Archive for the 'Aquecimento Global' Category

A África tornou-se mais verde nos últimos 20 anos

Apesar das mudanças climáticas e de uma população crescente, a África tornou-se mais verde nos últimos 20 anos, mostra um novo estudo.

Na África, uma luta está acontecendo. De um lado, as forças da natureza tornam o continente mais verde e, por outro lado, as pessoas estão removendo árvores e arbustos do continente.

Em regiões densamente povoadas, as pessoas estão cortando árvores e florestas, mas em outros lugares, onde as populações humanas estão mais espalhadas, os arbustos e a vegetação densa estão prosperando.

Agora, os cientistas quantificaram pela primeira vez como a vegetação em todo o continente mudou nos últimos 20 anos.

Trinta e seis por cento do continente tornou-se mais verde, enquanto onze por cento está ficando menos verde.

Os resultados mostram que nem tudo está perdido na natureza da África, dizem os cientistas que estão por trás da nova pesquisa.

“Nossos resultados são positivos e negativos. É claro que não é bom que os humanos tivessem uma influência negativa na distribuição de árvores e arbustos em 11 por cento da África nos últimos 20 anos, mas não é uma surpresa completa”, diz o co-autor Martin Brandt de Departamento de Geociências e Gestão de Recursos Naturais da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

“Por outro lado, não é tudo negativo, pois uma área – três vezes maior do que a área onde as árvores e os arbustos estão desaparecendo – está se tornando mais verde, o que é positivo, pelo menos do ponto de vista do clima”, diz ele.

O novo estudo foi publicado na revista científica Nature Ecology and Evolution.

Desafio à visão geral da África
O estudo desafia a visão de que a África está sofrendo uma perda sustentada de árvores e arbustos, diz o professor Henrik Balslev, do Departamento de Biociências da Universidade de Aarhus, na Dinamarca. Balslev não estava envolvido no estudo.

O novo estudo oferece uma imagem matizada de como o crescimento populacional na África influencia a vegetação de diferentes maneiras.

“O estudo dá uma imagem muito mais matizada da influência das pessoas sobre a vegetação na África, ao sul do Sahara, do que antes. O estudo terá impactos significativos em como avaliamos a influência das pessoas sobre a natureza africana no futuro, à medida que a população esperada cresce dramaticamente”, diz ele.

A Namibia e a África do Sul estão ficando mais verdes
No novo estudo, cientistas usaram dados de satélites para analisar como as mudanças climáticas e as pessoas afetaram a distribuição das árvores e arbustos na África nos últimos 20 anos.

O desmatamento abre caminho para a agricultura, as cidades e as infra-estruturas, e as árvores derrubadas fornecem combustível como lenha. Ao mesmo tempo, mais CO₂ na atmosfera, juntamente com um planeta mais úmido e mais quente, proporciona condições que ajudam as árvores e arbustos a crescer.

Assim, os cientistas esperavam ver que as áreas densamente povoadas ficaram menos verdes, enquanto as áreas escassamente povoadas deveriam ficar cada vez mais verdes, e é exatamente o que eles observaram.

As áreas úmidas e densamente povoadas da África Ocidental perderam árvores em geral nos últimos 20 anos, enquanto mais arbustos e árvores apareceram nas áreas mais secas e escassamente povoadas da Namíbia e da África do Sul.

Enquanto isso, as árvores desapareceram das grandes cidades do continente.

“Encontramos uma conexão clara entre o tamanho da população em uma determinada área e a quantidade de vegetação perdida”, diz Brandt.

“Ao mesmo tempo, o estudo desafia a visão geral da África de que houve uma perda geral de árvores e arbustos. A imagem é muito mais matizada e regionalmente variável, e o problema com a perda de árvores e arbustos nas áreas úmidas é pelo menos parcialmente compensado por um crescimento da vegetação em outros lugares “, diz ele.

O texto acima é uma tradução livre do artigo publicado por Kristian Sjøgren e Catherine Jex em ScienceNordic. Para ver o original, clique aqui

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A regeneração da Amazônia

Imagine toda a área desmatada na Amazônia ao longo da história, totalizando mais de 73 milhões de hectares. O que existe por lá hoje? As respostas se repetem: amplos pastos com algumas cabeças de gado, áreas agrícolas, projetos de mineração, centros urbanos. Estimativas feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a partir de imagens de satélite, mostram que, em 2014, 48 milhões de hectares foram destinados a pastagens e 4,5 milhões de hectares a terras agrícolas. Mineração, centros urbanos e áreas de uso misto somavam menos de 4 milhões de hectares.

Portanto, as respostas típicas não estão erradas. Mas não são respostas completas. Afinal, a conta não fecha. Quando fecha, chega a causar espanto: o Inpe mostra que quase um quarto da área oficialmente registrada como desmatada na Amazônia Legal até 2014 continha cobertura vegetal. Não é pouca coisa: são 17 milhões de hectares de vegetação secundária, termo que define a vegetação que cresce em áreas desmatadas.

A magnitude dessa regeneração, notável por si só, impressiona ainda mais quando colocada dentro de contexto. O Inpe estima que houve um aumento na vegetação secundária de mais de 7 milhões de hectares em apenas uma década. O mais surpreendente disso tudo é que a regeneração ocorreu de forma praticamente invisível aos muitos olhos voltados à Amazônia brasileira.

Por um lado, a política pública não a enxergava. Em 2004, o Brasil inaugurou o Plano de Ação para Proteção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm), um inovador pacote de ações estratégicas que passou a englobar todos os subsequentes esforços de combate ao desmatamento. Tais esforços focaram no que se apresentava como mais urgente à época: estancar a sangria na Amazônia. E o que então sangrava eram as florestas primárias, cortadas a velocidades alarmantes: mais de 2,5 milhões de hectares por ano.

As políticas do PPCDAm tiveram um papel fundamental na redução das taxas de desmatamento a partir da segunda metade dos anos 2000, em grande parte devido a esforços de monitoramento e aplicação da lei. Estudos mostram que, sem elas, a perda da floresta amazônica teria sido muito maior. No entanto, não houve espaço para considerar a regeneração florestal nesse primeiro momento do programa. Assim, o aumento observado na vegetação secundária ocorreu sem que houvesse políticas públicas dedicadas à sua promoção.

Por outro lado, a regeneração é invisível também aos sistemas de monitoramento por satélite – os mesmos que ajudaram a proteger a floresta. Na segunda metade dos anos 2000, o Brasil contava com dois sistemas complementares. Mais antigo, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) é mantido pelo Inpe desde a década de 1980 para, anualmente, localizar e quantificar a derrubada de árvores. É a peça-chave para o cálculo da taxa de desmatamento da Amazônia.

O Inpe estima um aumento na vegetação secundária de mais de 7 milhões de hectares em apenas uma década

Já o sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), também produto do Inpe e uma das grandes inovações do PPCDAm, atende a outro propósito: emitir alertas quase em tempo real, apontando o local de atividades recentes de desmatamento e degradação, para apoiar a fiscalização e a aplicação da lei.

Os dois sistemas, que são referência mundial de monitoramento remoto de desmatamento, foram desenhados para considerar apenas a perda de vegetação primária, nunca antes suprimida. Em resumo, funcionam assim: em um determinado ano, o Prodes mapeia todas as áreas que foram desmatadas desde o ano anterior e calcula a taxa de desmatamento anual. Uma vez desmatada, a área não é revisitada em anos subsequentes, passando a ser parte do acumulado histórico do desmatamento.

O Deter, por sua vez, regularmente busca sinais de perda ou degradação florestal em toda a Amazônia, mas só olha para o que está fora do acumulado do Prodes. Com isso, os sistemas só emitem alertas e registram desmatamento referentes a perda de vegetação primária. Não é uma falha dos sistemas, mas uma característica consistente com o momento histórico em que foram desenvolvidos. Nesse cenário, contudo, a regeneração da floresta passou praticamente despercebida.

Do que é composta a regeneração? Quais fatores contribuíram para seu crescimento? Houve perda de áreas regeneradas que sequer foram registradas? Afinal, o que sabemos atualmente sobre a extensa cobertura vegetal em áreas desmatadas? Quase nada.

Entretanto, as respostas a essas e a outras tantas perguntas em aberto podem ajudar o Brasil a enfrentar dois enormes desafios que contemplam a expansão de vegetação secundária em larga escala no país inteiro. Primeiro, a efetiva implementação do novo Código Florestal, que implica restauração e reflorestamento em propriedades privadas dentro e fora da Amazônia. Segundo, o cumprimento das metas climáticas assumidas em âmbito internacional. Nelas, o país se compromete a restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de vegetação até 2030.

Somam-se a eles os já conhecidos desafios de manter o combate ao desmatamento na Amazônia, que tem dado sinais de aumento, expandir o alcance de efetiva proteção de vegetação nativa a outros biomas e melhorar a eficiência do uso da terra no país. Para enfrenta- los, ações e políticas que visam conciliar conservação ambiental e produção agropecuária precisam ser regularmente avaliadas e aprimoradas. Diante disso, se queremos potencializar o retorno da floresta e ampliar a capacidade do Brasil de conservar sua vegetação nativa, seja ela primária ou secundária, precisamos começar a entender a vegetação secundária já existente. Poderemos, assim, incorporar o que aprendermos com ela às políticas públicas.

Chegou a hora de todos – acadêmicos, formuladores de política, ativistas, proprietários rurais, formadores de opinião, membros da sociedade civil – nos debruçarmos sobre a regeneração da Amazônia. O tema é mais do que interessante. É relevante e urgente.

Clarissa Gandour, analista sênior do Climate Policy Initiative/ Núcleo de Avaliação de Políticas Climáticas da PUC-Rio. Artigo publicado no Valor Econômico em 24/07/2017

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Um risco no mapa do mundo?

A superfície de gelo sobre o mar em torno da Antártida costuma variar de mais de 15 milhões de quilômetros quadrados no pico do inverno a menos de 2 milhões de quilômetros quadrados na baixa do verão austral, ano após ano, de acordo com dados de satélites, desde 1979. A variação anual, portanto, é de mais 13 milhões de quilômetros quadrados, pouco mais de 1,5 vez a superfície de todo o território brasileiro, que é de 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Os 5.800 quilômetros quadrados desse “iceberguezinho” que se soltou na semana passada equivalem a ínfimo 0,045% da variação anual, um “risquinho” praticamente imperceptível, venhamos e convenhamos. Catastrofismo barato, da pior espécie.

Convém lembrar que o gelo flutuante, quando se derrete, não acrescenta mais água ao volume original. Façam a experiência: em um copo com bastante gelo, coloquem água até ele quase transbordar (todo o gelo deve flutuar). Quando o gelo derreter, observem que a água no copo não transborda.

Texto original enviado ao diretor de redação da revista Veja sobre a matéria “Um risco no mapa do mundo” publicada na edição 2539. [Publicado parcialmente na edição 2540].

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The Sensible Environmentalist: CO₂

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A ciência dos profetas da chuva

Ele tem 78 anos e a pele tostada de sol. No registro do cartório, deram-lhe o nome de Francisco Quintino dos Santos. Desde criança, por causa da labuta cotidiana com o gado, todos do lugar o conhecem mesmo como Chico Leiteiro. Muitos dali preferem, contudo, com sincera deferência, tratá-lo pela qualificação de “profeta”.

O termo, nesse caso, contrasta com o semblante sereno daquele homem pequenino, de sorriso fácil e candura agreste. Nada nele lembra a imagem estereotipada dos místicos sertanejos e dos antigos videntes das Escrituras, a barba desgrenhada, as longas madeixas sobre os ombros, os olhos esbugalhados voltados para o inefável, a túnica amarrada à cintura por uma corda.

Chico Leiteiro veste-se como qualquer sertanejo de Quixadá, cidade do interior cearense, a 167 quilômetros de Fortaleza: chapéu de palha à cabeça, chinelo de couro nos pés, camiseta branca de algodão, calças de tecido barato. “Desde que eu tinha dez anos de idade, o pessoal já me chamava de profeta”, diz. “Ainda era menino quando aprendi, com meu pai, a ler no grande livro da natureza”.

Ele não está sozinho. Pelo sertão adentro, existem dezenas de outros desses oráculos caboclos, anciãos que a cada começo de ano são inquiridos pela vizinhança a respeito do prenúncio e da magnitude do próximo “inverno” (palavra pela qual os cearenses se referem à quadra anual chuvosa, situada entre os meses de fevereiro e maio). Em uma terra onde a quantidade de água que cai do céu ainda é decisiva para se estabelecer o limiar entre a fartura e a miséria, o sustento e a fome, a vida e a morte, os chamados “profetas da chuva” são respeitados como imparciais mensageiros, seja do júbilo, seja da penúria.

Na verdade, eles não são magos, adivinhos, estafetas do Além. São homens profundamente sensíveis, muitos deles analfabetos, mas capazes de ler e interpretar os sinais deixados pelo comportamento de plantas e bichos. Se formigas migram ribanceira acima, mudando o formigueiro para longe das margens de rios e açudes, vaticina-se boa chuva. Contudo, se aranhas armam as teias ao rés do chão, pressagiam-se sortilégios. Mandacarus e umburanas carregadas de flor, revoadas de borboletas do norte para o sul, cupins criando asas, sapos coaxando em noites de quentura: sinais infalíveis de abundância.

O repertório dos profetas da chuva e de toda essa surpreendente meteorologia popular faz parte de uma tradição de milênios, construída na observação minuciosa das filigranas do mundo natural, no exame da conduta dos ventos, na observação do voo dos insetos e das aves migratórias, na análise da floração sazonal de certas espécies vegetais. São saberes repassados de geração a geração, nos trânsitos e intercursos orais de uma cultura que, ao contrário da razão ocidental, não promoveu a clivagem entre homem e natureza.

Numa época em que os meteorólogos dispõem de imagens de satélite e estimativas traçadas por modelos matemáticos, há quem desdenhe a palavra dos profetas nordestinos da chuva como fenômeno pitoresco, mero folclore, arcaísmo de um povo supersticioso, alheio às luzes civilizatórias da moderna ciência. Nada mais errôneo. Novas disciplinas científicas, como a biometeorologia e a microclimatologia, buscam entender alterações fisiológicas nas plantas decorrentes de variações infinitesimais na umidade no ar. Pesquisadores investigam também como insetos e anfíbios podem se mostrar animais sensíveis à mínima oscilação nos padrões atmosféricos.

“Basta saber ver”, nos ensina, com sua ciência cabocla, Chico Leiteiro. Quem dera, uma racionalidade mais ampla, baseada na diversidade epistemológica do mundo, talvez nos devolvesse também a capacidade de decifrar e traduzir o livro aberto da natureza. Mas, ao contrário disso, a separação entre cultura e natureza nos conduziu a um estágio alarmante no qual a ciência, compreendida como um processo acumulativo e predatório, ameaça agora a própria sobrevivência do planeta.

PS: Os profetas da chuva se reúnem anualmente, em Quixadá. No encontro de 2017, Chico Leiteiro previu para o sertão cearense chuvas bem superiores às dos últimos cinco anos (todos de seca), mas ainda inferiores à média histórica. A Fundação Cearense de Meteorologia divulgará os índices oficiais da quadra chuvosa na próxima semana. Os dados objetivos e os números prévios parecem indicar que Chico, mais uma vez, acertou no prognóstico.

Texto da coluna de Lira Neto para a Folha de S.Paulo em 11/06/2017

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Um caminho a seguir após o Acordo de Paris

Assim como o finado Protocolo de Quioto, o Acordo Climático de Paris, que foi drasticamente superestimado, foi vítima de uma realidade política e econômica.

Agora que o presidente Donald Trump tirou oficialmente os Estados Unidos do Acordo, é hora de declarar toda a abordagem Quioto-Paris em relação ao aquecimento global morta e enterrada. Em vez de vilipendiar o cadáver do Acordo, esta é uma oportunidade para tentar uma abordagem nova, melhor e mais eficiente para o aquecimento global.

As chances de algo tão construtivo parecem escassas. A retórica é superaquecida até o ponto de absurdo. Os ativistas ambientais criticam o Sr. Trump por condenar todo o planeta a um Armagedon ardente, mas afirmam que o Acordo poderia sobreviver sem os Estados Unidos. Não poderia, e não deveria.

A hipérbole e a indignação não podem ocultar a verdade: mesmo com os Estados Unidos incluídos, o Acordo não faria muita diferença para o aquecimento global. Sua grande retórica nunca foi acompanhada pelas reais promessas de redução das emissões de carbono dentro de suas páginas. Muito se fez pela promessa fantástica do Acordo, de evitar que a temperatura global subisse menos de 1,5 °C. Mas isso teria sido impossível em todos os cenários realistas, além de causar uma recessão global devastadora.

O próprio Quadro da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas estima que, mesmo que cada país fizesse todas as reduções prometidas no acordo até o máximo, as emissões de CO₂ cairiam apenas 56 bilhões de toneladas até 2030. Para manter a elevação da temperatura abaixo de 2 °C – mesmo com a promessa menos ambiciosa do acordo de 1,5 °C – exigir-se-ia uma redução de cerca de 6 trilhões de toneladas de emissões de CO₂ ao longo do século.

Assim, mesmo que Hillary Clinton tivesse espancado o Sr. Trump e tivesse mantido os Estados Unidos no tratado, e mesmo que cada líder nacional do planeta (e seus sucessores) tivesse ficado firme em cada promessa do acordo, ano após ano, independentemente de recessão econômica ou crise política, o acordo de Paris teria deixado 99% do problema sem solução.

Antes que o Sr. Trump espoliasse o tratado, muitos ambientalistas reconheceram silenciosamente isso. Eles louvaram o acordo independentemente por causa do valor político dos líderes mundiais com foco nas mudanças climáticas e porque acreditavam que as promessas de redução das emissões de carbono muito mais elevadas viriam mais tarde.

Essa suposição torrencial voltou-se à história. Já em 1998, o Protocolo de Quioto foi vendido ao mundo como a solução para as mudanças climáticas. Toda análise honesta mostrou que seu impacto seria ínfimo. Afirmou-se que era apenas o começo. Semelhante a Paris, o tratado de redução das emissões de carbono desperdiçou energia e distraiu a atenção de qualquer solução efetiva para as mudanças climáticas.

A abordagem Quioto-Paris fracassa politicamente e economicamente. Mesmo que o acordo de Paris tivesse sobrevivido por agora, teria enfrentado um enorme obstáculo em três anos, quando os países ricos precisariam cuspir 100 bilhões de dólares por ano em “ajuda climática” ao mundo em desenvolvimento. Isso é 10 vezes mais do que os doadores conseguiram juntar nos últimos cinco anos.

E isso é apenas uma fração do preço a pagar. A tecnologia verde da energia solar e da eólica de hoje exige centenas de bilhões de dólares em subsídios anuais para conseguir reduções de temperatura ínfimas. Ao tentar fazer cortes significativos mudando o consumo de energia a partir de combustíveis fósseis baratos para uma energia verde mais dispendiosa, mesmo quando feito de forma mais eficaz, isso reduz o crescimento econômico.

Dizem-nos que a energia verde está se tornando mais barata. Mas raramente pode competir com a dos combustíveis fósseis, não está disponível quando não existe sol ou vento, e além do mais, requer um backup muito caro. É por isso que a pequena energia renovável, que é efetiva, acontecerá de qualquer maneira, enquanto a maior parte do resto requer grandes subsídios e consegue pouco. A Agência Internacional de Energia estima que o vento fornece 0,5 % das necessidades energéticas de hoje e a solar fotovoltaica, um minúsculo 0,1 %. Mesmo em 2040, se o Acordo de Paris tivesse continuado, depois de gastar US $ 3 trilhões em subsídios diretos, a AIE esperava que a energia eólica e a solar fotovoltaica fornecessem apenas 1,9 % e 1 % da energia global, respectivamente.

Isso está longe do que seria necessário para transformar nosso mecanismo de desenvolvimento. Para resolver o aquecimento global, precisamos investir muito mais para tornar a energia verde competitiva. Se a geração e o armazenamento de energia solar e eólica fossem mais baratos do que os combustíveis fósseis, não seria necessário forçar ou subsidiar ninguém a parar de queimar carvão e petróleo.

Pesquisas do Consenso de Copenhague mostram que um fundo pesquisa e desenvolvimento de energias verdes necessita apenas de 0,2% do PIB global e aumentaria dramaticamente a chance de uma revolução tecnológica. Isso seria significativamente mais barato e muito mais eficaz do que a abordagem Quioto-Paris. Os economistas calculam retornos para a sociedade em torno de 11 dólares por cada dólar investido.

Um esforço liderado pela tecnologia poderia avançar não apenas na solar e no vento, mas em todas as tecnologias de energia alternativas. Encorajar os líderes mundiais seria muito mais fácil do que armá-los fortemente e suborná-los para reduzir o crescimento – mas também é algo que um grupo menor de países poderia perseguir sozinho e colher benefícios. Um preço para o carbono poderia apoiar essa política, mas a política de mudanças climáticas deve logicamente ser liderada pela tecnologia.

A abordagem Quioto-Paris falhou. Agora é hora de finalmente parar de tentar tornar os combustíveis fósseis muito caros de usar e, em vez disso, investir na pesquisa necessária para tornar a energia verde muito barata para o mundo inteiro resistir.

O post acima é uma tradução livre de artigo de Bjørn Lomborg para o The Globe and Mail. Para ver o original, clique aqui.

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Fábulas de estufa

A decisão de Donald Trump pela saída dos Estados Unidos do Tratado de Paris tem sido usada pela grande imprensa para gerar uma nova onda de difamação do presidente americano. A abordagem de diversos jornalistas e colunistas tem sido no nível “novela mexicana”. John Sutter, escrevendo para a CNN, afirmou que essa decisão trará resultados apocalípticos para o planeta; Helio Gurovitz, escrevendo para o portal G1, disse que há consenso entre os cientistas de que as consequências serão catastróficas; Michael Shear, escrevendo para o New York Times, falou que a saída dos EUA desencadeará uma série de efeitos profundos sobre o planeta.

Mas, afinal, o aquecimento global é real como dizem esses jornalistas? Existe realmente um consenso na comunidade científica de que a ação do homem é capaz de modificar o clima do planeta? Muitos ficarão surpresos em saber que as respostas a essas perguntas são um simples e curto “não”.

A imprensa de esquerda vive afirmando que a maioria dos cientistas acredita no conceito de que as ações do homem podem causar mudanças climáticas na Terra. E não é uma maioria qualquer, dizem os jornalistas que divulgam essa mentira: falam em 97% da comunidade científica. Mas, de acordo com pesquisa realizada pela Agência Holandesa de Avaliação Ambiental (PBL), apenas 43% dos cientistas apoiam as alegações de mudanças climáticas causadas pelo homem. Ou seja, a minoria.

Por que a maioria da comunidade científica duvidaria de uma causa tão importante como essa? Os mesmos jornalistas de esquerda dirão que as grandes e malvadas corporações estão por trás disso, comprando todo mundo para garantir seu direito de destruir o mundo. A verdade é totalmente distinta: os dados simplesmente não dão suporte às teorias de aquecimento global causado pelo homem. Tudo o que se publicou de mais relevante para comprovar essas teorias foi feito de forma contrária à definição de boa ciência. Pesquisas sérias partem de uma hipótese e então coletam dados para comprová-la ou não. Os que alardeiam o apocalipse climático manipulam os dados reais o quanto for preciso para comprovar uma hipótese falida.

A Agência Aeroespacial Americana, mundialmente conhecida como Nasa, é um dos órgãos que mais contribuem para a coleta de dados climáticos no mundo. James Hansen, ex-climatologista da Nasa, é considerado o pai da teoria de mudanças climáticas causadas pelo homem, e o seu “Modelo Zero” introduziu o conceito de aquecimento global na comunidade científica. Em 2009 foram divulgados e-mails trocados entre Hansen e seus colegas de pesquisa, Phil Jones e Michael Mann, onde eles discutiam maneiras de diminuir as temperaturas passadas e “ajustar” as temperaturas recentes para dar a impressão de um aquecimento acelerado. Em 2011 vieram à tona mais e-mails dessa turma. Phil Jones, que trabalhava à época no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC), escreveu num e-mail: “Me disseram que o IPCC está acima das leis de divulgação de informações. Uma maneira de garantir você e todos os que estão trabalhando conosco é apagando todos os e-mails no fim do processo”. Em outra mensagem, ele diz: “Todo trabalho que fizemos no passado foi garantido por verbas de pesquisa que conseguimos – e tem de ser muito bem escondido”. Quando um “cientista” defende a ocultação de dados, coisa boa não pode ser.

Ainda sobre a Nasa, em 2015 o jornal The Washington Times noticiou que o pesquisador Paul Homewood descobriu um “ajuste” feito pela agência nas leituras de nove estações climáticas sob sua supervisão, de modo a transformar uma tendência de resfriamento em uma tendência de aquecimento. De acordo com ele, os dados de 1920 a 1950 foram ajustados para baixo para que os dados de 1980 a 2000 criassem uma impressão de aquecimento generalizado. A Nasa também divulgou que 2014 havia sido o ano mais quente já registrado, mas omitiu o fato de que essa alegação tinha apenas 38% de confiabilidade.

Não bastasse toda essa manipulação, pesquisas recentes mostram que a temperatura global tem se mantido estável desde 1997 e que a quantidade de gelo nas calotas polares tem aumentado. Na verdade, a quantidade de gelo na Antártida atingiu um recorde de 20 milhões de quilômetros quadrados em 19 de setembro de 2014, superando a medida anterior de 1979. Ou seja, as previsões apocalípticas de cidades inteiras desaparecendo por conta do aumento do nível dos oceanos são tão realistas quanto as estórias do Batman ou do Hulk.

Nós somos pequenos, muito pequenos. Se colocássemos todas as mais de 7 bilhões de pessoas do mundo em pé, uma do lado da outra, caberiam todas em um décimo da área de Sergipe, o menor estado do Brasil. Nosso planeta é 1,3 milhão de vezes menor que o Sol, e qualquer vento ou explosão solar é capaz de influenciar o nosso clima muito mais diretamente que os gases que jogamos na atmosfera. Os defensores da teoria das mudanças climáticas por ação humana querem atribuir ao homem muito mais poder e importância do que realmente temos. Esse erro tem sido cometido repetidamente desde que os primeiros iluministas decretaram que a razão humana poderia reformar a sociedade e criar um paraíso terrestre. Foi essa arrogância, e não as nossas fábricas e automóveis, que realmente estragou o mundo.

O texto acima (com algumas edições) é de Flavio Quintela e foi publicado ontem na Gazeta do Povo. Para ver o original, clique aqui

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