Especialistas do clima não são suficientemente claros, diz estudo

Autores analisaram linguagem dos resumos do IPCC de 1990 a 2014.

Cúpula do Clima de Paris (COP 21) ocorrerá em dezembro.

Os textos publicados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), cujas obras servem de referência para as negociações climáticas, não são suficientemente claros – lamentam os pesquisadores, temendo que essa falta de clareza prejudique a busca por um acordo na conferência de Paris.

“A ação global sobre as alterações climáticas fica seriamente prejudicada porque os conselhos do corpo científico do IPCC (…) são tão difíceis de compreender que é necessário ter um doutorado, no mínimo, para compreender as recomendações”, disse em declaração Ralf Barkemeyer, professor da escola de administração francesa Kedge Business School, que liderou o estudo publicado na segunda-feira pela revista “Nature Climate Change”.

“Se os governos não são capazes de compreender os fatos científicos que são apresentados, como podem esperar chegar a um consenso ou a uma decisão comum?”, questiona o pesquisador, a menos de dois meses para a Conferência do Clima de Paris, que ocorrerá de 30 de novembro a 11 de dezembro.

O IPCC publica a cada cinco anos um relatório acompanhado de um “resumo para os atores políticos”, síntese dos conhecimentos científicos com o objetivo de ser acessível a um público não especializado.

O IPCC “não cumpre sua missão, quando seus relatórios para os atores políticos são ilegíveis”, avalia Suraje Dessai, da Universidade de Leeds.

Os cinco autores do estudo (de França, Itália, Alemanha e Reino Unido) analisaram a linguagem utilizada nos resumos do IPCC de 1990 a 2014, com o auxílio de um algorítimo determinando a inteligibilidade de um texto segundo o tamanho das frases e a complexidade das palavras utilizadas.

Paralelamente, eles estudaram o tratamento do assunto em diferentes mídias.

‘Pouca clareza’

A “pouca clareza” dos resumos do IPCC “foi relativamente constatada a despeito dos esforços do grupo para consolidar e adaptar sua política de comunicação”, constatam os autores.

A clareza do resumo do primeiro relatório foi “consideravelmente superior” à dos últimos, contudo. Uma evolução que reflete talvez a “complexidade crescente” dos conhecimentos científicos. Ou o postulado de que o leitor de hoje “tem um nível de conhecimento mais elevado”.

Segundo a pesquisa, há “uma forte correlação entre o clima político e a clareza dos resumos destinados aos atores políticos. Quando as tensões e os desacordos políticos são importantes (…), a clareza diminui”, ressaltam.

Ao contrário, na mídia, a cobertura feita pelos jornais “científicos e de qualidade tornou-se cada vez mais clara e emocional”, notaram os pesquisadores.

O tom adotado pelas publicações científicas, jornais “de qualidade” e tabloides é “mais pessimista do que os resumos do IPCC”, apontam os autores do estudo.

Notícia da France Presse publicada hoje no G1.

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