Obama deve enfrentar as fantasias das mudanças climáticas

O discurso do presidente Obama promoveu políticas tanto brilhantes quanto inúteis. Eis aqui o porquê:

A nova política climática que o presidente Obama delineou nessa terça-feira inclui ideias brilhantes e inúteis. A confusão decorre da falta de vontade de Obama de enfrentar três fantasias sobre o clima:

• As energias renováveis são uma parte importante da solução hoje? Não, elas são quase triviais. Hoje, o mundo recebe 81% da sua energia a partir de combustíveis fósseis – e em 2035, no cenário mais verde, ainda vai receber 79% da sua energia a partir de combustíveis fósseis. Energia eólica e solar vão aumentar de 0,8% para 3,2% – impressionante, mas não é o que vai fazer a diferença.

• Biocombustíveis devem desempenhar uma parte importante da solução? Não. Por enquanto, os biocombustíveis simplesmente desviam parte dos alimentos para os carros, elevando os preços dos alimentos e a fome, enquanto a substituição de florestas para novos campos agrícolas emite mais CO₂ do que evitam os biocombustíveis.

• A eficiência pode reduzir as emissões? Não. Embora a eficiência seja boa, os estudos mostram que as reduções das emissões têm pouco impacto no clima, pois suas economias são devoradas por mais uso. Como o seu carro fica mais eficiente, você o dirige ainda mais, e o dinheiro que você economiza ainda é usado para outras atividades emissoras de carbono.

Mas cuidadosamente implementado, o plano de Obama também mostra o caminho para as três verdades climáticas.

O fracking é a solução mais “verde” desta década. Obama reconhece o gás natural como um “combustível ponte”. Substituindo o sujo carvão, o gás natural mais barato do fracking cortou até 500 milhões de toneladas de emissões de CO₂ dos Estados Unidos. Isso é 10 vezes mais do que fariam as energias renováveis, embora as renováveis custem dezenas de bilhões de dólares aos norte-americanos. O fracking economizou ao consumidor dos EUA 125 bilhões dólares anualmente com os preços mais baratos da energia. O fracking tem problemas ambientais locais, mas todos eles podem ser resolvidos com uma boa regulamentação. Expandir o milagre do fracking nos EUA para o resto do mundo seria a maior fonte de redução das emissões de CO₂ nesta década, e, simultaneamente, aumentaria o bem-estar global, permitindo o acesso à energia a bilhões ainda não servidos.

A adaptação é inteligente, e Obama tem o direito de forçá-la. Terras secas, barreiras de maré e comportas no metrô de Nova York poderiam ter reduzido drasticamente o impacto do furacão Sandy, independentemente do quão pouco o aquecimento global impactou o furacão. Há muitas soluções mais, inteligentes e baratas, para os problemas do mundo real.

Finalmente, precisamos de inovação em energias “verdes” a longo prazo, que o presidente sugere financiar com 7,9 bilhões dólares no ano fiscal de 2014. Enquanto as energias “verdes” forem muito mais caras do que os combustíveis fósseis, serão sempre um nicho, subsidiadas pelos países ricos para se sentirem bem. Mas se a inovação fizer com que futuras fontes de energias “verdes” sejam mais baratas do que os combustíveis fósseis, todo mundo vai mudar. Assim como as pesquisas do Departamento de Energia dos EUA com o fracking em 30 anos fizeram o gás natural limpo mais barato do que o carvão e produziram uma redução histórica das emissões de CO₂, o dobro da redução na União Europeia, de acordo com o protocolo de Quioto.

A última fantasia climática que o presidente precisa enfrentar é a ideia de que as negociações internacionais podem de alguma forma provocar cortes significativos. Nós tentamos isso há mais de 20 anos e fracassamos, e fracassaremos novamente em 2015, em Paris. Mais de 180 países não vão reduzir significativamente suas emissões de CO₂ dos combustíveis fósseis, que impulsionam o seu crescimento econômico.

Em vez disso, o presidente deveria pedir ao resto do mundo para seguir a liderança dos EUA em inovação “verde”. Os modelos econômicos mostram que este é, de longe, a melhor política climática de longo prazo. Se todos investissem muito mais em inovação para baixar o custo futuro de energia “verde”, poderíamos substituir os combustíveis fósseis mais rapidamente e realmente resolver o aquecimento global.

O texto acima é uma tradução livre de um artigo de Bjørn Lomborg publicado em 25/06 no USA Today. Para ver o original, clique aqui

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