Quanto CO₂ há?

Um dos temores irracionais diante do incremento do CO₂ é que ele nos deixe asfixiados, sem oxigênio.

É que quase ninguém se lembra de qual é a composição da atmosfera… Um amigo professor, e de física, me perguntou timidamente em um jantar outro dia quanto CO₂ havia. Por sorte, havia revisado o assunto recentemente e me lembrei.

Quanto CO2 há 1

Acima se encontra a composição do ar da atmosfera em porcentagem e abaixo em partes por milhão (ppm).

Quanto CO2 há 2

A atmosfera é uma mistura de gases bem misturada pelos ventos e, portanto, quase homogênea. Em todas as partes, a porcentagem dos gases é praticamente a mesma, exceto pelo vapor d’água. No ar de um deserto muito deserto, a porcentagem de vapor d’água pode ser de quase 0%, mas em uma floresta tropical úmida pode chegar quase até 4% (ou 40.000 ppm).

Como, nas mesmas condições de temperatura e pressão, o número de moléculas que ocupa um volume determinado é invariável, não há a mesma quantidade de oxigênio em um metro cúbico de ar úmido ou seco. Assim, em um metro cúbico de ar com 4% de vapor d’água em vez de zero, há 4% menos de todos os demais gases, e de oxigênio especificamente, umas 8.400 partes por milhão menos (4% de 210.000 ppm).

E aonde eu quero chegar: há no ar seco umas 210.000 ppm de oxigênio e tão somente 385 ppm de CO₂.

Devido às emissões humanas, esta concentração de CO₂ aumenta a cada ano cerca de 2 ppm. Também, devido à oxidação do carbono que ocorre quando se produz e emite CO₂, a quantidade de oxigênio na atmosfera diminui. Mas, diante de tanto oxigênio como o que há, essa diminuição é desprezível. Um ligeiro aumento da umidade relativa do ar ou uma ligeira diminuição da pressão atmosférica, de 1 milibar por exemplo, supõe que em termos absolutos haja menos oxigênio por metro cúbico de ar que tudo o que foi perdido por nossa “culpa” em 200 anos. E 1 milibar é o que decresce a pressão atmosférica quando subimos três andares (9 metros).

O post acima é uma tradução livre do blog CO₂, de Antón Uriarte. Para ver o original, clique aqui

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13 Responses to “Quanto CO₂ há?”


  1. 1 neilton 08/04/2009 às 09:22

    Estude mais um pouco. Um abraço!!!

  2. 2 Mario 08/04/2009 às 16:45

    Quem deveria estudar um pouco mais o que? Outro!

  3. 3 Otacilio 04/03/2010 às 20:27

    Muito esclarecedor. Valeu…

  4. 4 José 30/09/2012 às 11:40

    Não concordo com todos os detalhes. É verdade que a proporção de CO2 no planeta permanece a mesma, porém a proporção do mesmo gás no ar não será a mesma. Basta imaginar que a equação da fotosíntese deixa bem claro que as plantas absorvem CO2 e energia para transformar, dizendo a grosso modo, em madeira. Se queimar a madeira, transforma-se a madeira em gás. Logo, a madeira das plantas são um concentrado, um depósito de CO2 que deve ser mantido a todo custo, em razão do concentrado no ar. Vou além: toda pessoa deveria, quando nasce, receber uma árvore (ipê roxo, …) plantada, a cada 18 anos ele plantasse uma novas árvores e aos 100 anos deveria manter 6 árvores plantadas e adultas, pois esta deve ser aproximadamente a quantidade de CO2 que ele emite ao ambiente, dedendendo de alta complexidade de cálculos.

  5. 5 Graciete 01/12/2012 às 17:21

    Também não acredito em aquecimento global da forma como o tema vem sendo tratado, mas não podemos descartar o aquecimento local e ilhas de calor que se formam nas grandes cidades!

  6. 6 Fernando 15/07/2013 às 20:40

    São cálculos complexos. Pois bem: algas, árvores, seres que realizam a fotossíntese, absorvem CO2 para realizar a fotossíntese. Emitem O2 e armazenam carbono no processo. Mas quando elas morrem, para onde vai o carbono? Via de regra, retorna para a atmosfera, para realimentar o ciclo. Temos reservas de carbono nos combustíveis fósseis e nos seres vivos e em decomposição. A única coisa que eu acredito ser possível é uma micro influência humana no clima global. Sejamos, pois, mais humildes. A massa do planeta e todos os seus elementos estão aí há bilhões de anos e sofrem mudanças desde então. Sete, dez, doze bilhões de pessoas não têm tamanha importância sobre o planeta, meus jovens. Imaginem quantos dinossauros existiam, liberando CO2 na atmosfera. Sim, eles não queimavam combustíveis fósseis, porém digeriam grandes quantidades de matéria (vegetal e animal) e emitiam toneladas a mais de CO2 do que vocês e seus carros juntos. Esse ciclo de combustíveis vai durar quanto tempo. Mais uns 50 anos. Será que nós somos tão poderosos, que vamos mudar radicalmente o clima do planeta em 150 anos a ponto de tornar a vida insustentável (climatologicamente falando). Somos insignificantes para o planeta. A única coisa que podemos fazer é extinguir a nossa espécie e mais algumas dezenas conosco. Quanto às matas, sem nós, em 200 anos estão recuperadas. Quanto às espécies que extinguirmos, em alguns milhares de anos novas surgirão, como já ocorreu antes. Esqueçam, o foco não é o planeta, o foco é a humanidade. Os recursos são estes, para 1 bilhão ou 20 bilhões. Vai faltar água potável, não gelo nas calotas. Vão faltar alimentos e não por causa da alta dos oceanos. Esqueçam o clima do planeta, pois sem nós ele vai mudar da mesma forma. Pensem nas necessidades humanas atuais e não no planeta em cem anos. Eu sim, acredito que devemos preservar, mas não para salvar o planeta ou o urso polar. Devemos preservar esses recursos, porque nós precisamos deles, sim nós. Nós precisamos de água doce líquida e potável. Existem muitos seres que não precisam dessas condições. O clima vai mudar, com ou sem a nossa colaboração. Preservar é necessário, mas pelo fato de nós dependermos desses recursos. Mesmo sem um pé de árvore no planeta, mesmo sem uma gota de água doce, a vida ainda será abundante. Nesse caso, não a nossa…

    • 7 Leonardo Sonda 25/04/2016 às 11:16

      Excelente colocação. O foco nunca deve ser o planeta, e sim as condições necessárias para a vida humana. Nós não criamos o planeta, somos apenas fruto de milhões de anos de evolução genética, tudo isso graças às condições do planeta, que permitiram isso.

      • 8 David 02/06/2017 às 08:59

        “… fruto de milhões de anos de evolução genética…”? Não me diz que você é mais um daqueles que acreditam nessa teoria evolucionária sem pé nem cabeça? Fala sério…

  7. 9 Graca 28/05/2016 às 09:52

    Eu gostaria de saber como, com todos os seres vivos expirando, permanecem os valores de 0,03% de CO2, se expiramos 5% e inspiramos 0,03%.

  8. 11 Gn'R357 11/05/2017 às 05:58

    Sem esquecer que uma parte considerável do CO2 emitido pelo homem e suas atividades é absorvido pelos oceanos.

  9. 12 Gn'R357 11/05/2017 às 14:17

    Para aqueles que isto interesse, existem modelos gráficos do ciclo do carbono (ou CO2) na internet, e nestes modelos dá para se ter uma ideia de quais são as principais fontes de CO2 e de como os “poços de CO2” absorvem uma parte deste gás, e pode-se ver que a vegetação é o principal absorvedor de CO2 nos continentes, já que os oceanos absorvem outra grande parte do CO2. Porém, estes 2 poços de CO2 tem uma certa capacidade de absorção, criando um equilíbrio entre o CO2 que podemos chamar de “fixado” (nas plantas ou dissolvido nas águas dos oceanos) e o CO2 “livre” a atmosfera. Na internet também se encontra informações dizendo que todo o CO2 gerado pelo homem com todas suas atividades não chega a 4% do total do CO2 livre. Confiram aqui como se pode calcular tudo isto a fim de se obter este valor: estima-se que cada ser humano emite por volta de 1kg de CO2 por dia apenas respirando. Se a população atual é de 7.1 bilhões de serem humanos, isto corresponde a 7.1 bilhões de quilos de CO2 emitidos por dia apenas pela nossa respiração, o que dá aproximadamente 2’600 bilhões de quilos de CO2 por ano (= 2.6 bilhões de toneladas ou 2.6 gigatoneladas). Segundo o CDIAC (Carbon Dioxyde Information Analysis Center), as emissões totais de CO2 pelas diversas atividades humanas (outras que a respiração) foi estimada a 40 bilhões de toneladas ou 40 gigatoneladas em 2013. Os combustíveis fósseis seriam responsáveis a mais de 85% do CO2 emitido pelo homem, utilizados na produção de energia, os transportes, produção de cimento, etc.. Os 15% restantes seriam devidos à agricultura e utilização das terras. Comparativamente, apenas nossa respiração corresponderia a 6.5% das emissões totais de CO2. Destas 40 gigatoneladas de CO2 emitidas anualmente, aproximadamente a metade seria reabsorvida pelos “poços de CO2” que são os oceanos e as plantas. Este seria o ciclo do carbono, sobrando então “apenas” 20 gigatoneladas de origem humana em circulação que se adicionariam ao CO2 total na atmosfera. Segundo as estimações do EIA (US Energy Information Administration – https://www.eia.gov/outlooks/ieo/index.cfm), teriam 32 bilhões de toneladas de CO2 emitidas em 2012 apenas na produção de energia ao nível do planeta, com uma estimação a 36 bilhões de toneladas em CO2 emitidas em 2020 (ou 36 gigatoneladas). O que representam estes números ao nível do planeta? Acima se tem uma estimação da massa da atmosfera da terra de 5.15 x 10potencia18 kg. A concentração média atual do CO2 na atmosfera é de 0.04%, ou 400ppmv (ou 608ppm em massa), o que representa 3’100 gigatoneladas de CO2 ao total na atmosfera. As 40 gigatoneladas anuais devidas as atividades humanas representariam aproximadamente 1.3% do carbono na atmosfera, porém não é possível de considerar este valor deste modo visto que há o efeito cumulativo das atividades humanas ano após ano desde o início da era industrial (entenda-se, as gigatoneladas excedentes das atividades humanas e não absorvidas pelos poços de CO2 do ciclo do carbono). Segundo outros modelos de estimação e levando-se em consideração os excedentes de CO2, se considera que todas as atividades humanas são responsáveis de aproximadamente 3.2% de todo a CO2 na atmosfera (isto excluindo-se as 2.6 gigatoneladas da respiração, consideradas como sendo de origem natural). Estes valores e cálculos são aproximativos, porém a ordem de grandeza permanece correta. Vale a pena lembrar mais uma vez que os maiores reguladores do nível de CO2 planetário são os oceanos, outros grandes produtores de CO2 sendo os vulcões e as atividades orgânicas nas partes emergidas, quer sejam fermentativas (micro-organismos) ou respiratórias (animais e plantas).


  1. 1 Rios e lagos e o efeito estufa: importantes fontes de gás carbônico para a atmosfera. | Laboratório de Limnologia Trackback em 24/11/2014 às 00:07

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