Deixem os dados falarem por si

Apesar das previsões endossadas por ativistas ambientais, as temperaturas na presente década não foram piores que o esperado

Já repararam como os ativistas ambientais quase inevitavelmente dizem que não só o aquecimento global está acontecendo e é mal, mas também que o que assistimos é ainda pior do que o esperado?

Isso parece estranho, pois qualquer um que tem um entendimento razoável de como a ciência funciona deveria esperar que, na medida em que nós aperfeiçoarmos os nossos conhecimentos, descobrimos que as coisas estão às vezes pior e às vezes melhor do que esperávamos, e que o mais provável seria uma distribuição de cerca de 50 x 50. Ativistas ambientais, porém, quase invariavelmente o vêem como 100 x 0.

Se nós estamos sendo constantemente surpreendidos em uma só direção, nossos modelos mostram uma visão unilateral de uma realidade cada vez pior, o que não prenuncia nada de bom para a nossa abordagem científica. Na verdade, pode-se argumentar que se os modelos constantemente mostram resultados errados, provavelmente é porque os modelos estão errados. E se não podemos confiar em nossos modelos, não podemos saber qual ação política tomar, se quisermos fazer a diferença.

No entanto, se constantemente novos fatos nos mostram que as conseqüências das alterações climáticas estão ficando cada vez pior, argumentos de mentes elevadas sobre a metodologia científica podem não valer muito. Certamente, esta parece ser a aposta predominante na rodada sobre o aquecimento global. É, novamente, pior do que pensávamos, e, apesar da nossa falta de modelos confiáveis, vamos apostar que sabemos exatamente o que fazer: reduzir drasticamente as emissões de CO2.

Mas simplesmente não é correto que os dados climáticos são sistematicamente piores do que o esperado; em muitos aspectos, eles estão bem onde deveriam estar, ou ainda melhores do que o esperado. O que nos dizem indica a dependência dos meios de comunicação pela pior das hipóteses, mas constitui-se numa base fraca para políticas inteligentes.

O ponto mais óbvio sobre o aquecimento global é o de que o planeta está se aquecendo. A temperatura aumentou cerca de 1 °C ao longo do século passado, e o Painel do Clima da ONU (IPCC) prevê que aumentará entre 1,6 e 3,8 °C no decorrer deste século, principalmente devido ao aumento do CO2. Uma média entre todos os 38 modelos disponíveis do IPCC revela que esperam um aumento da temperatura nesta década de cerca de 0,2 °C.

Mas não é bem isto o que temos visto. E isso é verdade para todas as temperaturas superficiais medidas e, mais ainda, para ambas as medições por satélites. Temperaturas na presente década não foram piores que o esperado; na verdade, elas nem sequer têm aumentado. Elas realmente têm diminuído entre 0,01 e 0,1 °C por década. Considerando o mais importante indicador do aquecimento global – o aumento da temperatura – deveríamos saber que os dados são realmente muito melhores do que o esperado.

Do mesmo modo, e sem dúvida muito mais importante, o conteúdo de calor dos oceanos diminuiu nos últimos quatro anos, onde temos medições. Considerando que a energia em termos de temperatura pode desaparecer com relativa facilidade a partir da leve atmosfera, é difícil saber para onde o calor do aquecimento global poderia ter ido embora – e certamente isto é novamente muito melhor do que o esperado.

Ouvimos freqüentemente sobre como o gelo do Ártico está desaparecendo mais rapidamente do que o esperado, e isso é verdade. Mas a maioria dos cientistas sérios também admite que o aquecimento global seja apenas parte da explicação. A outra parte é que o chamado padrão da oscilação Ártica dos ventos no Oceano Ártico está agora de tal forma que não permite a acumulação de gelo, mas imediatamente envia o gelo para o Atlântico Norte.

Mais importante ainda, é raro ouvir que o gelo sobre o mar na Antártida não só não está diminuindo, mas está acima da média no mesmo período no ano passado. Pelos modelos do IPCC, deveria se esperar uma diminuição de gelo do mar em ambos os hemisférios, mas, considerando que o Ártico está sendo pior do que o esperado, a Antártida está sendo melhor.

Ironicamente, a Associated Press, juntamente com muitas outras novidades, nos contou que em 2007 o “Ártico está gritando“, e que a Passagem do Noroeste foi aberta “pela primeira vez na História”. Ora, a BBC relatou em 2000 que a famosa Passagem do Noroeste já estava sem gelo.

Somos constantemente inundados com notícias de como do nível do mar vai subir, e como um estudo após o outro diz que vai ser muito pior do que aquilo que o IPCC prevê. Mas a maioria dos modelos do IPCC mostra resultados dentro de um intervalo de aumento do nível do mar de 18 a 59 centímetros neste século. Esta é, obviamente, a razão pela qual milhares de cientistas do IPCC projetam esse intervalo. Só que estudos alegando um metro ou mais, naturalmente, darão uma “melhor” notícia.

Desde 1992, temos satélites medindo a elevação do nível do mar e eles têm demonstrado um aumento estável de 3,2 milímetros por ano em comparação com a projeção do IPCC. Além disso, nos últimos dois anos, o nível do mar não aumentou apesar de tudo; na verdade, ele mostra uma ligeira queda. Será que não deveria ser dito que é muito melhor do que o esperado?

Furacões foram a derradeira imagem de Al Gore no famoso filme sobre a mudança climática, e certamente os Estados Unidos foi atingido em 2004 e 2005, levando a alegações selvagens de que tempestades cada vez mais fortes onerariam o futuro. Mas desde esses dois anos, os custos foram bem abaixo da média, praticamente desaparecendo em 2006. Isso é definitivamente melhor do que o esperado.

Gore pediu ao pesquisador de furacões do MIT Kerry Emanuel para apoiar um alegado consenso científico de que o aquecimento global tornará os furacões muito mais prejudiciais. Mas Emanuel teve agora publicado um novo estudo que demonstra que, mesmo em um mundo radicalmente aquecimento, a freqüência e a intensidade dos furacões não deve aumentar substancialmente durante os próximos dois séculos. Essa conclusão não teve muita exposição na mídia.

Evidentemente, nem todas as coisas são melhores do que pensávamos. Mas um exagero tendencioso não é o caminho a seguir. Precisamos urgentemente de equilíbrio, se quisermos fazer escolhas sensatas.

Por Bjorn Lomborg

O post acima é uma tradução livre do artigo de Bjorn Lomborg publicado em The Guardian na terça-feira, 14/10/2008. Para ver o original, clique aqui

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