Plano energético “de boutique” de Obama atinge os pobres

Desde que comecei a ser solicitado a comentar o discurso do presidente Obama, eu acho que é hora de um pequeno desvio da ciência para a política. Se você não gosta da minha mistura de ciência com política, vá reclamar com Al Gore, ou com Joe Romm, ou com James Hansen e Gavin Schmidt, ou com Michael Mann, ou com a Sociedade Meteorológica Americana, ou com a União Geofísica Americana, ou com a Sociedade Americana de Física…, ou com o próprio presidente.

Eu poderia falar sobre o apelo do presidente em seu discurso de terça-feira para aqueles que não sabem de nada…, que condições climáticas mais severas estariam supostamente piorando devido ao aquecimento global. Desculpe, mas por quase todas as medidas objetivas, o mau tempo não tem piorado (os custos dos danos causados por tempestades aumentam ao longo do tempo, mas esse aumento não é devido ao mau tempo; tempestades como Sandy sempre ocorreram e continuarão a ocorrer…, elas simplesmente quase nunca atingiram uma grande área metropolitana).

Ou eu poderia falar sobre a tolice da equiparação do dióxido de carbono (que é necessário para a vida na Terra) com produtos químicos tóxicos, como o arsênico ou o mercúrio.

Ou talvez sobre a sua pancada forte nos céticos da Terra plana, embora a maioria de nós, se não todos, acreditamos que os seres humanos influenciam o clima até um certo ponto (eu pensei que ele entendia sobre “nuances”). Mas todas estas coisas foram abordadas por mim e por outros antes, em detalhes consideráveis.

Ou sobre a sua escolha tendenciosa dos dados. Sim, até mesmo as nossas medições por satélite das temperaturas da baixa atmosfera sobre os EUA registraram um calor recorde em 2012. Mas John Christy também me diz que as nossas medições sobre a Austrália (similar em tamanho aos EUA) em 2012 foram abaixo do normal.

E as nossas temperaturas na troposfera tropical (onde quase 50% da luz solar que incide sobre a Terra é absorvida) têm uma tendência da temperatura de 34 anos que não é estatisticamente diferente de zero, em contraste com 73 modelos climáticos que são o “estado da arte”.

Infelizmente, o presidente me faz lembrar uma estrela de Hollywood que acha que pode usar uma varinha mágica e criar energia renovável abundante, se apenas tentar um pouco mais. Há alguns anos atrás, eu debati com Daryl Hannah na TV em Cancun, durante uma conferência sobre o clima do IPCC. Fiquei impressionado com o seu conhecimento sobre os prós e contras das várias estratégias de energias renováveis.

Mas depois que foram feitas as filmagens, ela me disse, basicamente, que “só precisamos mudar para energia eólica e solar agora”.

Desculpe-me! Sinto muito, eu acho que eu estava assumindo demais em relação ao conhecimento desta atriz de Hollywood sobre física básica.

Não importa o quanto você queira energias renováveis para substituir os combustíveis fósseis e nucleares, existem alguns obstáculos a superar, semelhante ao “você não pode obter algo do nada”.

Energia eólica, solar e de biomassa têm densidades muito baixas de energia em relação aos combustíveis fósseis ou nucleares, que têm maiores concentrações de energia. Gerar uma quantidade substancial (ou seja, realista) de energia renovável é muito caro, em materiais e em uso do solo. Quantas crianças pobres você pretende alimentar e dar cuidados médicos pagando por isso?

Além disso, a energia eólica e solar nem sempre está lá quando você precisa dela (à noite, quando está nublado, ou quando o vento não sopra). Então, têm que ser acompanhadas por combustíveis fósseis de qualquer maneira.

Punir as nossas formas mais eficientes de energia (como o presidente e a EPA querem tão mal fazer) só aprofunda ainda mais a crise econômica. Se o presidente realmente está preocupado com “as crianças”, talvez ele deva examinar o que realmente fere os nossos filhos, a pobreza.

Energia abundante e acessível é necessária para gerar riqueza, e sem riqueza, não se pode ajudar aqueles que não podem ajudar a si mesmos. Eu pensei que era isso o que o nosso presidente queria fazer…, ajudar os pobres! Mas como podemos fazer isso punindo os geradores da riqueza a cada turno?

Na verdade, eu não posso imaginar um plano melhor para propositadamente destruir a economia. Golpeá-la em seu coração, a disponibilidade de energia abundante de baixo custo.

Até que tenhamos fontes renováveis de energia acessíveis e que possam ser implementadas amplamente, uma guerra aos combustíveis fósseis é uma guerra contra os pobres. Princípio básico da economia. A riqueza desviada para projetos inúteis (ou riqueza destruída) não estará mais disponível para os projetos mais merecedores.

Sim, temos de continuar a pesquisar as energias renováveis, uma vez que os combustíveis fósseis não vão durar para sempre. Mas você não pode simplesmente legislar (ou como Obama quer fazer, regular, sem a aprovação do Congresso ou do eleitorado) novas formas de energia para que elas existam.

A questão é: como é que vamos chegar daqui até lá? Agora que estamos descobrindo que o aquecimento global, na pior das hipóteses, deve progredir a apenas 50% da taxa antes prevista, teremos tempo e devemos ser mais espertos sobre isso (supondo que o aquecimento global é inteiramente nossa culpa e ruim para a vida na Terra, o que eu não estou convencido. O dióxido de carbono é tão necessário para a vida como oxigênio, mas é mais de 500 vezes menos abundante).

Este não é um filme de ficção científica no qual estamos participando. Receio que o eleitor mal informado não vai “perceber” até que tenhamos quedas e desmaios. Quanto mais usinas termoelétricas a carvão são desligadas, esse dia está se aproximando mais rapidamente.

Ou talvez a economia vá estar tão fraca que não precisará de toda essa energia extra de qualquer maneira.

O post acima é uma tradução livre do blog do Dr. Roy Spencer, Ph. D.. Para ver o original, clique aqui

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