O apocalipse terá de esperar

A verdade inconveniente: as mudanças climáticas estão ocorrendo em ritmo mais lento que o previsto pelos propagandistas dos desastres do aquecimento global

Sempre se brincou que a climatologia é a ciência do achismo, pois não consegue prever com segurança se vai ou não chover no fim de semana. Agora, ela corre o risco de perder o direito de ser chamada de ciência. Na última década, o rigor científico esperado nos estudos climáticos viu-se suplantado por um debate que beira a irracionalidade. Cientistas e ambientalistas se deixaram levar por um tipo de fervor dogmático sobre a necessidade de medidas drásticas para frear a emissão de dióxido de carbono (CO₂) decorrente da atividade humana. Na opinião deles, ou se faz isso, ou o aquecimento global causará desastre ambiental de proporções apocalípticas. A complicação é que não se encontrou o meio que permita conter a emissão de gases do efeito estufa sem reduzir a produtividade da economia e o bem-estar das populações. Na semana passada, discutindo com base no prognóstico de um aumento de 2 graus na temperatura média global neste século, os 27 países da União Europeia (UE) confirmaram planos de gastar 20% de seu orçamento anual (hoje daria 24 bilhões de euros) em medidas contra a emissão de CO₂. O dinheiro poderia ter melhor destino, pois a visão cataclísmica que a UE se dispõe a enfrentar é, em grande parte, o resultado de estudos manipulados para sustentar a tese de seus autores.

As falhas desses estudos foram claramente expostas por um extenso levantamento publicado pela Universidade de Reading, na Inglaterra. Depois de examinar prognósticos feitos desde 1960, o climatologista Ed Hawkins concluiu que a maioria deles errou vergonhosamente. A principal falha foi a previsão de uma elevação crescente e rápida da temperatura média do planeta. Ocorreu o contrário. A temperatura aumentou abaixo do esperado pelos cenários elaborados pelos climatologistas para as últimas décadas e se mantém estável desde 2008. Como a quantidade de carbono jogada pelo homem na atmosfera duplicou em vinte anos, a verdade inconveniente é que é possível que o CO₂ nem sequer seja o vilão. O aumento da descrença no alarmismo do aquecimento global, por sinal, já fez desabar o mercado de carbono, mecanismo que permite a compra e a venda do direito de emitir CO₂. O valor negociado caiu de 126 bilhões de dólares, em 2011, para 81 bilhões, no ano passado.

A ala pessimista da climatologia estimou que a temperatura média do planeta subiria em torno de 1 grau nos últimos quarenta anos. Nada menos que 95% desses cientistas estavam errados. A elevação no período foi de apenas meio grau. À primeira vista pode não parecer um erro tão grande, mas, usado em modelos de previsão climáticos, o dado inexato se multiplica e pode assumir dimensões absurdas. Uma das conclusões baseadas em dados equivocados é que, se nada de drástico for feito nos próximos dez anos, a temperatura global vai disparar 4,5 graus até o fim do século. Os prognósticos extremados serviram de base para um relatório preparado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da ONU, divulgado com enorme repercussão em 2007. O IPCC deu seu aval à associação do aumento da temperatura às emissões de carbono e pintou um cenário de fim do mundo, do qual se destacam a elevação do nível dos oceanos causada pelo derretimento das geleiras e a inundação de cidades costeiras, como Nova York e Rio de Janeiro. “Não sei se foi incompetência ou loucura. Os cálculos são tão absurdos que mesmo considerando as variáveis que eles utilizam é impossível chegar a iguais resultados”, disse a Veja o climatologista inglês Nicholas Lewis, crítico feroz dos prognósticos do IPCC.

Lewis refez os cálculos matemáticos com os mesmos números utilizados como base pelo IPCC. O resultado – como consta no estudo publicado no mês passado – foi a previsão de que o aumento da temperatura ultrapassará 1,6 grau até 2100. Isso é menos da metade do previsto no relatório do IPCC. As consequências de uma elevação dessa magnitude são de pequeno impacto: maior incidência de tempestades e a redução no tamanho das geleiras localizadas em pontos extremos do planeta. Não há risco de nenhuma cidade à beira-mar ser submersa. Secas severas são possíveis, mas só em regiões já atormentadas pela falta de água, como as limítrofes do Deserto do Saara. “Os erros nos cálculos que encontrei são para cientistas o equivalente a dizer que um mais um não são dois”, concluiu Lewis.

O IPCC existe desde 1988 e, no momento, prepara um novo relatório sobre o clima para ser divulgado em setembro. Seu conteúdo já vazou na internet, e o que vem aí é mais do mesmo. Os relatórios do IPCC são elaborados por 2000 cientistas de todo o mundo, o que lhes dá aparente credibilidade. Na realidade, predominam entre eles interesses políticos, ideológicos, pessoais e de instituições que nada têm a ver com ciência. O indiano Rajendra Pachauri, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz na condição de presidente do IPCC, insistiu em incluir no relatório de 2007 a duvidosa previsão do derretimento a curto prazo das geleiras do Himalaia. Três anos depois, uma investigação pedida pela própria ONU concluiu que se tratava de especulação. Entrou no relatório porque Pachauri dirige um instituto em Nova Déli e precisava justificar o meio milhão de dólares recebido de uma fundação americana para estudar precisamente as geleiras do Himalaia. A investigação apontou o uso indiscriminado de estudos, estatísticas e modelos sem base científica na elaboração do relatório do clima do IPCC.

É fato que o comportamento do clima ainda está longe de ser inteiramente compreendido pelos estudiosos. Por que ocorreu uma elevação rápida na temperatura média do planeta no início dos anos 90 seguida por um período de estabilidade que se mantém até hoje? No mesmo ano em que a União Europeia se mobiliza para tentar impedir o previsto aumento de 2 graus na temperatura global, a Inglaterra enfrentou seu inverno mais gelado desde 1962, e ainda nevava em Londres um mês depois do início da primavera. Como o aquecimento global se encaixa nesse cenário gelado? Há suposições, mas não respostas decisivas. Apesar das incertezas, vozes influentes conseguiram inserir o aquecimento global no centro das preocupações mundiais. Não há mesmo como ignorar algo que é alardeado como o prenúncio do fim do mundo.

O mais famoso cruzado do carbono é Al Gore, que foi vice-presidente americano no governo de Bill Clinton. Ele ganhou um Oscar com um filme cuja mensagem era a seguinte: ou se interrompe já a emissão de carbono, ou o planeta vai fritar como ovo na frigideira. É interessante, do ponto de vista sociológico, como um movimento nascido praticamente dentro da Casa Branca foi se tomando mais e mais de repúdio ao capitalismo, à indústria e à civilização moderna. A mensagem de fundo parece ser que o homem violou leis sacrossantas da natureza e não lhe resta saída exceto voltar ao estilo de vida neolítico ou padecer num inferno de fogo. Não é sem razão que o cientista americano Robert Zubrin. Em livro recente, põe Gore entre os “líderes de um culto contra a humanidade”. A associação entre clima e punição divina está entre nós desde que um Cro-Magnon espiou pela entrada da caverna e se perguntou quem mandava no raio e no trovão. O conceito do fim do mundo pelo pecado ecológico é mais recente. Quarenta anos atrás, havia a firme convicção de que estávamos às vésperas de uma nova era glacial. Em 14 de agosto de 1976, The New York Times informou a seus leitores da existência de “muitos sinais de que a Terra pode estar a caminho de outra Idade do Gelo”. No ano seguinte, a revista Time publicou uma capa afirmativa: “Como sobreviver à Idade do Gelo que vem ai”. O tema ambientalista é o mesmo, mas mudou a polaridade: em lugar de sucumbir ao frio, a humanidade morrerá de calor.

A atividade humana pode poluir o ar que respiramos e arruinar o ambiente em que vivemos. É bom lutar contra esses estragos ambientais. Mas mexer com o clima do planeta parece estar além da capacidade do homem. Os ciclos de variações climáticas são naturais. Mil anos atrás, a temperatura média da Terra era superior à atual. Há 300, passamos por uma mini Era do Gelo. Estudos geológicos indicam que faz 50 milhões de anos que o planeta passa por um resfriamento, com queda de 20 graus [?] em sua temperatura média desde então. É bem possível que neste momento a Terra possa estar no finzinho de uma era glacial. A verdade inconveniente que muitos não querem aceitar é que o planeta esquenta e esfria por motivos próprios – e que pouco se pode fazer a respeito.

Filipe Vilicic e Victor Caputo, Revista Veja, 08/05/2013

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1 Response to “O apocalipse terá de esperar”


  1. 1 Jandui 08/05/2013 às 09:22

    Vejam em http://www.drroyspencer.com/wp-content/uploads/CMIP5-global-LT-vs-UAH-and-RSS.png a furada dos modelos climáticos que serviram de base para formulações de políticas ambientais malucas do IPCC. Essa turma conseguiu jogar a credibilidade da ciência do clima no lixo.


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