Espanha admite que a economia verde que vendeu a Obama é uma ruína

O Governo espanhol vaza um informe que reconhece as nefastas consequências econômicas da aposta pelas energias renováveis

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parece que não elegeu bem o modelo para orientar a sua “economia verde”, a Espanha. Depois que o Governo de José Luis Rodríguez Zapatero demonizou um estudo de vários especialista sobre as nefastas consequências econômicas das energias renováveis, acaba de vazar um documento interno do gabinete espanhol que, todavia, é ainda mais negativo.

Para um dos autores do primeiro informe, Gabriel Calzada, “o Governo vazou conscientemente o informe para que a mídia se posicione contra as energias renováveis e para ter mais força para negociar com as empresas uma parada nesta bolha”.

Sebastián duvida
Porque ainda que Zapatero se oponha a abandonar sua grande aposta, algumas vozes como a do ministro de Indústria, Miguel Sebastián, começam a expressar sua preocupação pela enorme dívida que o investimento nas denominadas energias limpas gerou, o que inclusive poderia atrasar a saída da Espanha da crise econômica.

Em até oito ocasiões, o ocupante da Casa Branca se referiu ao modelo espanhol como exemplo a seguir. O paradoxo é que é um modelo que o próprio Obama quer que a Espanha abandone, como se depreende da sua chamada a Zapatero na semana passada, para que mudasse de estratégia diante da crise.

O documento interno da Administração espanhola reconhece que o preço da eletricidade disparou, assim como a dívida, pelo elevado custo da energia solar e eólica. Inclusive, as cifras do Governo indicam que cada emprego verde criado custou mais de 2,2 empregos tradicionais, o que assegurava o informe do Instituto Juan de Mariana. De mais a mais, o documento oficial é quase uma cópia, ponto por ponto, do que custou a Calzada ser vetado pela embaixada espanhola em um ato no Congresso dos EUA.

A apresentação reconhece explicitamente que “o incremento da fatura de energia elétrica se deve principalmente ao custo das energias renováveis”. De fato, o incremento do custo adicional desta indústria explica os mais de 120% da variação na fatura, e impediu que a redução nos custos de produção da eletricidade convencional fosse repassada ao cidadão.

Ainda que o documento assinale que o desenvolvimento das energias renováveis teve um impacto positivo, sobretudo na redução das emissões, também admite que sua evolução foi demasiado rápida, devido principalmente aos subsídios.

“Entre 2004 e 2010, a quantidade de subsídios multiplicou-se por cinco”, reconhece o texto do Ministério espanhol. Só em 2009, duplicaram-se as do ano anterior até os 5,045 bilhões de euros, o equivalente a todo o investimento público em pesquisa e desenvolvimento na Espanha.

As cifras a longo prazo assustam ainda mais. Segundo o próprio Governo, nos próximos 25 anos, o setor das energias alternativas receberá 126 bilhões de euros.

Só um exemplo. Os proprietários de plantas solares fotovoltaicas ganham 12 vezes mais do que se paga pela polêmica energia proveniente de combustíveis fósseis. A maior parte são subsídios carregados ao consumidor.

A conclusão é que, com a economia à beira da quebra, não se pode seguir injetando dinheiro em um setor tão custoso. E parece que o Governo já se deu conta disso.

Fatura nas urnas
É que, além disso, o projeto de economia verde de Obama pode passar-lhe a fatura nas urnas. O republicano Rand Paul, alçado pelo movimento “Tea Party”, ganhou na terça-feira as primárias para concorrer à cadeira do Senado por Kentucky, entre outras coisas por uma feroz crítica à agenda contra as mudanças climáticas do presidente.

Obama converteu no fundamento de sua política econômica e ambiental uma mudança para a “economia verde”, o que, a juízo de alguns analistas, poderia supor um risco para a recuperação da primeira economia mundial.

Polêmica: os principais pontos do informe do Governo
● 120%. É o que representam as renováveis na variação da fatura de energia elétrica. O Executivo admite neste documento, supostamente privado, que o incremento de preço da energia não pode ser atribuído à flutuação do mercado, mas somente ao custo adicional da energia solar e eólica.
● 126 bilhões de euros. É o que o setor das energias limpas receberá nos próximos 25 anos, mas não está muito claro de onde vai sair esse dinheiro. Em 2009, foram 5,045 bilhões.
● 53%. É a porcentagem que representa a energia solar fotovoltaica no custo das energias renováveis, muito embora aporte só 11% da energia produzida por essas fontes.

O post acima é uma tradução livre do artigo de Cristina Blas para o jornal La Gaceta. Para ver o original, clique aqui

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2 Responses to “Espanha admite que a economia verde que vendeu a Obama é uma ruína”


  1. 1 roosevelt s. fernandes 23/05/2010 às 21:48

    Se fosse apenas a Espanha a blefar. O cenário do confronto das teses (prós e contras) após a última Conferência sofreu uma mudança interessante: antes predominavam as pesquisas a favor; agora as contras. Ou seja, parece que estamos caminhando para unir os dois lados de uma mesma verdade. É um excelente processo evolutivo, certamente do pleno interesse da sociedade que não entende este confronto de pesquisadores e conclusões de pesquisas.
    Roosevelt
    Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
    roosevelt@ebrnet.com.br

  2. 2 Neila 10/06/2010 às 16:41

    Estudo Engenharia Ambiental e um olhar diferente a respeito do aquecimento global é bem interessante, depois do filme me senti bombardeada com essa informação, e notei como meu comportamento era como o de todos, acreditando piamente nessa informação que nos é passada a todo instante. Mais curioso achei, quando me referi ao filme e às idéias do filmes, fui criticada e taxada como cega e facilmente manipulável, acho até que isso vai acontecer mais vezes. Aconselho o filme a todos, e parebenizo o criador desse site pela qualidade das informações aqui veiculadas.


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