Quanto aquece o CO₂?

Deve-se ir até a página 631 do último informe do IPCC para encontrar o dado importante sobre o que se supõe aquece o CO₂. Segundo os modelos, a duplicação do CO₂, que se alcançará lá pelo ano de 2100, produzirá – sem outros feedbacks adicionais – um aquecimento da temperatura do ar na superfície de apenas 1,2 °C.

Não está claro se se refere à duplicação do CO₂, tal e como se escreve, ou à duplicação do CO₂ equivalente, ou seja, dos gases estufa em seu conjunto (metano incluído), em cujo caso seria ainda menos.

Não importa. O que de acordo com o IPCC aumentaria o aquecimento em até 5 °C segundo alguns modelos é o efeito estufa causado essencialmente pelo incremento da umidade do ar e das nuvens altas, que retém o calor na baixa atmosfera.

Precipitation system

Mas uma das maiores incertezas do funcionamento do clima é precisamente isso: como o aquecimento superficial afeta a umidade do ar e a nebulosidade em diferentes zonas do planeta. Sabe-se, por exemplo, que na troposfera tropical, acima dos oceanos e em especial acima dos 2.000 ou 3.000 metros, há grades contrastes de umidade entre uma zona e outra. Em umas o ar ascende muito úmido e em outras descende muito seco.

Em alguns locais o ar ascende em poderosas torres de nuvens na forma de Cumulus, carregando para cima o vapor d’água. Ao subir, o vapor acaba se condensando e grande parte dele cai na forma de chuva. Dependendo da maior ou menor força das ascensões, formam-se nuvens com mais ou menos água precipitável. As gotículas que não chegam a precipitar-se nos Cumulus congelam-se na alta troposfera e formam Cirrus que se soltam dos Cumulus, se entendem na horizontal e têm um efeito de aquecimento notável, pois retêm a radiação infravermelha e refletem apenas a radiação solar (seu efeito estufa é maior que seu efeito albedo).

Segundo a teoria de Richard Lindzen, se aumenta a temperatura do mar, aumenta a força das ascensões e as gotículas das nuvens são maiores, precipitando-se mais e mais rápido e deixando seca a alta troposfera, sem a possibilidade de que se formem estes extensos Cirrus desgarrados das colunas ascendentes. Portanto, produz-se um feedback negativo. Quanto maior a temperatura da água do mar, menos Cirrus e, portanto, resfriamento. Uma teoria que uns dizem que funciona e outros dizem que não.

O que está claro é que as variações da umidade do ar e do tipo de nuvens nos trópicos e fora dos trópicos dependem não só da evaporação provocada pela temperatura, mas também pelas precipitações. Assim, como sustenta Roy Spencer, as variações na precipitação (por seu efeito no vapor d’água e nas nuvens) podem ser tanto uma causa das variações na temperatura como um efeito. Com o mal que ainda se entende a formação das nuvens e das precipitações, e, sobretudo, com o mal que se sabe prever a chuva, é ridículo atribuir a um determinado incremento do CO₂ um determinado aumento da temperatura.

Mas ridículos são os políticos – que de tanto falar, não tiveram tempo de chegar a ler a página 631 – que dirigem o mundo.

Ref: Roy W. Spencer: Global Warming and Nature’s Thermostat; IPCC, Climate Change 2007; The Physical Science Basis, Cambridge University Press

O post acima é uma tradução livre do blog CO₂, de Antón Uriarte. Para ver o original, clique aqui

 

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