Contestamos o último relatório do IPCC

Contestamos o último relatório do IPCC, apesar de ter sido assinado por 259 pesquisadores e representantes de 195 países, a maioria ligada a órgãos governamentais, ONGs e à área de meteorologia. Todos aqueles que contestam o propalado aquecimento global são excluídos de todas as discussões de grupos ligados ao IPCC, tanto aqui no Brasil como em outras partes do mundo. No Brasil, diversos pesquisadores de universidades como a UFRJ, a USP, a UFPR, a UFAL, etc., com trabalhos envolvendo o tema, são céticos quanto aos modelos apresentados pelo IPCC. Particularmente contesto o modelo de previsão adotado. A janela de tempo de análise, entre 1950 e 2010, não é parâmetro para se estabelecer previsões de longo prazo.

A dinâmica climática não é continua no tempo geológico, incluindo os 11000 anos até o presente, que mostram claramente isso. De acordo com o documento do IPCC, a previsão é que o aquecimento global até o final do século 21 seja “provavelmente superior” a 2 °C (com pelo menos 66% de chances disto acontecer). Até 2100, o nível do mar deve aumentar de 45 a 82 centímetros, considerando o pior cenário (ou de 26 a 55 centímetros, no melhor), e o gelo do Ártico pode diminuir até 94% durante o verão local. Essas previsões são contestáveis em todos os aspectos. Primeiro, porque existem poucos dados sobre o hemisfério sul, por exemplo, onde o manto de gelo da Antártida foi pouco alterado nos últimos 18000 anos, ao contrário do Ártico que diminuiu. Aqui no Brasil, nesse ano, ocorreu um evento atípico: nevou em aproximadamente 180 cidades, incluindo cidades do sul de Minas e o Pico do Itatiaia no Rio de Janeiro. Segundo, o comportamento do nível do mar não é uniforme, todo estudante de geologia sabe disso, parece elementar. Uma elevação do nível do mar depende de uma série de fatores: climáticos, tectônicos, mudança de posição do geoide, sedimentação, etc..

A variação do nível do mar no sudeste brasileiro nos últimos 11000 anos foi de aproximadamente 8 metros, sendo uma oscilação negativa de – 5 metros (resfriamento) ocorrida há 11000 anos antes do presente e uma oscilação positiva de + 3 metros (aquecimento) ocorrida há 5000 anos antes do presente. Essa pesquisa foi realizada pelo Laboratório de Geologia Costeira, Sedimentologia e Meio Ambiente do Museu Nacional – UFRJ. A variação do nível do mar em 1000 anos é de aproximadamente 0,8 metros. Portanto, não chega a 1 metro em um milênio. Esses valores foram obtidos e comprovados no litoral do Rio de Janeiro. Como pode ser visto, são bem diferentes da mera previsão apresentada pelo IPCC. A erosão costeira no Brasil não tem nenhuma relação com o aquecimento global. Nós, que atuamos com pesquisas em áreas costeiras, sabemos muito bem disso. A erosão costeira é decorrente da urbanização da orla, construções de estruturas de engenharia mal planejadas, construções de barragens e também decorrente de fatores naturais, entre estes, a entradas de frentes frias, a alteração da dinâmica do transporte de sedimentos, etc.. Não temos elementos suficientes para apontar uma tendência de aquecimento global. Prever uma tendência de aquecimento global no hemisfério sul, incluindo o Brasil, é um grande equivoco.

A história geológica recente da Terra foi marcada por períodos glaciais (frios) e interglaciais (quentes). Experimentos de décadas não apontam tendências. O aquecimento ou o resfriamento da Terra não é um processo continuo, depende de uma série de fatores astronômicos, geológicos, climáticos e oceanográficos. O homem, apesar de contribuir de forma significativa com a degradação ambiental local através da poluição, contaminação do solo, desmatamentos, etc., não é capaz de alterar o sistema climático mundial, que depende muito mais de forças astronômicas. Fatores episódicos como os fenômenos El Niño, que alteram o sistema climático da Terra com tempo de recorrência entre 3 a 8 anos, por exemplo, não são contínuos. As temperaturas nunca tiveram tão baixas na última primavera nas Ilhas Britânicas, por exemplo. É uma tendência? Muito provavelmente não. No inverno desse ano, as temperaturas nas serras gaúchas e catarinenses ficaram abaixo de zero. É uma tendência? Muito provavelmente não. O clima da Terra é complexo, envolve várias variáveis, entre estas as geológicas e as astronômicas, que são completamente desprezadas pelos teóricos do aquecimento global.

Prof. Dr. João Wagner Alencar Castro, Área de Geologia Costeira e Marinha do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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1 Response to “Contestamos o último relatório do IPCC”


  1. 1 Guilherme 06/11/2013 às 23:38

    Não devemos nos esquecer que a costa brasileira está afundando, pois a Ámerica continua a se afastar da África.


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