“O Ambientalista Cético”

Conheci Bjorn Lomborg em 31/03/2008, por ocasião do Seminário Internacional “Aquecimento Global – O Dilema Político e Econômico” promovido pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e pelo Ibmec Cultura, no auditório do Campus do IBMEC em São Paulo, SP. Acabo de ler a 6ª edição do seu primeiro best seller: “O Ambientalista Cético”. Com quase 3.000 referências, o livro analisa e revela a real situação do Mundo na virada do século XXI. Sugiro aos que ainda não o leram, que o façam. E comento a seguir os principais tópicos abordados no livro.

O Mundo está cada vez melhor, mas a ladainha persiste e somos afogados por más notícias, todos os dias. É que desgraça e notícia ruim prendem mais a atenção do público em geral e a mídia vive de anunciantes que pagam mais pela audiência que pelo conteúdo. A realidade é, portanto, constantemente distorcida.

Nunca antes na história do Mundo vivemos tanto e tão bem. A população de seres humanos na Terra é grande – somos mais de 6,5 bilhões hoje em dia – e deverá aumentar ainda mais nas próximas décadas, mas cada vez menos. A ONU prevê que passará de 10 bilhões em 2100, mas se estabilizará em pouco menos de 11 bilhões em 2200.

A prosperidade humana pode continuar, ainda estamos bem longe do fim da linha. Teremos alimentos suficientes, não perderemos as nossas florestas, haverá energia, recursos não energéticos e água disponíveis. Seremos cada vez mais eficientes.

A poluição diminuiu, não ameaça a prosperidade humana. Aprendemos a fazer mais e melhor, preservando o meio ambiente.

Os problemas de amanhã estão sendo equacionados. Nossos medos químicos mostraram-se infundados, os defensivos agrícolas não nos afetam significativamente e contribuem para índices de produtividade vigorosamente crescentes. O câncer está cada vez mais bem controlado, assim como inúmeros mitos. A biodiversidade não está em risco.

Quanto ao aquecimento global, bem, não somos capazes de prever o tempo depois de amanhã, que dirá daqui há cinqüenta ou cem anos. As evidências não sustentam essa estória do efeito estufa causado pelo homem na proporção em que é alardeado. O CO₂ não é um poluente! O CO₂ e a água são essenciais para a fotossíntese e para a vida, tal e como a conhecemos. A temperatura média global subiu apenas 0,6 °C nos últimos 100 anos e as causas são, em grande parte, naturais. Principalmente no hemisfério norte, as mínimas subiram, mas as máximas praticamente não. O nível dos mares vem subindo desde o fim da última era glacial, na razão de 10 a 25 cm nos últimos 100 anos. O gelo sobre o mar se derrete todos os anos, na primavera e no verão, mas volta a se formar no outono e inverno, como se pode ver em vários posts nesse blog.

Mas uma coisa é certa: nada causa mais danos ao meio ambiente e à existência humana que a pobreza. Um Mundo mais próspero e mais desenvolvido se adapta mais facilmente a eventuais novas circunstâncias, para desespero dos oráculos catastrofistas de plantão.

O verdadeiro estado geral do Mundo atual é bom. E a tendência é que seja cada vez melhor.

Se tem havido pressão inflacionária recente nos preços mundiais dos alimentos básicos, a causa deve ser comemorada. Os chineses e os indianos estão comendo um pouco mais!

Catástrofe ou progresso? Você decide.

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8 Responses to ““O Ambientalista Cético””


  1. 1 Thiara Isabella 12 outubro 2009 às 9:12 pm

    Estou no primeiro período de geografia, irei me especializar em arqueologia e logo fui apresentada à brilhante obra de Bjorn Lomborg. Clareou meus pensamentos e tranquilizou minha mente ambientalista (antes não-cética). Como leio o livro na biblioteca da faculdade, e, infelizmente o governo disponibilizou apenas 18 exemplares, estou na fila de espera aguardando ansiosamente pelo fim da leitura do ”Ambientalista Cético”. Acredito que todos deveriam ler tal obra para cessar a ladainha.

  2. 2 jose 05 abril 2011 às 12:55 am

    “Nunca antes na história do Mundo vivemos tanto e tão bem”? Tenho dúvidas quanto a isso. O que é viver bem? Comer alimentos impregnados de agrotóxicos e conservantes? Não creio que o planeta tenha capacidade de produzir alimentos orgânicos para 11 bilhões de pessoas. Não conheço o livro do Lomborg, mas gostaria de saber qual a solução dele para a alimentação humana. “A prosperidade humana pode continuar, ainda estamos bem longe do fim da linha. Teremos alimentos suficientes, não perderemos as nossas florestas, haverá energia, recursos não energéticos e água disponíveis. Seremos cada vez mais eficientes”. Me desculpem, mas agora o cético sou eu. Parece muito bom para ser verdade, quando recentemente vimos os riscos das “solucionáticas”, as usinas nucleares contaminando o solo do Japão pós-terremoto.

    • 3 Mario 05 abril 2011 às 11:17 am

      Caro José, se você não leu o livro, se não se informou devidamente, seria melhor evitar escrever por aí os seus comentários… Quanto às usinas nucleares, se você tivesse lido um pouco das informações aqui disponíveis, perceberia que sou um crítico feroz dessa forma de geração de energia, principalmente pela falácia de que se trata de “energia limpa”!

  3. 4 Lucas 15 agosto 2011 às 9:59 pm

    Mas é claro que um engenheiro agrônomo vai defender a tese de que a degradação ambiental provocada pelo homem é baboseira… e se o novo código florestal for aprovado então… aí vão ter agrônomos ricos…

    • 5 Mario 16 agosto 2011 às 8:30 am

      Tão claro quanto a sua clarevidência, cara pálida. Em nenhum momento defendi tal tese. Modere o seu apetite e o dos quase 7 bilhões de colegas seus que andam por aí…

    • 6 André Bombonato 17 abril 2012 às 2:09 pm

      Caro Lucas, você não sabe quão infeliz é seu comentário. Sou engenheiro agrônomo e você não faz ideia da preocupação com o meio-ambiente que nossa profissão demanda. Ainda na graduação, temos toda uma conscientização ambiental, aprendemos sobre a legislação ambiental vigente, etc.. No meu caso, trabalho com melhoramento genético de plantas. Visamos sempre produzir alimentos em maior quantidade utilizando a mesma área plantada.

  4. 7 euclesio braganca 30 março 2012 às 10:57 am

    Mario, o Luc Ferry, em “A nova ordem ecológica”, pgs.173-74, coloca muito bem uma crítica à tentativa de idealização da natureza no sentido da sacralização da mesma, o que pode oferecer o mesmo risco do fanatismo e do dogmatismo religioso da Idade Média. Chego a temer que em breve precisaremos de um novo Iluminismo para expurgar os excessos dos desvarios de certas correntes ecológicas. Afinal, amigo, concordando com você: “o homem, é claro, continua sendo, até prova em contrário, o único ser suscetível de enunciar juízos de valor, e de, como diz a sabedoria das nações, separar o joio do trigo”. E viva o Brasil, com a sua prosperidade (e em rota de corrigir as suas desigualdades) e um monte de caras saindo da miséria, graças, sim, inclusive, a uma boa Embrapa da vida, a uma Escola Luiz de Queiroz, coisas boas das quais o Brasil se orgulha. Euclesio Bragança Médico Nutrólogo

  5. 8 JMS 20 maio 2012 às 4:46 pm

    É falso que a poluição global tenha diminuido. Não há crescimento económico sem produção, não há produção sem predação de recursos nem poluição. Logo, é impossível que a poluição diminua, mesmo contando com modos de produção menos agressivos para o meio ambiente. Nos países desenvolvidos há menos poluição do que há vinte anos? Há. Mas isso é porque eles exportaram para os países sundesenvolvidos as suas indústrias mais poluidoras.
    É falso que “teremos alimentos suficientes, não perderemos as nossas florestas, haverá energia, recursos não energéticos e água disponíveis”. Quem afirma isso, não faz a mínima ideia do mundo em que vive. Já ouviu falar no pico petrolífero? Já ouviu falar na contaminação dos lençóis freáticos, na salinização dos solos ou na eutrofização? Sabia que a um ritmo de crescimento de 1% ao ano qualquer quantidade duplica ao fim de 70 anos? Agora analise os dados do crescimento anual dos BRIC (40% da pop. mundial) e faça as contas.


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