mais de 2 bilhões de pessoas. Nessa faixa se encontram, entre alguns oásis de riqueza, as populações mais pobres do planeta. Os alarmistas e comentaristas desinformados insistem que são esses os países mais afetados por nossas emissões de CO2 e pela suposta mudança climática que em escala global se produz. Uma desinformação causada às vezes pela má fé, outras pela ignorância e, muitas vezes, pela facilidade de se deixar levar pelo sabor da corrente.

Faixa tropical

Entretanto, as medições por satélite indicam que a evolução da temperatura nas últimas décadas, no conjunto dessa faixa, não é tão catastrófica como dizem.

E mais, a temperatura média no mês de março de 2008 esteve quase meio grau Celsius abaixo da média do período de referência, de 1979 a 1998 (1979 foi o ano em que começaram a fazer medições por satélites). O fator mais importante foi a redução das temperaturas no Pacífico, devido a La Niña. De maneira inversa, o aumento das temperaturas em 1998 foi devido a El Niño. El Niño e La Niña são fenômenos naturais que afetam os movimentos das massas de água no oceano e praticamente não podem ser correlacionados com as emissões de CO2 causadas pelo homem.

Desvio da temperatura média mensal na faixa tropical de 1990 a 2008

Acima se vê a evolução do desvio da temperatura média desde janeiro de 1990 até o passado mês de março de 2008 na faixa tropical. Os dados se referem à temperatura da atmosfera superficial (a baixa troposfera) e foram obtidos por satélites denominados MSU (Microwave Sounding Unit) que captam as radiações em microondas que emite o oxigênio do ar e determinam assim a temperatura.

Ref.: Universidade de Alabama em Huntsville, UAH

O post acima é uma tradução livre do blog CO2, de Antón Uriarte. Para ver o original, clique aqui

 

We can solve it: o “exército verde” de Al Gore

O ex-vice-presidente dos EUA Al Gore e a fundação Aliança para a Proteção do Clima iniciaram uma campanha publicitária de três anos com um orçamento de 300 milhões de dólares para recrutar 10 milhões de advogados e ativistas para criar leis que sirvam para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

A campanha foi apresentada no programa 60 Minutos de domingo passado. O primeiro anúncio da campanha, na web We can solve it (podemos resolvê-lo), compara a luta contra a mudança climática com a invasão à Normandia e o movimento norte-americano pelos direitos civis.

Na apresentação da campanha há alguns dias, Cathy Zoi disse que o objetivo será replicar o sucesso de campanhas publicitárias anteriores da administração dos EUA, como a que apareceu um ovo frito com o lema “seu cérebro quando você usa drogas”, ou outra em que apareceu um índio norte-americano chorando diante da visão de uma paisagem completamente contaminada.

John P. Murry, professor associado de marketing na Universidade de Iowa e que estudou as campanhas publicitárias da administração norte-americana, assegura que o orçamento poderia ser inadequado:

“Acredito que o orçamento para a campanha contra a mudança climática teria que ser 10 vezes maior. Coca-Cola e Pepsi gastam a cada ano mais de um bilhão de dólares em propaganda. Nestes termos, 100 milhões por ano me parece muito pouco”.

Alguns especialistas em comunicação viram que o público norte-americano está muito dividido com relação a estes assuntos e que o problema quase nunca aparece nas preocupações dos eleitores. Zoi assegurou que o objetivo é recrutar pessoas influentes.

“Pessoas que falam com muito mais pessoas a cada dia do que a mídia normal”.

O anúncio teve bastante repercussão na blogosfera norte-americana, ainda que muito diferenciada. Enquanto algumas reações eram de apoio total, também há quem se pergunte, seguindo a controvérsia do financiamento dos projetos de Gore, de onde sairão aqueles 300 milhões, ou que esse dinheiro poderia ser gasto em pesquisas energéticas.

Fonte: New York Times

 

Seminário Internacional em São Paulo

O Centro de Liderança Pública (CLP) e o Ibmec Cultura realizaram ontem pela manhã em São Paulo, no Auditório Steffi e Max Perlman do Campus do IBMEC São Paulo, o Seminário Internacional “Aquecimento Global - O dilema Político e Econômico”.

O Seminário contou com a presença do Dr. Patrick Michaels - Doutor em Climatologia, Professor de Ciências Ambientais da Universidade de Virginia (EUA) e autor dos best sellers Meltdown e Shattered Consensus: The True State of Global Warming - e de Bjorn Lomborg - Ambientalista e autor dos best sellers The Skeptical Enviromentalist e Cool It.

Parabéns pelo magnífico Seminário.

 

Aquecimento global, o grande salva-vidas

Bjorn Lomborg diz que um mundo um pouco mais quente poderia evitar milhões de mortes.

Sim, Bjorn Lomborg, o controverso economista dinamarquês, considera que “o aquecimento global é real e causado pelo homem”. Mas ele está convencido de que não estamos analisando o problema corretamente e estamos, de fato, perdidos em uma espécie de neblina verde em torno da melhor forma de lidar com o aquecimento global e outras grandes ameaças ambientais. Neste trecho de seu novo livro, Cool It, Lomborg ilustra como um grande evento tendo o clima com assassino pode ser relativizado, enquanto as mortes de humanos por ondas de calor tornam-se manchetes nos noticiários.

A onda de calor na Europa, no início de Agosto de 2003, foi uma catástrofe de proporções arrasadoras. Com mais de 3.500 mortos só em Paris, a França teve quase 15.000 vítimas mortais da onda de calor. Outros 7.000 morreram na Alemanha, 8.000 na Espanha e na Itália, e 2.000 no Reino Unido: O total de mortos ascendeu a mais de 35.000. Compreensivelmente, o evento tornou-se uma poderosa metáfora psicológica para a assustadora visão de um futuro mais quente e para a nossa necessidade imediata de impedi-lo.

O grupo verde Earth Policy Institute, que primeiro totalizou as mortes, nos diz que, como “a consciência da dimensão desta tragédia se espalha, que é suscetível de gerar pressão para reduzir as emissões de carbono. Para muitos dos milhões de pessoas que sofreram com estas ondas de calor recorde e os familiares dos milhares de pessoas que morreram, o corte de emissões de carbono está se tornando uma questão pessoal premente”.

Embora 35.000 mortos seja um número terrivelmente grande, todos os óbitos, em princípio, devem ser tratados com igualdade de preocupação. Mas não é o que esta acontecendo. Quando 2.000 pessoas morreram de calor no Reino Unido, isso produziu um clamor público que continua a ser ouvido. No entanto, a BBC recentemente veiculou sem nenhum destaque uma história que nos diz que mortes causadas pelo frio na Inglaterra e no País de Gales, nos últimos anos, têm alcançado a cifra de 25.000 a cada inverno, acrescentando que casualmente os invernos de 1998 e 2000 viram cerca de 47.000 mortes por frio a cada ano. A história passa então a discutir a forma como o governo deve fazer para que o custo do combustível de calefação seja economicamente suportável e como a maioria das mortes é causada por derrames e ataques cardíacos.

É notável que um único episódio de calor com 35.000 mortes em muitos países possa deixar todos de ponta-cabeça, enquanto que 25.000 a 50.000 mortes por frio por ano em apenas um único país passam quase despercebidos. Naturalmente, queremos ajudar a evitar mais 2.000 morrendo de calor no Reino Unido.

Mas, presumivelmente, também queremos evitar muitos mais morrendo de frio.

Na Europa como um todo, cerca de 200.000 pessoas morrem por excesso de calor a cada ano. No entanto, cerca de 1,5 milhões de europeus morrem anualmente por excesso de frio. Isso é mais de sete vezes o número total de mortes por calor. Apenas na última década, a Europa perdeu cerca de 15 milhões de pessoas com o frio, mais de 400 vezes as icônicas mortes por calor de 2003. Ao negligenciar tão facilmente estas mortes e abraçar tão facilmente aquelas causadas pelo aquecimento global, revela-se uma avaria no nosso senso de proporção.

Como as mortes por calor e frio vão mudar ao longo do próximo século com o aquecimento global? Vamos de momento assumir, muito irrealisticamente, que não vamos nos adaptar de forma nenhuma para o futuro calor. Ainda assim, o maior estudo sobre frio / calor em toda a Europa concluiu que haverá um aumento de 2 graus Celsius na temperatura média européia, “nossos dados sugerem que qualquer aumento da mortalidade devido ao aumento da temperatura seria superado por um declínio muito maior de curto prazo na mortalidade relacionada com frio”. Para Grã-Bretanha, estima-se que um aumento 2,0 °C implicará em mais 2.000 mortes por calor, mas menos 20.000 mortes por frio. Do mesmo modo, outra publicação incorporando todos os estudos sobre esta questão e aplicando-as a uma ampla variedade de configurações em ambos os países desenvolvidos e em desenvolvimento constatou que “o aquecimento global pode provocar uma diminuição na taxa de mortalidade, especialmente das doenças cardiovasculares”.

Mas, evidentemente, parece demasiado realista e conservador supor que não vamos nos adaptar às crescentes temperaturas ao longo de todo o Século XXI. Vários estudos recentes têm olhado para a adaptação em 28 das maiores cidades dos Estados Unidos. Tomemos a Filadélfia como exemplo. A temperatura ótima parece estar em torno de 27 °C. Na década de 1960, nos dias em que ela ficou significativamente mais quente do que isso (aproximadamente 38 °C), a mortalidade aumentou acentuadamente. Do mesmo modo, quando a temperatura caiu abaixo de zero, as mortes aumentaram acentuadamente.

No entanto, algo significativo aconteceu nas décadas seguintes. As taxas de mortalidade na Filadélfia e em todo o país caíram em geral devido a melhores cuidados de saúde. Mas, fundamentalmente, as temperaturas de 38 °C hoje quase não causam excessivas mortes. No entanto, as pessoas morrem ainda mais por causa do frio. Um dos principais motivos para a menor suscetibilidade ao calor é provavelmente um maior acesso aos sistemas de ar condicionado.

Os estudos parecem indicar que, ao longo do tempo e com recursos suficientes, nós realmente saberemos nos adaptar às temperaturas mais elevadas. Por conseguinte, vamos experimentar menos mortes por calor, mesmo quando as temperaturas aumentarem.

Por Bjorn Lomborg

O post acima é uma tradução livre do artigo de Bjorn Lomborg publicado na Discover Magazine. Para ver o original, clique aqui

 

Derretimento ou congelamento?

Outra vez, TVs e jornais alardeiam mais uma prova da mudança climática: um iceberg com cerca de 400 km² destacou-se da plataforma de Wilkins, no lado ocidental da Península Antártica.

Não sei por que, mas não fizeram nenhuma menção ao fato de que, em setembro do ano passado, no final do inverno austral, a superfície de gelo que se forma todos os anos sobre o mar no hemisfério sul nessa época bateu o recorde de extensão desde 1979, com mais de 16 milhões de km², quase dois Brasis!

 Southern Hemisphere Sea Ice Area

Fonte: Polar Sea Ice Cap and Snow - Cryosphere Today

O gráfico, com dados do NSIDC e da NASA, mostra a área de gelo sobre o mar no hemisfério sul e sua variação anual desde 1979. Como se pode observar, todos os anos desde então o gelo se derrete na primavera e no verão, mas - pasmem - volta a se formar no outono e no inverno…

E então, houve derretimento ou congelamento? Na primavera e no verão, o gelo se derrete; no outono e no inverno, o gelo se forma novamente. Ano após ano, tem sido assim; às vezes, um pouco mais, às vezes, um pouco menos.

No caso específico da Antártida, uma superfície maior que um Brasil e meio se derrete e volta a se formar, ano após ano. Em termos médios, não houve nenhum aquecimento nesse período, senão o contrário. Houve sim uma ligeira redução das temperaturas médias. Mas isso não é catastrófico e portanto não merece nenhum destaque na mídia…

O post acima é uma tradução livre do blog CO2, de Antón Uriarte. Para ver o original, clique aqui

 

CO2 e temperatura: péssima correspondência

 CO2 e temperatura

Desde março de 1958, que foi declarado Ano Geofísico Internacional e a partir do qual se impulsionaram diversos projetos de estudos sobre a Terra, se mede com precisão e regularidade diária o conteúdo de CO2 na atmosfera. O mérito se deve sobretudo à tenacidade de Charles Keeling, recentemente falecido. Foi ele que durante anos realizou esse trabalho silencioso em um observatório instalado na encosta do Mauna Loa, no Havaí, longe de qualquer ponto de emissão local que distorcesse o resultado. Esta série de medidas do CO2 é a que se costuma tomar como indicativa da evolução global.

Em um recente artigo, vemos o gráfico acima, onde se compara mês a mês a concentração de CO2 na atmosfera e a evolução da temperatura média no hemisfério norte, desde março de 1958 até o ano de 2004. O gráfico da temperatura (em vermelho) foi traçado a partir dos dados do organismo conjunto do Escritório de Meteorologia do Reuno Unido e da Universidade de Anglia do Leste (Had-CRU). Baseia-se nas anomalias mensais em relação às médias.

Observa-se claramente que durante mais de 300 meses, de 1958 a 1988, na primeira metade do período, o incremento do CO2 absolutamente não veio acompanhado por uma elevação das temperaturas. E nos últimos 10 anos, ainda que não se veja claramente na figura, tampouco. À vista do que se vê, é enganoso estabelecer uma correlação automática e mensurável, como muitos crêem, entre o incremento do CO2 na atmosfera e a elevação das temperaturas.

Ref.: Gerhard Kramm, Comment to “Recent Climate Observations Compared to Projections” by Rahmstorf et al.

O post acima é uma tradução livre do blog CO2, de Antón Uriarte. Para ver o original, clique aqui

 

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