Hora do Planeta: acenda as luzes, celebre a eletricidade

Às 20h30min do último sábado, pessoas e locais públicos em todo o mundo desligaram as luzes durante uma hora para aumentar a conscientização sobre o impacto do uso da energia nas mudanças climáticas.

Infelizmente, esta Hora do Planeta é nada mais que um evento de bem-estar ineficaz. É muito pouco para o clima em termos de redução das emissões de CO₂ e nos distrai dos verdadeiros problemas e soluções – especialmente dar luz àqueles na escuridão.

Enquanto mais de um bilhão de pessoas eventualmente participam desligando suas luzes por uma hora – e economizam no máximo o equivalente à China deter suas emissões de CO₂ por menos de quatro minutos – 1,3 bilhão de pessoas em todo o mundo em desenvolvimento vai continuar a viver sem eletricidade, como fazem todas as noites do ano.

Quase 3 bilhões de pessoas ainda queimam estrume, galhos e outros combustíveis tradicionais dentro de casa para cozinhar e se aquecer. Esses combustíveis emitem gases nocivos que estão ligados a 4,3 milhões de mortes a cada ano, a maioria mulheres e crianças.

Na verdade, foi o advento da energia elétrica generalizada que nos libertou de tais práticas nocivas e que ainda afetam grande parte do mundo em desenvolvimento.

Celebrar a escuridão sinaliza o afastamento de um futuro cada vez mais brilhante. E não é apenas metaforicamente, porque as políticas climáticas mantém a produção de eletricidade mais cara. E isso dói especialmente nos mais pobres. Com os preços da eletricidade aumentando 80% na Alemanha desde 2000, e com subsídios às energias renováveis de 21,8 bilhões de euros este ano, 800 mil alemães por ano têm sua energia cortada porque eles já não podem se dar ao luxo de pagar as contas.

No mundo em desenvolvimento, os governos ocidentais bem-intencionados estão se opondo ao financiamento de novas usinas a carvão que poderiam evitar apagões em países como o Paquistão. Em vez disso, estamos agora adicionando mais desemprego e desesperança econômica.

E a escuridão que deixa 1,3 bilhão de pessoas sem eletricidade torna as coisas mais difíceis. Cada vez mais, insistimos que elas só devem ser autorizadas a dispor de eletricidade se ela for renovável.

No entanto, uma nova análise do Centro para o Desenvolvimento Global concluiu que, em vez de investir 10 bilhões de dólares em energia renovável, pode-se tirar uma pessoa da pobreza por cerca de 500 dólares. E se usássemos centrais de ciclo combinado a gás natural, seria mais do que quatro vezes mais eficiente. Ao insistir em energias renováveis, nós deliberadamente optamos por deixar 60 milhões de pessoas na escuridão e na pobreza. Isso parece hipócrita, pois o mundo rico recebe apenas 0,8% de sua energia a partir de tecnologias de energia solar e eólica caras, que permanecem pouco confiáveis. Mesmo com orçamentos optimistas, a Agência Internacional de Energia estima que, em 2035, vamos produzir apenas 2,6% da nossa energia a partir do vento e menos de 1% de solar fotovoltaica.

A maioria dos participantes celebra a Hora do Planeta com a melhor das intenções. Mas em vez de desligar as luzes para todos, vamos nos concentrar em encontrar soluções brilhantes que podem fazer a diferença, tanto para o clima como para os pobres.

O texto acima é uma tradução livre de um artigo de Bjørn Lomborg publicado no LinkedIn. Para ver o original, clique aqui

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