Archive for the 'Aquecimento Global' Category

Chuvas em Mocoa, na Colômbia

Choveu cerca de 130 milímetros em uma noite em Mocoa, no departamento de Putumayo, no sudoeste da Colômbia. Muita chuva?

A seguir, textos revisados de posts [1] [2] nesse blog para ajudá-lo a responder essa pergunta.

Cherrapunjee, na Índia, é o lugar mais chuvoso do mundo. Lá chove em média 11.777 milímetros por ano. Esse local coleciona dois recordes mundiais no Guiness. Choveu por lá 22.887 milímetros entre agosto de 1860 e julho de 1861, praticamente o dobro da média. E em julho de 1861, observou-se por lá a maior precipitação mensal, 9.300 milímetros, quase 80% da média anual em um único mês, ou o equivalente a 310 milímetros em média por dia.

Entre 15 e 16 de março de 1952, em Cilaos, no centro da Ilha de La Réunion, choveu 1.869,9 milímetros em 24 horas, o que equivale a quase 78 milímetros por hora, em média. Esse é o recorde mundial de máxima precipitação já observada em 24 horas, em terra. La Réunion é uma pequena ilha no Oceano Índico, a leste de Madagascar, na latitude 21° Sul. Em março de 2007, durante a passagem do ciclone Gamede, La Réunion anotou também o recorde de maior precipitação em 72 horas, 3.929 milímetros, próximo à cratera Commerson.

A precipitação pluvial média anual no Estado de São Paulo é de cerca de 1.490 milímetros. A mínima foi de 1.078 milímetros, mas a máxima foi de 4.378 milímetros.

A precipitação pluvial média anual na Cidade de São Paulo, no período de 1940 a 1999, foi de 1.591 milímetros. A década de 1940 foi a mais chuvosa na Cidade e no mês de janeiro em 1947, choveu na Cidade de São Paulo 481,4 milímetros. Mas em janeiro de 2011, foram 491,5 milímetros. A maior concentração de chuvas em um único dia, em janeiro de 2011, chegou a 88,6 milímetros. Foi o maior volume de chuvas em um período de 24 horas desde fevereiro do ano anterior (90,4 milímetros). O recorde mínimo mensal é zero milímetro, ou seja, nenhuma chuva durante um mês inteiro, observado em alguns meses, de forma aleatória.

O que se verifica, portanto, é que há uma enorme variabilidade natural.

Quando o pessoal da previsão do tempo nos telejornais insiste em dizer que ‘choveu o equivalente a tantos dias’, apenas confunde ainda mais os telespectadores. No caso das chuvas, o que importa é a variabilidade natural, o que de fato já ocorreu e que eventualmente pode ou deve ocorrer novamente.

Quando eu estudava na Faculdade de Ciências Agronômicas, há mais de 30 anos, aprendi no curso de Construções Rurais que se deve considerar, por via das dúvidas e por segurança, uma lâmina de 100 milímetros por hora nos cálculos de telhados, calhas e drenagens. Creio que isso não deve ter mudado muito, desde então…

Se considerarmos, por exemplo, os 491,5 milímetros de janeiro de 2011, na Cidade de São Paulo, e dividirmos pelos 31 dias do mês, teremos cerca de 16 milímetros por dia. Mas choveu 88,6 milímetros em um único dia. E se tomarmos como base a média anual de 1.591 milímetros da Cidade, teremos apenas pouco mais de 4 milímetros por dia. E o que isso significa?!

Não é raro chover cerca de 100 milímetros em um único dia. Mas, para cálculos de drenagem, para evitarmos enchentes, devemos considerar os 100 milímetros por hora…

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Novo Plano de Energia dos EUA

A energia é uma parte essencial da vida americana e um elemento básico da economia mundial. A administração Trump está comprometida com políticas energéticas que reduzem os custos para os trabalhadores americanos e maximizam o uso de recursos americanos, libertando-nos da dependência do petróleo estrangeiro.

Durante muito tempo, fomos impedidos por regulamentos onerosos em nossa indústria de energia. O presidente Trump está empenhado em eliminar políticas prejudiciais e desnecessárias, como o Plano de Ação para o Clima e as regras das Águas dos EUA. Levantar essas restrições ajudará muito os trabalhadores americanos, aumentando os salários em mais de US$ 30 bilhões nos próximos 7 anos.

Uma política de energia sólida começa com o reconhecimento de que temos vastas reservas energéticas domésticas inexploradas aqui mesmo na América. A administração Trump vai abraçar a revolução do petróleo e gás de folhelho para trazer empregos e prosperidade para milhões de americanos. Devemos aproveitar os estimados US$ 50 trilhões em reservas de folhelho, petróleo e gás natural inexploradas, especialmente aquelas em terras federais que o povo americano possui. Vamos usar as receitas da produção de energia para reconstruir nossas estradas, escolas, pontes e infra-estrutura pública. Menos energia cara será um grande impulso para a agricultura americana, também.

A administração Trump também está comprometida com a tecnologia limpa do carvão e com a revitalização da indústria do carvão da América, que tem sofrido por muito tempo.

Além de ser bom para a nossa economia, o aumento da produção de energia doméstica está no interesse da segurança nacional dos EUA. O presidente Trump está empenhado em alcançar a independência energética do cartel da OPEP e de quaisquer nações hostis aos nossos interesses. Ao mesmo tempo, vamos trabalhar com os nossos aliados do Golfo para desenvolver uma relação de energia positiva como parte de nossa estratégia anti-terrorismo.

Por fim, a nossa necessidade de energia deve ir de mãos dadas com uma gestão responsável do meio ambiente. Proteger o ar limpo e a água limpa, conservar os nossos habitats naturais e preservar as nossas reservas naturais e recursos continuarão a ser uma prioridade. O presidente Trump irá reorientar a Agência de Proteção Ambiental [EPA] sobre a sua missão essencial de proteger o nosso ar e água.

Um futuro mais brilhante depende de políticas energéticas que estimulem a nossa economia, assegurem a nossa segurança e protejam a nossa saúde. Sob as políticas energéticas da administração Trump, esse futuro pode se tornar uma realidade.

O texto acima é uma tradução livre do site oficial da Casa Branca sobre o assunto.

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O CO₂ não é um poluente!

Nos últimos dias, notícias alarmantes sobre uma onda de poluição atmosférica que assola a China me fizeram lembrar do Grande Nevoeiro de 1952 em Londres. Eu não estava em Londres à época. Na verdade, eu nem tinha nascido…

Certamente alguém vai escrever que “nunca antes na história” vimos tal coisa, ao referir-se ao fenômeno recente. Aos que gostam de séries, recomendo especialmente o quarto episódio de “The Crown” no Netflix.

O que uma coisa tem a ver com outra? Bem, falando sobre a poluição atmosférica, tudo! Londres em 1952 literalmente “mandava brasa” nas centrais termelétricas a carvão, o mesmo que a China vinha fazendo, faz e ainda deve fazer por um bom tempo.

Afinal, o carvão segue sendo o combustível mais abundante e barato disponível.

O problema não é o uso de um combustível fóssil como o carvão, mas a negligência de não se instalar os filtros capazes para reter o material particulado produzido nas caldeiras das termelétricas. A tecnologia para isso está disponível, e a custos bastante razoáveis. Os alemães que o digam, pois são os que mais queimam carvão na Europa para gerar eletricidade.

O que se vê na China – que faz com que os chineses praticamente não vejam nada – é o material particulado em suspensão, lançado à atmosfera pelas chaminés das termelétricas, algo que muito provavelmente não se verá na Alemanha.

O CO₂ (dióxido de carbono), principal produto da combustão do carvão e dos combustíveis em geral, é um gás incolor, inodoro, insípido e inofensivo, não é um poluente! O Sol, a água e o CO₂ são essenciais para a fotossíntese e para a vida – tal e como a conhecemos – no planeta Terra. O CO₂ é o gás da vida na Terra.

Não se deixe enganar! Poluentes são o SO₂ (dióxido de enxofre), os óxidos de nitrogênio, o monóxido de carbono, a fuligem e principalmente o material particulado em suspensão, subprodutos de uma combustão não otimizada. Se somarmos a isso a falta de filtros, o que sai pela chaminé da caldeira de uma termelétrica e se vê, sente-se o cheiro e o gosto pode ser bastante prejudicial à saúde e ao meio ambiente, como se viu em Londres em 1952 e se vê agora, na China…

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Neve no Saara, após 37 anos

Para se contrapor à ladainha dos que insistem em divulgar que 2016 pode ser o ano mais quente dos tempos modernos, nevou no deserto do Saara na tarde dessa segunda-feira (19/12), segundo o “Daily Mail”. O fotógrafo amador Karim Bouchetata registrou o fenômeno na região de Ain Sefra, na Argélia, situada a mil metros acima do nível do mar. A neve caiu por cerca de meia hora. Em fevereiro de 1979, observou-se fenômeno similar na mesma região. Karim postou um vídeo no Facebook, assista:

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COP 22 adia discussão sobre detalhes do Acordo de Paris

A conferência que chega ao último dia em Marrakech, no Marrocos, deveria anunciar avanços na regulamentação do Acordo de Paris, que busca limitar o aquecimento global a 2 ºC até o final do século.

O processo de assinatura e ratificação foi tão rápido que a maior parte dos países não teve tempo hábil para pensar nos detalhes da regulamentação, que envolve a redução de emissão de gases do efeito estufa nos próximos 30 anos e transferência de tecnologia e recursos para ajudar os países a se adaptarem a uma economia de baixo carbono.

Será publicado um documento simples das próximas etapas do processo. A conclusão do livro de regras de implantação do Acordo de Paris será discutida nos próximos dois anos e só deve ser concluída em 2018.

Temas como a inclusão da agricultura em projetos ligados a mudanças climáticas sequer foram tratados, e postergados para a reunião do ano que vem, que acontece em Bonn, na Alemanha.

Adriana Moisés, da Rádio França Internacional, para a CBN

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“O mercado de carbono precisa ser detido”, afirma pesquisadora

Camila Moreno fala em “epistemicídio ecológico” como prática que deve se ampliar na COP-22

RIO – Em meio a discussões na 22ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-22), no Marrocos, que podem começar a forjar um mercado de carbono global, a pesquisadora Camila Moreno estará presente no evento com uma posição que pode ser resumida pelo título de um livro recém-lançado, do qual é coautora, “A Métrica do Carbono: Abstrações Globais e Epistemicídio Ecológico”, lançado pela Fundação Heinrich Böll Brasil. Formada em filosofia e direito, e em vias de concluir um doutorado em sociologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Camila faz parte de um grupo de pesquisadores e ativistas em todo o mundo que há mais de uma década questiona os preceitos da “Economia Verde”, incluída nela o mercado de carbono. Por e-mail, Camila conversou sobre o tema com O GLOBO.

Quais exemplos podem representar práticas “predatórias” no mercado de carbono? Há mais de uma década de crítica acumulada sobre o mercado de carbono como falsa solução para o clima. É importante frisar que o maior mercado oficial que temos no mundo, o esquema europeu de comércio de emissões (EU ETS) praticamente colapsou em termos de sua viabilidade econômica e foi uma decisão política mantê-lo funcionando. Há uma aposta – que é ideológica – de que um mercado mundial de carbono vai vingar em médio prazo e nisso apostam atores econômicos importantes. É no fundo uma aposta no capital financeiro, que já domina a economia mundial. Trata-se de “financializar” a atmosfera. Com a crise de 2008, deveríamos ter aprendido que este não é o caminho.

Qual é o caminho? Acho que o debate de fundo é que há uma racionalidade predatória: o reducionismo embutido na métrica do carbono, que é incapaz de enfrentar a crise ecológica, que é complexa e multifacetada e que é atravessada por questões qualitativas e políticas. Não é apenas “fechar a conta do carbono”. É decidir por outro modelo de sociedade, de produção e de consumo. Ao transformar tudo em carbono, estamos impondo uma forma de ver e de conhecer o mundo, que para se impor, tem que destruir formas concorrentes. Sob a alegação da ciência, o que está ocorrendo é um epistemicídio: a morte de todo conhecimento que não se reduz à contabilidade do carbono, como a dos povos indígenas, que envolve uma compreensão da natureza e da biodiversidade como uma grande complexidade.

Que práticas da chamada “Economia Verde” passam por cima de um modelo socioambiental diferente? Há vários problemas ambientais que se legitimam como soluções: a começar pela promoção da energia nuclear como “carbono neutra”, a expansão de monoculturas tanto do eucalipto, como da palma azeiteira (dendê), e até soja e de outros transgênicos — pois o plantio direto e sementes com esta tecnologia são vendidos agora como “agricultura climaticamente inteligente”, ou “de baixo carbono”. E o “alto agrotóxico”? No Brasil se chegou ao cúmulo de dizer que a cana de açúcar, outra monocultura com seus vários impactos ambientais e sociais, teria “emissões negativas”, já que ao crescer sequestra carbono e, transformada em etanol combustível, permite que eu “evite” (e logo, reduza) emissões que seriam dos combustíveis fósseis! Seriamente, é muito grave naturalizar este tipo de raciocínio pervertido.

Um mercado de carbono pode intensificar desigualdades entre países? Na prática, há uma transferência de responsabilidade, um “trocar seis por meia dúzia”. Um projeto em um país em desenvolvimento vai ser contabilizado para neutralizar uma emissão de gás carbônico nos países do Norte. É uma lógica perversa do quem pode pagar, pode também poluir. Nos países do Sul, os projetos que vão gerar “créditos de carbono”, via de regra, ou vão precisar de terra e água (como o eucalipto), que os países do Norte não tem, ou vão ser cavalos de Tróia para vender tecnologia e propriedade intelectual destes mesmos países. E o pior é que para isso, os países do Sul vão acabar é aumentando suas dívidas externas, tomando dinheiro emprestado para o “financiamento climático” do Banco Mundial e outros fundos, por exemplo, além das parcerias público privadas (PPPs).

Por outro lado, você acha que se o mercado de carbono se direcionar a apenas alguns segmentos, como os das energias fósseis, isto poderia ser uma solução para frear práticas que podem ser destrutivas a comunidades e ecossistemas? Vou ser muito franca. Precisamos ir saindo da civilização petroleira, isso requer discutir desde os dogmas do crescimento econômico até as alternativas ao papel que o plástico, feito também de petróleo, tem em todos os âmbitos da nossa vida material. Não é o mercado de carbono que vai resolver isso. Precisamos povoar nossos imaginários sobre o futuros com outras formas de viver, isso significa questionar e repensar praticamente tudo. Não tem como delegar isso para os mesmos atores de sempre, que oferecem o mesmo produto embrulhado em embalagem verde.

O mercado de carbono é, então, definitivamente um projeto falido? O mercado de carbono é algo muito grave que está sendo construído e precisa ser detido. Não é uma questão menor. Sob o manto de um discurso que se limita aos projetos, ao custo-benefício das emissões, oculta-se uma transformação profunda, uma encruzilhada civilizatória que pode não ficar muito clara. Em algum momento da história a terra foi transformada em propriedade privada. Este processo foi longo e violento, e hoje ninguém mais questiona isso, parece ser natural. Embora todos os seres humanos nasçam no planeta Terra, só alguns são donos da terra. Todos os outros são sem-terra, sem-teto, apesar da questão da moradia ser um direito humano básico. Mais recentemente, aceitamos que a água, essencial para qualquer forma de vida, fosse transformada em mercadoria. Vamos deixar que o ar também se transforme em mercadoria?

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Não haverá mais La Niña?!

Segundo os dados do Climate Prediction Center (CPC), atualmente o Pacífico está neutro. A previsão de consenso dos pesquisadores do CPC e do International Research Institute for Climate and Society (IRI) é que a chance de um La Niña se estabelecer a partir de agosto-outubro de 2016 é pequena. A previsão de consenso IRI/CPC é que haja 55% de probabilidade que o Pacífico volte à neutralidade (Fig.1). Essa “previsão de consenso” é feita por modelos numéricos que sabidamente não representam adequadamente os processos físicos que controlam o clima global e, portanto, suas previsões são altamente limitadas, tendo enormes chances de serem erradas.

Fig. 1

Figura 1. Previsão de El Niño-Oscilação Sul (ENSO, em Inglês) para a Região 3.4 do Pacífico até abril-junho de 2017. Barras: azul (La Niña), vermelha (El Niño) e verde (Neutro). Observe que a barra verde fica acima dos 55% (eixo vertical à esquerda) a partir de setembro-novembro de 2016.

Fig. 2

Figura 2. “Pluma” das previsões do ENSO Região 3.4. São 17 modelos dinâmicos e 8 modelos estatísticos. O início é julho 2016 (OBS). Note que cada modelo dá resultados diferentes. O do SCRIPPS (linha azul claro com quadrados) prevê um La Niña semelhante ao de 1998-1999. Veja, na Fig.2, o gráfico das previsões mais recentes. Observe que, a partir da data em que as previsões foram feitas (ponto preto = OBS), cada modelo (listados na lateral direita) resulta em previsão diferente, formando o que é chamado de “espaguete”. Por exemplo, o modelo do SCRIPPS (linha azul claro com quadrados) prevê um La Niña semelhante ao de 1998-1999 mostrado na Fig.3 que usa os dados de anomalias de temperatura da Região Niño 3.4 do próprio CPC.

Fig. 3

Figura 3. Comparação anomalias de temperatura (ATSM) dos El Niños de 1997-98 com as do 2015-16 para a Região 3.4. O eixo horizontal é o número de semanas desde janeiro de cada período e, o vertical, as ATSM. Observe que as ATSM de 2015-16 praticamente se superpõem às de 1997-98.

Após junho de 1998, as ATSM persistiram negativas até janeiro de 2002 e o autor continua apostando que o La Niña vai ser semelhante ao de 1998-2001 e que pode persistir até 2019. Nos meses de setembro-outubro, as águas do Pacífico tendem a se aquecer e ter anomalias negativas menores porque o Sol está em cima dessa região. Porém, as águas sub-superficiais estão frias até cerca de 200 metros de profundidade em praticamente todo o Pacífico e a convecção (formação de nuvens e chuva) está começando a se estabelecer na Indonésia no período de outubro-novembro. Essa última situação deve provocar o abaixamento da pressão atmosférica na região da Indonésia durante esse período e acelerar os Ventos de Leste que, por sua vez, vão aumentar a ressurgência de águas frias no Pacífico Leste e Central, mantendo o La Niña após abril-maio de 2017.

Portanto, é necessário ter precaução com as afirmações que aparecem na mídia que “não haverá mais La Niña”, como foi veiculado pelo Canal Rural no dia 09/09/2016. Em adição, a afirmação que aparece nessa notícia que “[a] atmosfera não se prende a rótulos. Seja fenômeno La Niña fraco, com desvio de -0,5°C, ou neutralidade com viés negativo de -0,4°C, -0,3°C, o padrão atmosférico seguirá o mesmo definido há alguns meses”, não encontra respaldo nos dados históricos de anomalias de climáticas. O conhecimento atual sugere que exista um atraso (“lag”) de 3 a 6 meses nas respostas dos outros oceanos ao processo El Niño/La Niña, dependendo de sua localização. A atmosfera é aquecida por baixo, ar em contato com a superfície, que é dominada essencialmente por oceanos (71%) na Terra. Se as TSM mudam em resposta ao processo El Niño/La Niña, o padrão atmosférico e o clima são forçados, pelos oceanos, a mudar. O Oceano Atlântico é a grande fonte de umidade para as chuvas do Brasil e os dados de agosto mostram que ele ainda está com anomalias de TSM positivas, o que sugere que o ano hidrológico 2016-2017, particularmente em seu início, será mais chuvoso que anos anteriores, embora os totais possam, ainda, ficar 10% a 20% abaixo da média dos últimos 70 anos em algumas áreas do país. Alerta-se o leitor para tomar cuidados com as notícias baseadas em resultados de modelos de previsão, pois, sejam eles dinâmicos ou estatísticos, geralmente erram!

Luiz Carlos Baldicero Molion é PhD em Meteorologia e pesquisador aposentado do INPE/MCTI, e professor aposentado da UFAL/MEC.

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