Quer que desenhe?

Outra imagem que vale mais que mil palavras…

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Adorei essa!

“Um hectare de soja consegue sequestrar de 10 a 15 ton/ha de CO₂ do ar. Um hectare de milho, de 15 a 20 ton/ha de CO₂. Um hectare de pastagem, de 2 a 3 ton/ha. Em um ano, no ciclo agrícola de soja + milho safrinha + pastagem, retira-se do ar cerca de 30 ton/ha de CO₂. Um hectare de floresta tropical não sequestra mais de 15 ton/ha de CO₂ por ano. A agricultura sequestra mais CO₂ que as florestas. Fonte: Embrapa Cerrado, 2007. Não é a agricultura que vai acabar com o mundo, é a ignorância”…

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Uma imagem que vale mais que mil palavras…

Temperature curve last 15.000 years O gráfico acima, do Dr. Don J. Easterbrook, mostra a reconstrução das temperaturas a partir de registros de núcleos de gelo da Groenlândia central, nos últimos 15.000 anos. Para quem precisa que desenhe…

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Luiz Carlos Molion: “O alarmismo sobre a Amazônia não tem base científica”

A visão catastrofista sobre a destruição da Amazônia e o seu suposto papel na dinâmica do clima global não têm fundamento científico, e não passam de instrumentos neocolonialistas, com o objetivo de preservar a região como uma vasta reserva de recursos naturais para usufruto futuro dos países desenvolvidos. A denúncia é do meteorologista e climatologista Luiz Carlos Baldicero Molion, que, há mais de quatro décadas, estuda as mudanças climáticas e a Amazônia, sendo um duro crítico do alarmismo criado em torno das mudanças climáticas e das acusações de que o Brasil estaria sendo negligente em preservar a região. Com formação em Física pela Universidade de São Paulo (USP), Molion detém um doutorado em Meteorologia pela Universidade de Wisconsin (EUA) e um pós-doutorado em Hidrologia de Florestas pelo Instituto de Hidrologia de Wallingford (Reino Unido), sendo aposentado como pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e professor associado de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Nos últimos anos, tem se dedicado a proferir palestras sobre tais assuntos em todo o País. Em um raro intervalo de descanso entre elas, concedeu ao Alerta Científico e Ambiental (MSIa Informa) a entrevista a seguir.

Alerta C&A – O Sr. estuda os fenômenos climáticos e as suas interações com os biomas brasileiros, com ênfase na Amazônia, há mais de três décadas. Em todo esse período, temos assistido a uma escalada de pressões políticas internacionais contra o Brasil, infelizmente, com muito apoio interno, baseadas na premissa de que o País estaria proporcionando uma devastação do bioma, o que, de acordo com esta visão, acarretaria um grande impacto no clima global. Estes argumentos têm procedência?

Luiz Carlos Molion – Não. O Bioma Amazônia constitui 5,5 milhões de km², enquanto a superfície do planeta Terra é de 510 milhões de km² e seus oceanos ocupam 361 milhões de km² dessa superfície. Portanto, o Bioma Amazônia corresponde a 1% da superfície da Terra e a 1,5% de seus oceanos. Em princípio, o desmatamento total da Amazônia – que é praticamente impossível de ocorrer – não afetaria o clima global, por ser a região de pequenas proporções em face da área oceânica (71%), que é um dos principais controladores do clima global. Essas pressões são baseadas em resultados obtidos por Modelos de Clima Global (MCG), que são falhos, não conseguem reproduzir o clima atual e, particularmente, o ciclo hidrológico, que é fundamental para a existência do Bioma Amazônia. Existe um debate acirrado na comunidade científica quanto à fidelidade dos resultados dos MCG nos testes de sensibilidade e quanto à sua utilidade em prognosticar climas futuros. Portanto, os resultados de simulação do desmatamento da Amazônia pelos MCG são altamente questionáveis e não merecem confiança. Uma curiosidade, apenas. Em geral, os melhores MCG têm um total de cerca de 64.000 pontos de grade representando a superfície do planeta, dos quais apenas cerca de 500 pontos (0,8%) estão na Amazônia. É intrigante, sob o ponto de vista físico, que apenas 0,8% dos pontos de grade tenham influência notória nas temperaturas e a chuvas globais resultantes das simulações dos MCG.

ACA – Grandes potências, como os EUA e a França, parecem dispostas a colocar a Amazônia no centro da sua agenda diplomática, política e econômica com o Brasil. O presidente Emmanuel Macron acaba de enviar à União Europeia uma lista de requisitos ambientais para a concretização do acordo comercial com o Mercosul, cujos itens equivalem a um autêntico ultimato. O presidente Joe Biden já anunciou a intenção de pressionar fortemente o Brasil quanto à agenda internacional de “proteção” da Amazônia, de acordo com os critérios estabelecidos pelos interesses políticos e econômicos por detrás dela. Ao seu ver, como o País deveria responder a essas pressões?

LCM – Pragmaticamente, o Brasil já tem respondido, em parte, a essas pressões ao longo dos anos. A taxa de desmatamento anual já esteve muito mais alta no passado. De acordo com os dados do INPE/MCTI, em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso, chegou a 29.059 km² e, a 25.396 km² e 27.772 km², em 2003 e 2004, respectivamente, durante o governo Luís Inácio Lula da Silva. Segundo a mesma fonte, entre 01 de agosto de 2019 e 31 de julho de 2020, a área desmatada foi de 11.088 km². Em minha opinião, este número ainda é muito alto e se devem envidar todos os esforços para reduzi-lo ou mesmo zerá-lo. O problema é que os principais consumidores da madeira retirada ilegalmente são os próprios países desenvolvidos. São eles que deveriam tomar a iniciativa de proibir a comercialização dessa madeira. Isto é, não havendo clientes, não haverá desmatamento. Por outro lado, esses países já não possuem mais recursos naturais e, para eles, a Amazônia, não só por sua fantástica biodiversidade, como também por sua riqueza em recursos minerais, tem sido vista como uma “reserva” para o futuro e deve ser considerada “patrimônio da humanidade”, não podendo ser desenvolvida ou administrada pelos países amazônicos, que, segundo essa visão, não teriam capacidade para preservá-la. Ao meu ver, se não há evidências físicas de que o desmatamento possa provocar uma catástrofe global, a preocupação estrangeira/internacional parece não visar a conservação do meio ambiente amazônico, e sim impedir o desenvolvimento socioeconômico da região. E “acordos” como o de Paris, em 2015, que obrigam à redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂), são instrumentos tipicamente neocolonialistas, pois 80% dos países do mundo, incluído o Brasil, ainda são subdesenvolvidos.

ACA – Há dois conceitos amplamente difundidos, que têm ganhado grande destaque nas discussões sobre a alegada devastação do bioma Amazônia. Um deles é o dos chamados “rios voadores”, a transferência de umidade atmosférica da Região Norte para o Centro-Sul do País, promovida pela floresta, e que estaria ameaçada pelo desmatamento. O outro é o chamado “ponto de inflexão” (tipping point), um suposto índice de desmatamento a partir do qual a floresta se converteria irreversivelmente em um ambiente de savana. Quais são as evidências científicas para eles? Esses riscos são reais?

LCM – Em primeiro lugar, “rios voadores” é uma expressão plagiada. Ela foi usada na década de 1950 por meteorologistas dos EUA, para descrever o transporte de umidade pelo jato polar, uma corrente de ventos muito forte, encontrada nos níveis altos da atmosfera em latitudes temperadas, que sopra de Oeste, os chamados ventos de Oeste. A afirmação que a floresta é a geradora do vapor d’água transportado para outras regiões do continente pelos chamados rios voadores, e que a transformação da floresta em pastagem reduziria em 25% as chuvas sobre o Brasil, é resultante dos MCG, sem verificação ou constatação. Amazônia não é essencial para a distribuição das chuvas para outras regiões remotas da América do Sul, porque a Amazônia não é fonte de umidade para a atmosfera. A fonte principal de umidade para as chuvas amazônicas é o Oceano Atlântico Tropical, principalmente, durante o verão do Hemisfério Sul [dezembro-março]. Dados de fluxo de umidade observados entre 1999-2014 sugerem que, em média e em números redondos, entram na Bacia Amazônica o equivalente a 500.000 m³/s de umidade trazidos pelos ventos do Atlântico, dos quais 80% são transformados em chuva localmente e os 100.000 m³/s restantes “passam direto” por sobre a região. Dos 400.000 m³/s de chuvas que caem na bacia, a metade sai pelo rio Amazonas (200.000 m³/s) e a outra metade é reciclada por evapotranspiração e incorporada ao fluxo de umidade que chega às outras regiões da América do Sul. Ou seja, em média, 300.000 m³/s, dos 500.000 m³/s (60%) originalmente saídos da evaporação do Atlântico, chegam a outras regiões ao sul da Amazônia, com os restantes 200.000 m³/s sendo devolvidos ao Atlântico pelo rio. Portanto, na escala de tempo climática, a Amazônia apresenta um balanço hídrico estável. Árvore, ou floresta, não é “máquina” de produzir água, apenas recicla a água da chuva anterior, que estava armazenada no solo. Embora haja uma interação floresta-atmosfera, a longo prazo, a floresta existe porque chove e não o contrário. Prova-se, por reductio ad absurdum, que, se a floresta fosse fonte de umidade, a região já teria se transformado num deserto desde que se estabilizou, após o término do último período glacial, há cerca de 15 mil anos. O elemento geofísico fundamental para direcionar a umidade do Atlântico para outras regiões da América do Sul é a formidável barreira ao fluxo de umidade imposta pela Cordilheira dos Andes. Outro elemento é uma célula de circulação de atmosférica direta, conhecida como Célula de Hadley-Walker, que se forma em média, e sempre se formará, pois o Sol, inevitavelmente, aquece a superfície do continente sul-americano durante o verão austral. Em consequência, o ar se torna menos denso e sobe (convecção), transportando umidade para cima e produzindo nuvens e chuva. É bem provável que a floresta interaja com a atmosfera, no sentido de intensificar essa célula de circulação em anos apropriados. Os anos em que essa célula não se forma são exceções. É observado, por exemplo, que, quando se tem um evento El Niño forte [aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Oriental – n.e.], como o de 2014-2016, essa célula de circulação é inibida e a Bacia Amazônica passa por uma forte estiagem. Isto não ocorreria se a floresta fosse a causa principal da existência dessa célula de circulação atmosférica. Porém, o aquecimento da superfície pelo Sol, e a consequente célula de circulação, sempre existirão, independentemente da existência da floresta. O bom senso físico sugere que, se houvesse um desmatamento generalizado, a superfície amazônica ficaria aerodinamicamente mais “lisa”, os ventos se acelerariam nos níveis baixos da atmosfera e transportariam mais umidade para as outras regiões do continente, aumentando o volume das suas chuvas. O “ponto de inflexão” seria o percentual de desmatamento além do qual a floresta não se recuperaria. Em 2016, foi sugerido, por Carlos A. Nobre e colegas, que esse ponto seria o desmatamento de 40% do Bioma Amazônia, mas este percentual se baseia em resultados dos MCG e, portanto, carece de base científica sólida, sendo meramente especulativo. Pelo que se tem observado ao longo dos anos, a floresta tem uma grande capacidade regenerativa.

ACA – Outra ideia bastante popular é a de que a Amazônia seria um sumidouro de carbono essencial para a dinâmica do clima global. Um documento enviado ao presidente Joe Biden por um grupo de políticos e ex-altos funcionários do governo dos EUA (Climate Principals) chega a afirmar que a Amazônia detém mais carbono do que as emissões mundiais “de muitos anos”, e que a liberação deste carbono na atmosfera teria “consequências climáticas catastróficas”. Estas afirmativas têm procedência?

LCM – Outra vez, não têm! São 550 milhões de hectares cobertos pelo Bioma Amazônia. A quantidade de carbono [Q] contida nessa floresta é calculada pela formula Q= %CAD, onde %C é o percentual de carbono encontrado em uma árvore e, usualmente, o valor de 45% é aceito, A (550 milhões ha) é a área do bioma e D, a densidade da biomassa, dada em toneladas de matéria seca por hectare (t/ha). Essa última variável é a grande incógnita, pois, dentro do bioma, há áreas com distintas densidades de biomassa. Uma consulta à literatura mostra valores que vão de 180 t/ha a 720 t/ha. Se se aceitar que o Bioma Amazônia tenha uma densidade de biomassa média de 300 t/ha – valor considerado plausível empiricamente -, empregando-se a fórmula acima, chega-se a um valor de cerca de 75 bilhões de toneladas de carbono (GtC) contidas na floresta. Pelos números recentes (2019) de emissões por regiões, a Ásia, América do Norte e Europa, emitem um total de 7,5 GtC/ano, donde se conclui que apenas essas três regiões emitem uma “Floresta Amazônica inteira” para a atmosfera em cerca de 10 anos. Se o estoque de carbono da Amazônia fosse totalmente liberado para a atmosfera, poderia aumentar, teoricamente, a concentração do CO₂ atmosférico em cerca de 35 ppmv [partículas por milhão em volume], menos de 10% da concentração atual, que é 400 ppmv. Considerou-se que a emissão de 2,13 GtC acarreta um aumento de 1 ppmv na concentração atmosférica, de acordo com a literatura. Entretanto, um cálculo simples mostra que, na atual taxa de desmatamento de 11.000 km² por ano, a liberação total desse estoque levaria cerca de 500 anos para se completar, admitindo zero acréscimo de qualquer tipo de cobertura vegetal durante esse período. Por outro lado, as medições feitas na Amazônia Central, em 1987, durante o Experimento ABLE-2B (Atmospheric Boundary Layer Experiment, NASA/INPE) revelaram uma assimilação pela fotossíntese de 4,4 quilogramas de carbono por hectare por hora (kgC/ha/hora) durante o período diurno e uma perda por respiração de 2,57 kgC/ha/hora durante o período noturno. Admitindo que esses números possam ser generalizados para os 550 milhões de hectares do Bioma Amazônia, ter-se-iam 4,4 GtC/ano de assimilação de carbono, obviamente, subtraída a taxa de respiração noturna. Considerando que as atividades humanas emitam cerca de 10 GtC/ano atualmente, tal assimilação corresponde a 44 % das emissões de carbono antropogênicas. Se se admitir a hipótese absurda defendida pelo IPCC, de que o CO₂ seja o grande controlador do clima global, é desejável que sua cobertura vegetal amazônica seja conservada. Na realidade, os impactos no clima global e na concentração global de CO₂ (vide o Acordo Climático de Paris, 2015) não são argumentos fortes para se manter a floresta. Os principais argumentos são a conservação da biodiversidade e a proteção dos solos, evitando a sua erosão, assoreamento dos leitos dos rios, mudança da qualidade de suas águas e de toda vida que delas depende.

ACA – O mesmo documento afirma que as emissões causadas pelo desmatamento da Amazônia constituem uma grande fonte de “poluição climática” – seja lá o que isto significa – tão grande quanto à de economias avançadas, como o Japão e a Alemanha.

LCM – O Brasil detém cerca de 65% do Bioma Amazônia dentro da Amazônia Legal. Nessa região, estabelecida para fins de incentivos fiscais, os 35% restantes são constituídos de biomas diversos, como Cerrado, Cerradão e Campinarana, por exemplo. A área sob pressão antrópica não é o Bioma Amazônia e, sim, os 35% restantes, que possui uma densidade de biomassa muito menor que a da floresta tropical chuvosa. Como foi dito, a taxa de desmatamento anual já esteve pior no passado. Usando-se uma taxa de desmatamento atual de 11 mil km², ou 1,1 milhão de hectares, sendo essa área de desmatamento do Bioma Amazônia, e não da Amazônia Legal, com a densidade de biomassa acima citada de 300 t/ha, e admitindo, ainda, que as queimadas teriam 100% de eficiência na emissão do carbono contido na floresta para a atmosfera – o que é fisicamente impossível num clima extremamente úmido – a emissão de carbono seria de 150 milhões de tC por ano (MtC/a), contra 1.100 MtC/a do Japão e 700 MtC/a da Alemanha. Na melhor das hipóteses – queima de floresta tropical úmida com 100% de emissão de carbono – as emissões anuais desses países são 7 e 5 vezes maiores que as queimadas na Amazônia, respectivamente.

ACA – A pandemia de Covid-19 está ensejando o temor de que o desmatamento na Amazônia possa ser a causa de uma nova pandemia global. O documento do grupo Climate Principals e até mesmo a Organização Mundial da Saúde (OMS) enfatizam que a maioria das novas doenças infecciosas têm emergido nas fronteiras florestais, onde ocorrem interações entre as pessoas e a vida selvagem. Há evidências desse risco, no caso da Amazônia?

LCM – As principais doenças, que eventualmente teriam sua origem na floresta, como malária e leishmaniose, são as que são transmitidas por vetores, como mosquitos, por exemplo, e podem estar associadas a qualquer tipo de vegetação, águas paradas e não necessariamente à floresta. Essas doenças são bem conhecidas e têm tratamento eficaz há tempo, estão sob controle e nunca provocaram ou dispararam pandemias globais recentemente. Varíola (Orthopoxvirus, encontrado na tumba do faraó Ramsés II), Peste Negra (Yersinia pestis), Gripe Espanhola (H1N1), Gripe Aviária (H5N1) e a atual Covid-19 (Sars-Cov-2) não tiveram sua origem em florestas tropicais.

ACA – O Sr. tem sido um crítico ferrenho do alarmismo que envolve as questões referentes ao clima global, desde a década de 1980. Esta é uma área em que, a despeito da pletora de evidências científicas em contrário, prevalece a visão catastrofista de que as emissões de carbono de origem humana estariam ameaçando causar um aquecimento descontrolado da atmosfera. Pode-se fazer um paralelo com as discussões sobre a Amazônia, quase invariavelmente orientadas por premissas alarmistas?

LCM – A afirmação é que as queimadas na Amazônia contribuem para o aumento da concentração de CO₂ na atmosfera e para aquecimento global decorrente ou para as “mudanças climáticas”, expressão utilizada atualmente uma vez que os dados de satélite mostram que não houve aquecimento nos últimos 20 anos. Os prognósticos alarmistas pretensamente resultantes do desmatamento sofrem do mesmo mal: resultados de MCG. Na realidade, o clima da Terra varia por causas naturais e passa por períodos de aquecimento e de resfriamento. Por exemplo, as temperaturas já estiveram cerca de 4°C mais altas que às atuais há sete-oito mil anos de acordo com o artigo de Shaun Marcott e colegas em 2013, período conhecido como Ótimo do Holoceno, o interglacial que estamos vivendo. O período Quente Medieval (900-1250 d.C.) foi seguido de um período frio, conhecido por Pequena Idade do Gelo (PIG) que durou até início do século XX, possivelmente, até 1915. Entre 1916 e 1945, houve um aquecimento, bem documentado, em que as concentração e emissão de carbono pelas atividades humanas e pelo desmatamento eram muito pequenas. Portanto, torna-se difícil atribuir esse aquecimento à concentração de carbono na atmosfera. Paradoxalmente, entre 1946 e 1975, quando as emissões de carbono antrópicas aumentaram significativamente devido ao grande desenvolvimento industrial pós-guerra, o clima se resfriou. O aquecimento desde 1976, e que possivelmente tenha terminado há 15-20 anos atrás, está sendo atribuído às emissões de carbono pelas atividades humanas, incluído aí o desmatamento de florestas nativas. Porém, há grande probabilidade desse aquecimento recente ter tido causas naturais, como os 5% de redução da cobertura de nuvens global observada por satélites e a alta frequência de eventos El Niño que, reconhecidamente, aquecem o clima. Em síntese, não há evidências científicas de que haja uma relação entre a concentração de carbono na atmosfera e a temperatura de superfície do Planeta. Em adição, fica muito claro que o clima do planeta é extremamente complexo, depende de fatores internos e externos, e que o CO₂ não controla o clima global. A participação do CO₂ no aquecimento global ocorrido entre 1976-2005 foi ínfima. Portanto, reduzir emissões de carbono, como quer o Acordo Climático de Paris 2015, é inútil no que se refere ao impacto no clima global.

ACA – Essa percepção sobre uma visão catastrofista parece se estender até mesmo ao meio científico. Por que isto ocorre neste meio, que deveria primar pela objetividade?

LCM – Infelizmente, há colegas de profissão, reconhecidamente muito bem treinados nessa área do conhecimento, que conhecem as limitações dos argumentos em que se baseia a hipótese do aquecimento global antropogênico, tem ciência da complexidade do clima terrestre, estão convictos que o CO₂ não controla o clima global, mas que preferem ficar do lado da corrente predominante atual, a chamada mainstream, que não é científica e sim político-econômica, ditada por quem controla as fontes de recursos. É claro que a maioria deles se beneficia por meio de aprovação de projetos de pesquisas, publicações de seus artigos em revistas de destaque, recebimento de premiações, destaque social entre as classes política e/ou administrativa, e outras benesses. Outros adotam a hipótese com medo de perderem os seus empregos, como já vimos acontecer em outros países, como EUA e Austrália, ou serem ridicularizados ou mesmo pressionados por uma fração da sociedade. As previsões catastróficas feitas nos últimos 30-40 anos não se concretizaram, nenhuma delas. Com relação à ciência do clima, infelizmente, temos que acumular séries longas de observações para entender a sua tendência, isso leva tempo e, muitas vezes, não temos a frequência de amostragem e cobertura espacial necessárias para conhecer a fenomenologia. A tendência do clima atual aponta para um clima relativamente mais frio, semelhante ao período de 1946-1975, em que, em média, os invernos eram mais rigorosos e algumas semanas mais longos, particularmente no Hemisfério Norte, reduzindo a estação de cultivo e prejudicando a produção de grãos e todas atividades que dependem dessa produção, como a produção de proteína animal. Com o passar do tempo é que será demonstrado que a visão catastrofista não tinha base científica. Vamos esperar que não demore muito para que isso aconteça.

ACA – A maioria das propostas para a Amazônia, principalmente, as oriundas do movimento ambientalista e dos interesses políticos e financeiros que o sustentam, propõe que toda a região seja virtualmente “congelada” em seu desenvolvimento socioeconômico, sendo vedadas praticamente quase todas as atividades econômicas tradicionais, como a implementação de infraestrutura moderna, mineração, exploração de madeiras, indústrias etc. Em troca, fala-se muito da chamada bioeconomia, a industrialização dos recursos da vasta biodiversidade da região. Como o Sr. vê esta questão?

LCM – Com o aumento da população global esperado para as próximas duas décadas, 9 bilhões de habitantes, e considerando os cerca de 25 milhões de habitantes já existentes na região, a Amazônia não poderá permanecer intocada, à margem desse desenvolvimento social e econômico por vir. E todos concordam em que a dificuldade é se definir um conjunto de estratégias de desenvolvimento regional que seja distinto dos que têm sido utilizados até agora. Não gosto da expressão “desenvolvimento sustentável”, acho pleonástica. Todo desenvolvimento obrigatoriamente tem que ser sustentável, do contrário, é destruição e não desenvolvimento. Utilizar a fantástica biodiversidade da região é uma das estratégias, que vai desde extração de substâncias químicas, farmacêuticas e cosméticas produzidas pelas plantas até a utilização de microrganismos, sobre os quais o conhecimento atual é praticamente zero. É possível, sim, explorar as reservas minerais. Países desenvolvidos, que dependem do carvão mineral como fonte de energia, como a Alemanha, exploram o carvão e, uma vez a mina esgotada, se faz a recuperação ambiental local. Na Amazônia, esse tipo de operação pode ser mais complexa, mais cuidadosa, porém, é factível. Florestas “geométricas” para a produção de madeira podem ser implantadas dentro da própria cobertura florestal, obviamente, alimentando-se as árvores plantadas com nutrientes/ insumos agrícolas. Óleos vegetais de palmáceas nativas, como buriti, ou de dendê cultivado em área degradadas recuperadas, podem ser utilizados como combustíveis renováveis, uma vez que o motor diesel queima qualquer tipo de óleo vegetal sem necessidade de modificação. Algumas rodovias, certamente, devem ser implantadas onde sejam necessárias e onde haja condições de terreno e ambientais propícias para tanto, procurando sempre, prioritariamente, conservar os solos. É possível, por exemplo, se estabelecer a ligação entre municípios sem o uso de rodovias ou rios. Atualmente, se dispõem de balões dirigíveis, como o “Airship LMH-1” (P-791), com capacidade de carga de 21 toneladas mais 19 passageiros e dois tripulantes, se deslocando a uma velocidade de 140 km/h, que pousa e decola em qualquer tipo de terreno. Esses só alguns poucos exemplos. Certamente, desenvolver a Amazônia é uma necessidade e esse, sem dúvida, é um grande desafio!

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A loucura de Joe Biden sobre as mudanças climáticas

Joe Biden tem certeza de uma coisa sobre a mudança climática: que qualquer evolução significativa da política dos EUA sobre o assunto pode vir apenas de uma “resposta nacional unificada”. Não há nada disso em gestação, e Biden não mostra inclinação ou aptidão para forjar um novo consenso sobre o clima.

Em vez disso, ele está se inclinando para seu modo favorito de política, o bem-estar corporativo, ao prometer que o governo federal comprará uma grande e nova frota de veículos com emissões zero que, diz ele – baseado em quase nada –, criará 1 milhão de novos empregos.

Ele está emitindo ordens executivas nesse sentido, que na prática não significam muita coisa – o presidente não tem dinheiro para gastar além daquele que o Congresso destina, e o Congresso não destinou fundos para compras de “happy hour” na Tesla ou na General Motors, aquela ala secundária do governo federal.

“Os democratas deveriam agir como se tivessem vencido a eleição”, dizem os progressistas. Sim deveriam. Mas há 50 republicanos no Senado e 211 republicanos na Câmara que também venceram as eleições.

Biden não aprendeu a lição do fracasso do regime da Affordable Care Act – ACA [Lei de Cuidados Acessíveis]: que grandes mudanças na política nacional exigem uma “resposta nacional unificada” real, em vez de um discurso sobre a necessidade de uma “resposta nacional unificada” – ou, na falta disso, pelo menos um amplo consenso bipartidário. As principais mudanças de política que acontecem sem esse tipo de consenso são inerentemente instáveis.

Os democratas aconselharão Biden a tirar uma lição diferente do fiasco da ACA: que os republicanos não negociarão de boa fé e que se oporão às principais iniciativas democratas, não importa quais compromissos ou concessões sejam oferecidos. A questão é justa – os republicanos, depois de todos esses anos, ainda não apresentaram uma alternativa confiável para a ACA, que eles continuam a abominar, mesmo quando abraçam calorosamente suas características mais populares, como as obrigações com doenças preexistentes.

E os republicanos pagaram um preço por isso: Joe Biden estava acima de Donald Trump em 13 pontos em uma pesquisa que perguntava aos americanos em quem eles confiavam mais na área de saúde, e não é apenas porque Trump nunca teve a oportunidade de lançar aquele plano de saúde fantástico de que falou por cinco anos.

As pesquisas rotineiramente mostram uma vantagem democrata sobre os republicanos no sistema de saúde, ainda maior do que Biden desfrutava sobre Trump. Republicanos que não conseguiam pensar em nada para dizer além de “hum!” durante o debate sobre saúde de 2009 cederam a questão aos democratas e não vão reconquistar a credibilidade nesse ponto com rapidez ou facilidade.

Da mesma forma, os americanos que mais se preocupam com a mudança climática confiam esmagadoramente nos democratas sobre esse assunto em vez dos republicanos. Mas a política não é a mesma. Os americanos têm experiência direta com as deficiências do sistema de saúde dos EUA e, especialmente, com o sistema de seguro de saúde dos EUA.

A mudança climática é uma questão diferente e, para muitos americanos, manifestamente menos urgente, razão pela qual tem sido consistentemente classificada como de baixa prioridade pelos eleitores por tanto tempo. (Talvez você não ache que deva ser classificado como um problema de baixa prioridade, mas é). Biden e os Green New Dealers entendem isso e é por isso que suas propostas para a mudança climática estão repletas de esquemas de gastos maciços em vez de serem oferecidas como restrições diretas às emissões de gases de efeito estufa, campanhas de compensação de vários trilhões de dólares em vez de encargos simples.

E esta é uma das razões pelas quais os republicanos não levam essas propostas tão a sério: uma colher de açúcar pode fazer o remédio legislativo descer, mas os democratas exigem caminhões de açúcar em vez de colheres, o suficiente para induzir uma diabete fiscal.

Biden pode colocar seu nome no acordo de Paris, mas o Senado não ratificará um tratado aceitando seus termos nem aprovará legislação para implementá-los. Biden pode exigir nove décimos do New Deal Verde enquanto afirma não ter ido muito longe, mas não vai conseguir. Os presidentes não podem aprovar leis ou alterar a Constituição ou apropriar-se de dinheiro. Uma das coisas que eles podem fazer é uma campanha para construir um consenso onde não existe consenso. Franklin Roosevelt fez isso. Ronald Reagan fez isso. Biden deveria pelo menos tentar.

Se o fizer, ele pode se surpreender com o que é de fato possível: cerca de um quarto da eletricidade dos EUA ainda é gerada por usinas movidas a carvão, e substituir esse carvão por gás natural representaria uma melhoria significativa nas emissões de gases de efeito estufa. Um terço da eletricidade mundial é gerada com carvão.

Em 2019, as empresas americanas exportaram cerca de 4,7 trilhões de pés cúbicos de gás natural, e há muito mais de onde isso veio. Esta é uma alternativa mais prática do que, digamos, moinhos de vento – por mais atraente que seja essa tecnologia do século XII –, e é consideravelmente mais eficaz do que fazer pose de moralidade.

Claro, Biden não pode esperar que a indústria de petróleo e gás coopere com seu programa enquanto ele está em guerra, impedindo o desenvolvimento da infraestrutura necessária ao seu florescimento.

Mas se ele entendesse as mudanças climáticas como uma questão de energia, em vez de uma ocasião para despejar uma grande quantidade de dinheiro nos cofres de indústrias e empresas politicamente conectadas, ele pode encontrar um caminho para formar algum terreno comum com os republicanos.

O texto acima é uma tradução livre de um post de Kevin D. Williamson publicado em 28/01/2021. Para ver o original, clique aqui.

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“Em nome dos ambientalistas, peço desculpas pelo terrorismo climático”

Em nome de todos os ambientalistas, gostaria de me desculpar formalmente pelo terrorismo em relação às mudanças climáticas que fizemos nos últimos 30 anos. Mudanças climáticas estão acontecendo. Mas não é o fim do mundo. Nem é o nosso problema ambiental mais sério.

Posso parecer um cético por estar dizendo isso. Sou ativista do clima há 20 anos e ambientalista há 30.

Mas como especialista em energia, como convidado pelo Congresso norte-americano para dar um testemunho objetivo e como convidado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) para atuar como revisor especialista de seu próximo relatório de avaliação, sinto-me na obrigação de me desculpar pelo mal que os ambientalistas fizeram enganando o público.

Aqui estão alguns fatos que poucos sabem:
• Os seres humanos não estão causando a “sexta extinção em massa”
• A Amazônia não é “o pulmão do mundo”
• Mudanças climáticas não estão agravando desastres naturais
• Os incêndios caíram 25% em todo o mundo desde 2003
• A quantidade de terra que usamos para produzir carne – o maior uso da terra pela humanidade – diminuiu em uma área quase tão grande quanto o Alasca
• O uso e o acúmulo de lenha e mais casas próximas às florestas, e não as mudanças climáticas, explicam por que existem mais e mais perigosos incêndios na Austrália e na Califórnia.
• As emissões de carbono estão diminuindo na maioria dos países ricos e vêm diminuindo na Grã-Bretanha, na Alemanha e na França desde meados da década de 1970
• A Holanda se tornou rica e não pobre ao se adaptar à vida abaixo do nível do mar
• Produzimos 25% mais alimentos do que precisamos e os excedentes de alimentos continuarão a aumentar à medida que o mundo esquentar
• A perda de habitat e a morte direta de animais selvagens são ameaças maiores para as espécies do que as mudanças climáticas
• O consumo de lenha é muito pior para as pessoas e para os animais selvagens do que os combustíveis fósseis
• Prevenir futuras pandemias requer mais e não menos agricultura “industrial”

Eu sei que os fatos acima parecem “negacionismo” para muitas pessoas. Mas isso apenas mostra o poder do alarmismo climático.

Na realidade, os fatos acima provêm dos melhores estudos científicos disponíveis, incluindo aqueles conduzidos ou aceitos pelo IPCC, pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e outros organismos científicos líderes.

Algumas pessoas, quando leem isso, imaginam que eu sou um anti-ambientalista de direita. Eu não sou. Aos 17 anos, morei na Nicarágua para demonstrar solidariedade à revolução socialista sandinista. Aos 23 anos, arrecadei dinheiro para as cooperativas de mulheres da Guatemala. No início dos meus 20 anos, morava próximo à Amazônia fazendo pesquisas com pequenos agricultores que combatiam as invasões de terras. Aos 26 anos, ajudei a expor as más condições nas fábricas da Nike na Ásia.

Tornei-me ambientalista aos 16 anos quando iniciei uma campanha de arrecadação de fundos para a “Rainforest Action Network”. Aos 27 anos, ajudei a salvar as últimas sequoias vermelhas desprotegidas da Califórnia. Nos meus 30 anos, incentivei o uso de fontes renováveis de energia e ajudei com sucesso a persuadir o governo Obama a investir US$ 90 bilhões nelas. Nos últimos anos, ajudei a evitar que algumas usinas nucleares fossem substituídas por combustíveis fósseis para evitar um aumento acentuado das emissões.

Até o ano passado, eu evitava falar contra o terrorismo climático. Em parte, porque eu estava envergonhado. Afinal, sou tão culpado do alarmismo quanto qualquer outro ambientalista. Durante anos, me referi às mudanças climáticas como uma ameaça “existencial” à civilização humana e as chamei de “crise”.

Mas, principalmente, eu estava com medo. Fiquei quieto sobre as campanhas de desinformação sobre o clima porque tinha medo de perder amigos e financiamento. Nas poucas vezes em que reuni a coragem de defender a ciência climática daqueles que a deturparam, sofri consequências duras. Por isso, fiquei quieto na maior parte do tempo e quase não fiz nada enquanto meus colegas ambientalistas aterrorizavam o público.

Até fiquei como pessoas na Casa Branca e muitos na mídia quando tentaram destruir a reputação e a carreira de um excelente cientista, homem bom e amigo meu, Roger Pielke Jr., democrata e ambientalista progressista que ao longo da vida testemunhou a favor da regulamentação do carbono. Por que fizeram isso? Porque a pesquisa dele prova que os desastres naturais não estão piorando.

Mas então, no ano passado, as coisas ficaram fora de controle.

Alexandria Ocasio-Cortez disse que “o mundo terminará em doze anos se não enfrentarmos as mudanças climáticas”. O grupo ambientalista mais destacado da Grã-Bretanha afirmou que “as mudanças climáticas matam crianças”.

O jornalista verde mais influente do mundo, Bill McKibben, chamou as mudanças climáticas de “o maior desafio que os humanos já enfrentaram” e disse que “destruiriam as civilizações”.

Jornalistas “mainstream” relataram, repetidamente, que a Amazônia era “o pulmão do mundo” e que o desmatamento era como uma bomba nuclear explodindo.

Como resultado, metade das pessoas pesquisadas em todo o mundo no ano passado disseram que pensavam que as mudanças climáticas extinguiriam a humanidade. E em janeiro, uma em cada cinco crianças britânicas disse a pesquisadores que estavam tendo pesadelos sobre as mudanças climáticas.

Se você tem ou não filhos, deve ver como isso é errado. Eu admito que posso ser sensível porque tenho uma filha adolescente. Depois que conversamos sobre a ciência, ela ficou tranquila. Mas suas amigas estão profundamente desinformadas e, assim, compreensivelmente, assustadas.

Assim, decidi que tinha que falar. Eu sabia que escrever alguns artigos não seria suficiente. Eu precisava de um livro para apresentar adequadamente todas as evidências.

E assim, meu pedido formal de desculpas por conta desse terrorismo vem da forma do meu novo livro, “Apocalypse Never: Why Environmental Alarmism Hurts Us All” [Apocalipse nunca: por que o alarmismo ambiental fere a todos nós?].

É baseado em duas décadas de pesquisa e três décadas de ativismo ambiental. Com 400 páginas, das quais 100 são notas finais, “Apocalypse Never” cobre as mudanças climáticas, o desmatamento, os resíduos plásticos, a extinção de espécies, a industrialização, a carne, a energia nuclear e as fontes renováveis.

Alguns destaques do livro:
• Fábricas e agricultura moderna são as chaves para a libertação humana e o progresso ambiental
• O mais importante para salvar o meio ambiente é produzir mais alimentos, principalmente carne, usando menos terra
• O mais importante para reduzir a poluição do ar e as emissões de carbono é passar da madeira para o carvão, para o petróleo, para o gás natural, para o urânio.
• 100% de fontes renováveis exigiriam o aumento da terra usada para a produção de energia dos atuais 0,5% para 50%
• Devemos desejar que cidades, fazendas e usinas de energia tenham densidades de energia mais altas, e não menores.
• O vegetarianismo reduz as emissões em menos de 4%
• O Greenpeace não salvou as baleias, a mudança do óleo de baleia para o petróleo e o óleo de palma
• A carne bovina “caipira” [extensiva] exigiria 20 vezes mais terras e produziria 300% mais emissões
• O dogmatismo do Greenpeace piorou a fragmentação florestal da Amazônia
• A abordagem colonialista da conservação dos gorilas no Congo produziu uma reação que pode ter resultado na morte de 250 elefantes.

Por que todos nós fomos tão enganados?

Nos três capítulos finais de “Apocalypse Never”, eu exponho as motivações financeiras, políticas e ideológicas. Grupos ambientalistas aceitaram centenas de milhões de dólares de interesses em combustíveis fósseis. Grupos motivados por crenças anti-humanistas forçaram o Banco Mundial a parar de tentar acabar com a pobreza e, em vez disso, tornar a pobreza “sustentável”. E ansiedade, depressão e hostilidade à civilização moderna estão por trás de grande parte do alarmismo.

Depois que você percebe o quão mal informados fomos, muitas vezes por pessoas com motivações claramente desagradáveis ou doentias, é difícil não se sentir enganado.

O livro fará a diferença? Certamente existem razões para duvidar disso.

A mídia vem fazendo pronunciamentos apocalípticos sobre as mudanças climáticas desde o final dos anos 80 e não parece disposta a parar.

A ideologia por trás do alarmismo ambiental – malthusianismo – foi repetidamente desmentida por 200 anos e ainda é mais poderosa do que nunca.

Mas também há razões para acreditar que o alarmismo ambiental terá, se não chegar ao fim, um poder cultural decrescente.

A pandemia de coronavírus é uma crise real que coloca a “crise” climática em perspectiva. Mesmo se você acha que exageramos, o Covid-19 já matou quase 500.000 pessoas e destruiu economias em todo o mundo.

Instituições científicas, incluindo a OMS e o IPCC, minaram sua credibilidade por meio da repetida politização da ciência. Sua existência e relevância futuras dependem de novas lideranças e reformas sérias.

Os fatos ainda importam, e as mídias sociais estão permitindo que uma gama mais ampla de vozes novas e independentes superem os jornalistas ambientais alarmistas em publicações antigas.

As nações estão voltando abertamente ao interesse próprio e afastando-se do malthusianismo e do neoliberalismo, o que é bom para a energia nuclear e ruim para as energias renováveis.

As evidências são impressionantes de que nossa civilização de alta energia é melhor para as pessoas e a natureza do que a civilização de baixa energia que os alarmistas do clima nos devolveriam.

Os convites do IPCC e do Congresso norte-americano são sinais de uma crescente abertura ao novo pensamento sobre as mudanças climáticas e o meio ambiente. Outro foi a resposta ao meu livro de cientistas climáticos, conservacionistas e estudiosos do meio ambiente. “Apocalypse Never é um livro extremamente importante”, escreve Richard Rhodes, autor de “The Making of the Atomic Bomb”, vencedor do Pulitzer. “Este pode ser o livro mais importante sobre o meio ambiente já escrito”, diz um dos pais da moderna ciência climática, Tom Wigley.

“Nós ambientalistas condenamos aqueles com visões contrárias de serem ignorantes da ciência e suscetíveis ao viés de confirmação”, escreveu o ex-chefe da “The Nature Conservancy”, Steve McCormick. “Mas muitas vezes somos culpados do mesmo. Shellenberger oferece ‘amor duro’: um desafio para ortodoxias arraigadas e mentalidades rígidas e autodestrutivas. ‘Apocalypse Never’ nos oferece, pontualmente, pontos de vista sempre bem trabalhados e baseados em evidências, e isso nos ajuda a desenvolver o ‘músculo mental’ que precisamos para conceber e projetar não apenas um futuro esperançoso, mas alcançável”.

Era tudo o que eu esperava escrevendo. Se você chegou até aqui, espero que você concorde que talvez não seja tão estranho quanto parece que um ambientalista, progressista e climático ao longo da vida sentiu a necessidade de se manifestar contra o alarmismo.

Espero ainda que você aceite minhas desculpas.

O texto acima é uma tradução livre de um post de Michael Shellenberger publicado em 29/06/2020. Para ver o original, clique aqui.

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O clima e a civilização humana nos últimos 18.000 anos

Esta é uma linha do tempo atualizada dos eventos climáticos e da história humana nos últimos 18.000 anos. A linha do tempo original foi publicada em 2013. O arquivo em tamanho completo e atualizado pode ser baixado clicando-se na Figura 1. Para ver a linha do tempo em resolução total ou imprimi-la, você deve baixá-la. Não tem direitos autorais, mas, por favor, reconheça o autor se você a usar.


Figura 1

As referências às imagens e aos dados são fornecidas no artigo original como hiperlinks. Fez-se o possível para verificar a precisão do conteúdo, verificando várias fontes. Quando as referências tinham datas diferentes para o mesmo evento, escolheu-se a data mais citada ou a fonte de maior prestígio. Todas as datas (exceto algumas na era moderna) são dadas como “BP” [Before the Present] ou antes do ano 2000, por simplicidade. Usar 1950 (o zero de rádio carbono) como referência seria muito complicado.

O coração do pôster é uma linha do tempo de eventos históricos e climáticos. O Último Máximo Glacial (LGM) terminou em torno de 19.000 BP, as ilustrações no canto inferior esquerdo do pôster ilustram como era o mundo naquela época. Grande parte da área terrestre estava sob o gelo ou com desertos à época, e as terras expostas tinham menos precipitação do que hoje. A história da civilização mostra que períodos mais frios têm menos precipitação do que os tempos mais quentes. Não parece intuitivo, mas o ar quente tem uma maior capacidade de transporte de água e isso leva a mais chuvas. Por exemplo, o Saara está ficando mais verde agora, à medida que o dióxido de carbono e a temperatura do ar aumentam. Se houve civilizações humanas organizadas durante a última Era Glacial, não encontramos evidências a não ser cerâmicas na China, datadas de 20.000 BP. Nessa época, as pessoas viviam em pequenas comunidades de poucas famílias, caçavam animais e consumiam a vegetação natural comestível. Animais domesticados (com exceção de cães) e a agricultura sedentária não apareceriam por mais 6.000 a 7.000 anos, há cerca de 13.000 BP.

Os cães foram provavelmente domesticados pelo homem há 14.000 BP e talvez há mais de 30.000 BP. Os Natufianos colhiam grãos silvestres, frutas e vegetais e provavelmente cultivaram pequenos jardins já em 14.000 BP. Mas, neste início, a agricultura organizada em larga escala era improvável.

A parte central do pôster mostra dois registros principais de gelo. O gráfico superior é a parte mais recente dos registros dos núcleos de gelo de Vostok na Antártida. Todo o registro de 400.000 anos de Vostok é mostrado no canto superior esquerdo do pôster com a escala de tempo invertida; este gráfico também inclui a concentração de dióxido de carbono (em verde) e a concentração de poeira (em vermelho). Os cerca de 100 mil anos dos ciclos de Milankovitch são muito aparentes nos registros de Vostok. Esses ciclos são compostos por um período dominante de 413 mil anos e períodos menores que caem entre 95 mil e 136 mil anos. A inclinação do eixo da Terra é o que produz nossas estações e varia cerca de 3° em um ciclo de 41 mil anos. Finalmente, o eixo da Terra oscila (o ciclo de precessão) em um ciclo que dura 25.772 anos. Devido a modificações no ciclo de precessão predominantemente na Lua, Júpiter e Saturno, o período de precessão dominante é de aproximadamente 19 mil anos, com uma periodicidade de pico secundária de cerca de 23 mil anos. O ciclo de 25.772 anos é apenas em teoria.

O ciclo de precessão determina quando ocorre o periélio orbital ou a época do ano em que a Terra está mais próxima do Sol (veja a Figura 2). Atualmente, o periélio ocorre em janeiro. Isso significa que atualmente o Hemisfério Norte recebe 6,5% a mais de radiação solar (88 Watts/m²) no meio do inverno do que no verão. Isso torna a variação sazonal da temperatura do ar abaixo do normal, o que reduz os eventos climáticos extremos. É o contrário no Hemisfério Sul. Assim, agora seus invernos são mais frios que o normal e os verões mais quentes, aumentando seus extremos climáticos. Quando isso acontecer, daqui a aproximadamente 10 mil anos, o Hemisfério Norte terá verões e invernos extremos e o Hemisfério Sul ficará mais calmo. O último efeito máximo do Hemisfério Norte foi entre 12 mil e 10 mil BP no final do período frio Dryas recente. O Ótimo Termal do Holoceno (aproximadamente 9500 a 5000 BP) ocorreu quando a Terra se moveu da posição mais baixa na Figura 2 para a posição à esquerda. O longo período de resfriamento desde então, até os dias atuais, ocorreu quando a Terra se moveu da posição à esquerda para a sua posição atual, com periélio em janeiro. As datas na figura são aproximadas.


Figura 2

É interessante que Tarling (2010) conclua que “a radiação solar é, portanto, a força motriz das mudanças climáticas terrestres durante os últimos 1-2 milhões de anos, como sugerido por Milankovitch (1941) e apoiado por Hays et al. (1976), mas são as influências gravitacionais planetárias no próprio Sol que causam a periodicidade dominante de 100 mil anos no clima da Terra durante os últimos 1-2 milhões de anos.”

Alterar a elipticidade da órbita da Terra altera as quantidades mínima e máxima de radiação solar que atingem a Terra. Alterar a época do ano em que o periélio ocorre durante o ciclo de precessão não altera a TSI (Irradiância Solar Total), mas altera os extremos do verão e do inverno. Essa chamada “mudança latitudinal” na insolação pode ter um enorme efeito no clima hemisférico, alguns acreditam que a radiação total que atinge a Terra a 65° N de latitude é crítica para o crescimento e a deterioração das camadas glaciais de gelo.

No gráfico do registro completo dos núcleos de gelo de Vostok, no canto superior esquerdo, você pode ver que o gráfico do meio (concentração de dióxido de carbono, linha verde) fica um pouco atrás da temperatura em cerca de 800 anos. Isso sugere que as mudanças de temperatura podem causar as mudanças no dióxido de carbono, e não o contrário. A concentração de poeira no ar (linha vermelha) aumenta quando o mundo está mais frio, porque nos períodos frios também é mais seco. Um dos principais motivos pelos quais os períodos mais frios são um problema é que eles são acompanhados de secas.

Ao lado do registro completo de Vostok, há uma reconstrução do registro das temperaturas nos últimos 600 milhões de anos. Hoje, as temperaturas são mais baixas do que há mais de 250 milhões de anos, de acordo com esses dados. O gráfico grande abaixo é a temperatura real da Groenlândia Central, calculada pelo Projeto da Placa de Gelo da Groenlândia (GISP).

Mais recentemente, tanto o registro de Vostok quanto o registro da Groenlândia Central de Alley, et al., mostram uma tendência decrescente de temperatura desde o Período Quente Minoico, em torno de 3400 BP. A tendência é mais sutil no registro antártico do que no registro da Groenlândia. Alterações de curto prazo nos registros de temperatura não se correlacionam bem. Mas, o aquecimento Dryas recente, um longo período quente e plano até cerca de 3400 BP (Ótimo Termal do Holoceno) e depois o resfriamento até os dias atuais são evidentes nos dois registros. As datas de início e término do Ótimo Termal do Holoceno marcadas na linha do tempo são o melhor palpite. Não há datas acordadas. Muitas datas de início e término são vistas na literatura. As tendências de longo prazo que se correlacionam entre o Ártico e a Antártica provavelmente são devidas a eventos externos, como mudanças na Irradiância Solar Total (TSI) ou certas alterações orbitais.

Eventos de Bond

Logo abaixo dos registros dos núcleos de gelo da Groenlândia Central, alguns dos eventos de resfriamento de Bond são observados. Os eventos de resfriamento de Bond têm uma média de 1470 anos ± 500 anos de diferença e alguns são mais dramáticos que outros. Os eventos há 8,2; 5,9; 4,2 e 2,8 mil anos foram eventos importantes, com resfriamentos dramáticos, e perturbaram a civilização em todo o mundo. Alguns eventos climáticos importantes, como o evento climático 3177 BP, que terminou com a Idade do Bronze no Mediterrâneo, estão um pouco fora dos eventos de Bond, mas parecem relacionados. O momento das mudanças climáticas é impreciso. Alguns pesquisadores acreditam que a Pequena Era do Gelo foi um evento de Bond.

Durante a última Era Glacial, os registros dos núcleos de gelo da Groenlândia mostram eventos de mudanças climáticas chamados de eventos Dansgaard-Oeschger, ou “eventos D-O”. São eventos de aquecimento muito rápido, seguidos de um resfriamento mais lento, que ocorrem em um ciclo de aproximadamente 1470 anos ± 12%. Esses eventos são provavelmente o período glacial equivalente aos eventos de Bond. Eles têm um tempo semelhante, mas o efeito climático é diferente, ou, talvez, os eventos sejam os mesmos, mas o registro mostra um aquecimento mais fácil durante uma glaciação. Como o tempo desses eventos permanece praticamente o mesmo durante Eras Glaciais e Interglaciais, a variabilidade solar é a causa provável. É improvável que oscilações internas devido a padrões de circulação oceânica, etc., permaneçam estáveis nesses períodos, à medida que a Terra passa do estado Glacial para o estado Interglacial.

Nos tempos modernos, o resfriamento é mais perceptível que o aquecimento. O resfriamento e a seca são simplesmente mais perturbadores do que o aquecimento. Isto é particularmente verdade no Saara. Há cerca de 10 mil anos atrás, o periélio (a Terra mais próxima do Sol) ocorreu no verão do Hemisfério Norte e os verões eram mais quentes e úmidos do que vemos hoje. Este foi o começo do Ótimo Termal do Holoceno acima mencionado. Durante esse período, o Saara se tornou uma savana. Isso é chamado de Período Úmido Africano (AHP). O AHP terminou entre 5900 e 4000 BP, quando o Saara voltou a ser um deserto e quando o clima começou a esfriar. No final do período, a progressiva dessecação da região levou a migrações generalizadas e ao abandono de muitas aldeias do norte da África. Esse êxodo coincidiu com a ascensão da vida sedentária e da cultura dos faraós ao longo do rio Nilo.

Nível do mar

Movendo-se para a direita do mapa do Último Máximo Glacial, na parte inferior esquerda do pôster, você pode ver a versão de um artista (Robert Rohde) da elevação do nível do mar eustático global depois que as geleiras começaram a derreter. Os dados usados para fazer o gráfico são de várias fontes listadas no site original. As primeiras evidências bem documentadas da civilização humana datam do meio do aumento mais rápido do nível do mar nesse período, há aproximadamente 12 mil BP, em Gobekli Tepe. De 11.500 BP para 11.000 BP, o nível do mar subiu surpreendentes 28 metros (Meltwater Pulse 1B) ou 6 cm/ano, em média. Isso é superior a 5,5 metros em 100 anos! De acordo com o Grupo de Pesquisa do Nível do Mar da Universidade do Colorado, a taxa atual de aumento do nível do mar é de cerca de 33 cm por 100 anos ou 3,3 mm por ano, muito menos dramática.

As primeiras evidências da civilização

Gobekli Tepe fica perto de Urfa, no sul da Turquia. Este local mede cerca de 300 metros por 300 metros e contém pedras esculpidas com complexidade. É anterior a Stonehenge e às primeiras pirâmides egípcias em 7.400 anos. A construção em Gobekli Tepe começou durante o “Grande Resfriamento” de Yasger Dryas. O Dryas mais recente foi um retorno repentino e de curta duração (geologicamente falando, durou mais de 1.000 anos) de clima muito frio e seco, semelhante ao frio que existia no Último Máximo Glacial. O sítio de Gobekli Tepe é composto por vários monumentos circulares de pedra. Os pilares mais altos desses monumentos têm 5 metros de altura e pesam mais de 7 toneladas. Os anéis têm 20 metros de diâmetro e provavelmente têm significado religioso. A construção do local parece ter ocorrido durante um hiato no aumento do nível do mar entre 11.000 e 12.000 BP. Então, o local foi misteriosamente e deliberadamente enterrado por volta de 10.000 BP, durante um período de rápida elevação do nível do mar. As razões de sua construção e do enterro posterior não são conhecidas. Mas, provavelmente, pode-se especular com segurança que foi enterrado para protegê-lo e preservá-lo. Esta tarefa foi realizada, está notavelmente bem preservado.

É interessante que o trigo silvestre que cresce na área em torno de Gobekli Tepe seja um parente próximo, geneticamente, do trigo doméstico moderno. Pode-se especular que o fervor religioso inicial que causou a construção de Gobekli Tepe possa ter inspirado a agricultura. Afinal, a construção de um monumento religioso teria exigido que várias pessoas vivessem em um local por um longo tempo e não pudessem migrar em busca de comida.

A evidência mais antiga da agricultura organizada em larga escala é vista na região Leste do Oriente Médio, na atual Síria e Israel. Isso ocorreu há cerca de 13.000 BP. Existem alguns fragmentos de cerâmica preservados de 13.000 BP no Japão e talvez até mais antigos. Outros relataram que a cerâmica existia na China há 20.000 BP. No entanto, não há evidências de que a cerâmica japonesa ou a chinesa tenha vindo de agricultores sedentários. É possível que o arroz tenha sido cultivado em certa medida na China 13.900 BP. Ele desaparece do registro durante o período frio de Dryas recente e reaparece após 10.000 BP. O tipo de arroz que comemos hoje foi originalmente cultivado no vale do Yangtzé, na China, por volta de 8.200 BP.

Entre 13.000 e 14.000 BP, parece muito acontecer em vários sítios arqueológicos no Oriente Médio o seguinte: os edifícios melhoraram, as aldeias ficaram maiores e mais avançadas. Mas eles foram abandonados principalmente quando as temperaturas esfriaram durante o Dryas mais recente. Este período frio foi muito seco. Segundo Steven Mithen, poucos avanços na civilização humana ocorreram no período, as pessoas estavam apenas tentando sobreviver. Isso é evidente, já que os Natufianos tardios, que viveram durante o período Dryas mais recente, estavam em muito pior estado de saúde (menos dentes, muitas vezes com cáries) e menores que os Natufianos anteriores do período intersticial glacial tardio. Além disso, os ossos de animais em seus depósitos de lixo continham ossos de animais menores que no período anterior.

Quando os Natufianos começaram a construir pequenas aldeias, o clima no Leste era ideal, com abundantes precipitações e muito grão selvagem para colher. O clima mais frio e seco do Dryas recente fez com que alguns Natufianos abandonassem a vida nas aldeias. Outros começaram a cultivar os grãos mais intensamente molhando-os, poupando as melhores sementes para a próxima safra e assim por diante. Eles também inventaram melhores ferramentas agrícolas e silos para o armazenamento de grãos. Sabemos disso pelas escavações arqueológicas na área em torno de Jericó, em Israel.

Cidades maiores

A cultura B do Neolítico Pré-Cerâmico do Oriente Médio (PPNB) começou por volta de 9.500 BP. É um período significativo na história da civilização humana, porque nessa época o homem se tornava mais dependente de animais domesticados e organizava a agricultura em larga escala (além da família única). Também foi descoberto que a agricultura indiana mais antiga parece ter começado no vale do Indo e no Paquistão por volta de 10.000 BP. Conforme observado por Anil Gupta, o clima influenciou o início da revolução agrícola do homem.

À medida que a agricultura em larga escala se instalava e o clima melhorava, o homem começou a construir assentamentos maiores no Leste. Apareceram edifícios retangulares e comunidades maiores e mais organizadas. Gesso e cerâmica são vistos pela primeira vez no Oriente Médio neste momento, embora existam há milhares de anos na China e no Japão. Ryan e Pittman sugeriram que muitas pessoas de muitas culturas se reuniram em torno do Mar Negro (que era um lago de água doce na época) durante o Dryas mais recente, uma vez que era uma fonte confiável de água. Eles trocaram tecnologia e, quando o clima esquentou e a precipitação aumentou, eles retornaram às suas casas históricas trazendo o que haviam aprendido. Assim, a nova tecnologia PPNB pode ter começado quando as pessoas migraram de volta para o Leste da região do Mar Negro. Outros pesquisadores acreditam que a cerâmica, as novas culturas domesticadas e a tecnologia animal se espalharam para o Leste a partir do atual Irã. De qualquer forma, parece provável que a nova tecnologia típica do PPNB tenha vindo do Oriente.

O PPNB terminou com o evento de 8.200 anos BP, ou o evento Bond 5, este foi outro período repentino de frio que afetou a civilização e causou migrações massivas de pessoas em busca de comida e água. Esse período foi sem dúvida outro período de troca de tecnologia entre as culturas. Durante um período de 20 anos, as temperaturas esfriaram aproximadamente 3,3 °C na Groenlândia. Não era tão severo quanto o Dryas mais recente, mas ainda significativo. Durou de 200 a 400 anos. O fato de o Mar Negro ter se conectado ao Mediterrâneo por volta dessa época não está em disputa. Mas exatamente quando (8400 BP ou 7600 BP ou em vários episódios entre essas datas) é objeto de debate. Se o Mar Negro se encheu catastroficamente, como descrito por Ryan e Pitman, pode ter criado a lenda do Grande Dilúvio. Por exemplo, o dilúvio de Noé ou a história mais antiga de Gilgamesh.

Durante o período do PPNB, são encontradas evidências de assentamentos relativamente grandes. Catalhoyuk, uma cidade de 8.000 habitantes, existia perto da atual Cumra, na província de Konya, na Turquia. Esta era uma “cidade” grande e relativamente moderna que existia 9.400 BP.

Jericó, na Palestina ocupada por Israel, é frequentemente considerada a cidade continuamente ocupada mais antiga do mundo, mas Alepo e Damasco, na Síria, podem ser mais velhas. Restos de assentamentos precoces, aldeias com cerca de 500 pessoas, em Jericó, foram datadas em 11.600 BP. O primeiro tecido conhecido foi encontrado na caverna Nahal Hemar, em Israel. Tem cerca de 10.000 anos, foi encontrado com lançadeiras de ossos usadas para tecer o tecido. O pano era um tipo de linho e não de algodão; o algodão foi desenvolvido mais tarde na Índia.

Escrevendo

A escrita simples aparece em Jiahu, China há cerca de 9.200 anos e em Tartária, na Romênia, antes de 7400 anos atrás. Quer a escrita seja verdadeira ou não, é um assunto de debate, os símbolos nas tábuas da Tartária não foram traduzidos e podem ser uma história “ilustrada”. A escrita chinesa possui alguns símbolos semelhantes à escrita chinesa moderna. Como a escrita chinesa não é fonética, é difícil dizer onde a “escrita de figuras” para e a verdadeira escrita moderna começa.

A verdadeira escrita foi descoberta a partir de 5.500 BP na Síria, no período Uruk. Nessa época, cidades muito grandes já existiam e a cidade de Uruk tinha mais de 50.000 habitantes. O período Uruk foi caracterizado pela urbanização em larga escala, irrigação, estradas e canais. Pode ter começado já em 6.200 BP. O fim do período Sumer Uruk e o saque de Uruk por Sargon de Akkad formaram o Império Akkadian, que pode ter sido o primeiro império multinacional do mundo. O fim do império akkadiano, 100 a 200 anos depois, coincide com o terceiro evento de Bond, em 4.174 BP. Alguns pesquisadores acreditam que as mudanças climáticas, as temperaturas mais baixas e as condições mais áridas, tiveram um papel importante no colapso do império akkadiano. O evento de Bond de 4,2 mil anos é destacado em amarelo na linha do tempo.

Evento de Bond há 5,9 mil anos

Há cerca de 5.900 aC, o Saara se tornou um deserto. Este é o evento há 5,9 mil anos ou Bond 4. Este evento de resfriamento terminou o Império Ubaid e causou uma enorme migração de pessoas da região do Saara em busca de comida e água. Muitos migraram para o vale do Nilo, no Egito, para estar perto de um abastecimento de água confiável. Claussen et al., 1999 sugeriram que essa seca foi causada por um severo evento de resfriamento que ocorreu ao mesmo tempo. Ele conclui que temperaturas mais quentes causam mais evaporação e mais precipitação. O Saara nunca se recuperou deste evento. Mas, como a seca força as pessoas a entrar nos vales dos rios, cidades maiores são construídas e as sociedades se tornam mais complexas.

Após o final do evento há 5,9 mil anos e o final do Ótimo Termal do Holoceno, foram construídas as primeiras pirâmides egípcias, Stonehenge é construído na Inglaterra atual e as primeiras grandes cidades aparecem na Índia. As primeiras cidades maias aparecem por volta de 3.900 BP. Recentemente, algumas evidências foram descobertas de que a Índia pode ter tido uma cidade grande há 9.500 BP. Se isso for verdade, rivalizaria com Catalhoyuk em idade.

Evento de Bond há 4,2 mil anos

O evento de 4,2 mil anos foi um período muito frio no Ártico (Evento de Bond 3) e causou uma seca severa no Oriente Médio. Isso provavelmente causou o súbito colapso do antigo Reino Egípcio, a fome e a desordem social. Interrupções semelhantes ocorreram no Império Akkadiano, como observado acima, no Vale do Indo e na China. É interessante que as monções na Índia, que são essenciais para a agricultura no Vale do Indo, pararam entre 4.200 e 4.000 BP.

Por volta de 3.200 BP, as grandes civilizações da Idade do Bronze no Oriente Médio entraram em colapso ou foram interrompidas. Entre eles estavam o Minoico, o Micênico, o Hitita e o Novo Reino Egípcio. Esse súbito colapso foi provavelmente causado por “cataclismas climatológicos que afetaram todo o Mediterrâneo oriental” nas palavras de Itamar Singer, como descrito por Eric Cline em “1177 a.C.”. Pode-se dizer que essa seca e a fome foram de proporções bíblicas, o êxodo dos Hebreus e as famosas dez pragas do Egito ocorreram nessa época. Como Cline observa no posfácio de “1177 a.C.”, houve um século [na verdade 100 a 400 anos] de seca neste período, que causou fome, revolta, rebelião e guerra. O início dessa seca coincide com um período de resfriamento repentino e prolongado nos registros do gelo da Groenlândia Central. Em geral, a maioria das secas em grande escala nos últimos 18.000 anos parece estar associada ao resfriamento no Ártico. Este período de seca e frio marca o fim do Período Quente Minoico.

Idade das Trevas Grega

Após o colapso das culturas da Idade do Bronze, o Mediterrâneo entrou em um período chamado Idade Média Grega. Este é um hiato no desenvolvimento da civilização do Oriente Médio, que só acontece muito depois de 2.800 BP. O primeiro alfabeto fonético provavelmente foi criado pouco antes desse período pelos fenícios. Pouco se vê da escrita ou do alfabeto durante essa Idade das Trevas, mas floresce de várias formas à medida que o Período Quente Romano se desenrola. Este alfabeto foi usado, com alterações, pelos gregos e romanos. Foi o começo da escrita moderna no Ocidente.

Brandon Drake (2012) descreve bem esse período: “Um aumento acentuado nas temperaturas do Hemisfério Norte precedeu o colapso dos centros palacianos [minoicos]; ocorreu uma queda acentuada durante seu abandono. As temperaturas da superfície do mar Mediterrâneo esfriaram rapidamente durante o final da Idade do Bronze, limitando o fluxo de água doce na atmosfera e reduzindo a precipitação. Essas mudanças climáticas podem ter afetado os centros palacianos que dependiam de altos níveis de produtividade agrícola. Os declínios na produção agrícola tornariam insustentáveis as populações de maior densidade nos centros palacianos. A ‘Idade das Trevas Gregas’ que se seguiu ocorreu durante condições áridas prolongadas, durou até o Período Quente Romano”.

A Idade do Ferro

Este é o tempo da dinastia Xia na China, 4.070 a 3.600 BP. Essa parte da história chinesa está mal documentada, mas os canais e a irrigação das culturas existiam na época. É seguida pela dinastia Shang, que existiu de 3.600 a cerca de 3.050 BP. A verdadeira escrita chinesa começou durante a dinastia Shang. É a primeira dinastia com um registro escrito. Eles também tinham um calendário preciso. A dinastia Shang utilizou extensivamente o bronze. Há especulações de que tanto o vulcanismo quanto as mudanças do clima apressaram o fim da dinastia Shang, mas nenhuma evidência firme foi encontrada para apoiar isso. Provavelmente, o rei Shang final, que era bastante corrupto e muito impopular, foi derrubado com a ajuda do exército da província de Zhou.

Parece que mais aconteceu no subcontinente indiano durante esse período. Pouco se sabe sobre os reinos e cidades-estados do vale do Indo antes de 3.200 BP. Mas depois disso, muita coisa aconteceu durante a ascensão do Reino Kuru (3.200 a 2.850 aC), que marcou o início da Idade do Ferro na Índia. Os artefatos e fornos de ferro na Índia foram datados entre 3.800 e 3.000 BP. Os primeiros artefatos de ferro no Oriente Médio são algumas contas de ferro egípcias datadas de 5.200 BP, mas elas parecem ter sido feitas de um meteorito de ferro. A fundição de ferro real no Oriente Médio provavelmente não começou até 4.000 BP, por isso provavelmente começou lá aproximadamente na mesma época que na Índia.

Os assentamentos maias começam a aparecer cerca de 4.700 BP em Belize. As primeiras cidades maias bem estabelecidas (ou grandes assentamentos) datam de 3.800 BP em Soconusco, no México. Isso está próximo do início do período frio na Idade do Ferro. No entanto, a evidência de uma verdadeira civilização maia não aparece até 2.900 BP. A primeira história escrita Maia data de 2.350 BP. Este é também o momento das primeiras cidades de grande porte e do significativo desenvolvimento intelectual e artístico. A ascensão da civilização maia é aproximadamente a mesma época da ascensão de Roma no Mediterrâneo. A idade de ouro maia foi de 1700 a 1200 BP. A civilização maia de repente entrou em colapso em torno de 1100 BP durante um período frio e muito seco na América Central. DeMenocal fornece evidências de uma seca severa de 200 anos, entre 800 dC e 1000 dC, na península mexicana de Yucatán. O colapso maia está algumas centenas de anos fora de sincronia com os do Mediterrâneo, sugerindo que grandes mudanças climáticas não ocorreram ao mesmo tempo na América do Norte e no Oriente Médio.

Período Quente Romano

Quando entramos no Período Quente Romano, há aproximadamente 2.400 aC, civilizações robustas se desenvolveram nas Américas, no Mediterrâneo, na China e na Índia. Quando Alexandre invadiu a Índia (2.326 BP), eles tinham uma civilização muito avançada. As principais cidades existiam na Índia antes de 4.100 da BP, mas a história não está bem estabelecida até cerca de 2.400 da BP. Este período quente marca verdadeiramente o início da civilização moderna, registros escritos documentam todos os principais eventos na maior parte do mundo desde esse tempo. Os escritos desta época sugerem que as temperaturas durante o Período Quente Romano eram comparáveis às temperaturas atuais.

Idade das Trevas da Europa

Normalmente, o final do Período Quente Romano se deu cerca de 450 aC (1.550 BP), quando a temperatura da Groenlândia Central resfria quase 2 °C, de 1.500 a 1.200 aC, a altura da Idade das Trevas na Europa. É interessante que a pior mega seca da região da Califórnia e Nevada tenha durado de 832 a 1074 dC, logo no final da Idade das Trevas, de acordo com um estudo recente. Desprat et al., 2003, identificam um período muito frio de 450 a 950 dC.

Período Quente Medieval

O Período Quente Medieval se deu entre 950 dC e 1250 dC ou entre 1050 e 750 BP. No início deste período, as temperaturas na Groenlândia Central aumentaram quase 2 °C em pouco mais de 200 anos. Isso foi bastante bem documentado como um evento mundial. Não se sabe qual era a temperatura média global durante o período e se o mundo como um todo estava mais quente do que agora. Mas, certamente em áreas onde temos registros, como Groenlândia, Reino Unido e China, as temperaturas eram comparáveis às de hoje e, em alguns casos, mais quentes.

Pequena Era do Gelo

A Pequena Era do Gelo não foi uma Era do Gelo verdadeira, mas um período mais frio após o final do Período Quente Medieval. Considera-se geralmente ter começado em 1350 dC e terminado em 1850 dC. Na Groenlândia Central, as temperaturas caem cerca de 1,5 °C, de 964 BP para 597 BP (1036-1403 dC). Não fazia frio durante todo o período anterior, mas a Pequena Era do Gelo viu muitos períodos muito frios, desde a grande fome de 1315 até o famoso ano sem verão (1816), o porto de Nova York congelou completamente em 1780, os nórdicos nas colônias na Groenlândia morreram de fome e foram abandonadas nos anos 1300. Um estudo recente observa várias secas na Europa durante a Pequena Era do Gelo. Isso ocorreu em 1540, 1590, 1626 e 1719 dC, além de uma seca especialmente intensa entre 1437 e 1473 dC. Os tempos mais frios são os piores.

Período Quente Moderno

O Período Quente Moderno começa por volta de 1850 dC, que é também o momento em que as pessoas começaram a gravar e a coletar sistematicamente dados da temperatura do ar na superfície de todo o mundo. Essas temperaturas eram irregulares no início, mas em meados do século 20 um banco de dados de temperaturas mundial razoavelmente bom estava se desenvolvendo. Finalmente, em 1979, foram lançados satélites que poderiam fornecer um registro de temperatura da troposfera mais baixa, razoavelmente preciso e completo, em quase todo o mundo. Uma discussão sobre a precisão das medições de temperatura dos satélites pode ser encontrada em links no artigo original. No pôster, no canto inferior direito, os dois conjuntos de dados são mostrados. O conjunto de dados de satélite é do UAH MSU e os dados de temperatura da superfície mostrados são do conjunto de dados HADCrut. As temperaturas dos satélites mostram um aquecimento de 0,35 °C de 1979 até o presente. Isso não é particularmente significativo para os padrões históricos.

O período de 1850 a 1979 não está bem documentado globalmente e os registros usados para construir a média da temperatura da superfície global foram editados significativamente, levantando dúvidas sobre sua precisão. Eles mostram um aquecimento de pouco menos de 1 °C em um período de 165 anos. Isso não é incomum para os padrões históricos. Durante este período de tempo, foi observado um aquecimento de mais de 13 °C no final do Dryas recente, nos núcleos de gelo da Groenlândia Central. No mesmo núcleo, o início do Ótimo Termal do Holoceno viu um aquecimento de 5 °C em menos de 800 anos.

Conclusões

Correlação não é causalidade, mas muitos, se não todos, os piores momentos do homem desde o Último Máximo Glacial ocorreram durante os períodos mais frios e secos. Muitas vezes, esses tempos eram agravados pelas guerras, como na Idade das Trevas Grega, na derrocada de Roma, no colapso do Império Akkadiano, etc.. O clima mais frio e árido poderia ter sido parte da causa das guerras. Vamos para a guerra quando estamos famintos e com sede. Mais importante, não encontrou-se evidências de uma crise devida ao aquecimento.

Dado que o dióxido de carbono produzido pelo homem é um fenômeno muito recente, as mudanças climáticas radicais anteriores a 200 anos atrás não podem ser atribuídas à influência do homem. Elas devem ser naturais. O recente aquecimento de 0,85 °C de 1880 a 2012 é bem pequeno comparado a outras mudanças de temperatura no Holoceno. Está claro na história que as forças naturais podem causar mudanças climáticas significativas. Também está claro que as secas geralmente estão associadas a períodos mais frios, e não a períodos mais quentes. Algumas mudanças climáticas são provavelmente devidas a variações na órbita da Terra, mas algumas podem ser devidas a variações na TSI (Irradiância Solar Total) ou outras influências solares. Quanto é devido à natureza e quanto é devido ao homem é desconhecido.

Grande parte dos últimos 18.000 anos é caracterizada por um aumento mais rápido do nível do mar do que vemos hoje. A atual elevação do nível do mar é muito lenta em relação ao passado e somos indiscutivelmente mais adaptáveis devido à tecnologia moderna.

Nas palavras do professor Steven Mithen (página 507), “prevê-se que o próximo século de aquecimento global causado pelo homem seja muito menos extremo do que o ocorrido em 9600 aC [11.600 aC]. No final da Yasger Dryas, a temperatura global média subiu 7 °C em cinquenta anos, considerando que o aumento previsto para os próximos cem anos é inferior a 3 °C. O fim da última Era Glacial levou a um aumento de 120 metros no nível do mar, enquanto o previsto para os próximos cinquenta anos é insignificante, no máximo 32 centímetros, …”

O post acima é uma tradução livre do artigo publicado por Andy May em 29 de novembro de 2015 no blog Watts Up With That. Para ver o original, clique aqui.

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Os seres humanos podem sobreviver debaixo d’água

Dallas – As últimas notícias alarmantes sobre as mudanças climáticas são que enormes extensões de terra densamente habitadas estarão submersas em 2050, com suas cidades “apagadas” dos mapas. Esses relatórios – que apareceram no The New York Times e em muitos outros meios de comunicação – baseiam-se em um bom trabalho de pesquisa de cientistas da Central do Clima, mas eles entenderam errado a estória.

Isso faz parte de um padrão prejudicial. As mudanças climáticas são um problema criado pelo homem que precisamos resolver, mas muitas das notícias sobre seus supostos efeitos estão nos assustando sem justificativa e nos enganando sobre como agir.

O artigo, publicado no mês passado na Nature Communications, mostra que as estimativas anteriores do impacto do aumento do nível do mar estavam erradas, porque se baseavam em medições do nível do solo que às vezes incluíam erroneamente a altura das árvores ou das casas. Em outras palavras, a vulnerabilidade ao aumento do nível do mar foi subestimada. Isso é importante.

Mas a mídia usou isso para criar uma visão distópica de 2050. O Times publicou um mapa aterrador mostrando que o sul do Vietnã “quase desaparecerá” porque estará “debaixo d’água na maré alta”. O Times disse aos leitores: “Mais de 20 milhões de pessoas no Vietnã, quase um quarto da população, vivem em terras que serão inundadas”. E alertou para efeitos semelhantes em todo o mundo.

Esta notícia se tornou viral. Bill McKibben, fundador da organização ambiental 350.org, tuitou que “As mudanças climáticas estão encolhendo o planeta da maneira mais assustadora possível”. O cientista climático Peter Kalmus disse que já se preocupou em “ser rotulado como ‘alarmista'”, mas notícias como essa o fizeram adotar o termo.

O que a mídia deixou de mencionar é que a situação no sul do Vietnã hoje é quase idêntica à situação projetada para 2050.

As pessoas no delta do rio Mekong literalmente vivem na água. A área é habitada há gerações porque é incrivelmente fértil e, com o tempo, as pessoas passaram a proteger as terras com diques. Na província de An Giang, no sul do Vietnã, quase todas as terras não montanhosas são protegidas dessa maneira. De fato, é “subaquático” da mesma forma que grande parte da Holanda: ali, grandes áreas de terra, incluindo Schiphol, um dos aeroportos mais movimentados do mundo, estão abaixo do nível do mar na maré alta. Em Londres, quase um milhão de pessoas vivem abaixo da marca da maré alta. Mas ninguém na Holanda, em Londres ou no delta do Rio Mekong precisa de equipamento de mergulho para se locomover, porque a humanidade se adaptou com infraestrutura que fornece proteção contra inundações.

Os autores do estudo mencionam em sua introdução que “as defesas costeiras não foram consideradas” em sua abordagem. Isso é bom para um artigo acadêmico – mas é absolutamente uma tolice a mídia usar essas teses para apoiar reivindicações de “20 milhões de pessoas debaixo d’água”.

De fato, o estudo mostra que 110 milhões de pessoas em todo o mundo já podem ser consideradas como “debaixo d’água”. Quase todas elas estão bem protegidas. A verdadeira história aqui é o triunfo da engenhosidade e da adaptação.

Até 2050, dizem os autores, mais 40 milhões de pessoas estarão vivendo abaixo da linha da maré alta, elevando o total global para 150 milhões. Outras pesquisas mostram claramente que seremos capazes de proteger quase todos eles. Lembre-se de que o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas das Nações Unidas estimou que o impacto total de todos os aspectos negativos do aquecimento global na década de 2070 será equivalente à uma perda para a sociedade de entre 0,2% a 2% da renda – e então, os cenários padrão da ONU sugerem que será de 300 a 500% mais rica. Portanto, ter mais 40 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da maré alta representa um ligeiro aumento de um desafio que nós já mostramos ser plenamente capazes de enfrentar, em um mundo que será muito mais rico e mais resiliente.

As mudanças climáticas são um problema que precisamos resolver, e devemos estar particularmente atentos a como isso afetará os mais pobres da sociedade. Mas a história maior, e não relatada, é que as políticas climáticas de hoje farão muito pouco para resolver o “desafio” de mais pessoas que viverão abaixo da linha da maré alta.

No sul do Vietnã, a diferença entre implementar uma política climática extremamente robusta que limitaria o aumento da temperatura média global a menos de 2 °C e embarcar na mais ultrajante farra de combustíveis fósseis é quase nula, mesmo ao final do século. E globalmente, o caminho mais extremo para a política climática – custando literalmente milhares de trilhões de dólares – reduzirá o número de pessoas que vivem “debaixo d’água” em apenas 18%, em comparação com um cenário sem política climática.

Mesmo quando lemos estórias dos principais meios de comunicação do mundo, precisamos manter a perspectiva. As mortes por causas relacionadas ao clima (inundações, furacões, secas, incêndios e temperaturas extremas) diminuíram 95% nos últimos cem anos. Além disso, apesar da constante enxurrada de reivindicações de que a crise climática global está saindo de controle, o custo do clima extremo, como proporção do PIB, vem diminuindo desde 1990.

Histórias alarmantes da mídia que distorcem os fatos sobre o aumento do nível do mar são perigosas porque assustam as pessoas desnecessariamente e pressionam os formuladores de políticas a tomar medidas excessivamente caras para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A solução real é tirar os mais pobres do mundo da pobreza e protegê-los com uma infraestrutura simples.

O texto acima é uma tradução livre de artigo de Bjørn Lomborg publicado pelo Project Syndicate em 21/11/2019. Para ver o original, clique aqui.

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O ambientalista simplório

Há um certo tipo de ambientalista que quer sol na eira e chuva no nabal. Que não aceita menos do que um mundo perfeito. Um mundo com azeite barato, mas sem olivais intensivos; com carros elétricos, mas sem prospeção de lítio; com energias renováveis, mas sem barragens nem eólicas; com floresta, desde que seja a do Capuchinho Vermelho. Um mundo que não existe

O ambientalista simplório quer acabar com os combustíveis fósseis. Quer energia limpa, sem emissões de gases com efeito de estufa. Mas não quer barragens, porque as barragens destroem ecossistemas. Não quer eólicas, porque as “ventoinhas” estragam paisagens e perturbam os animais. Não quer energia nuclear, porque produz lixo radioativo.

O ambientalista simplório quer florestas, porque precisamos de árvores para absorver dióxido de carbono da atmosfera. Mas quer escolher as árvores. Não quer eucaliptos, não quer floresta de produção. Quer a floresta do Capuchinho Vermelho, porque sempre viveu na cidade e julga que as florestas são assim. Quer dizer a cada proprietário o que pode plantar e ainda obrigá-lo a tratar do terreno, num serviço gratuito, abnegado, para benefício da “sociedade”.

O ambientalista simplório grita “oiçam os cientistas”, quando os cientistas lhe dizem o que ele quer ouvir. “Oiçam os cientistas: estamos a destruir o planeta com as alterações climáticas”. Mas, quando os mesmos cientistas dizem que “os transgénicos não fazem mal nenhum e podem ser uma mais-valia para o ambiente e para a humanidade”, o ambientalista simplório berra: “Os cientistas estão a soldo das multinacionais”.

O ambientalista simplório quer agricultura biológica, porque não gosta de “químicos”. Mas esquece-se de que tudo são químicos, do oxigénio que respira ao sulfato de cobre usado, tal como centenas de outros produtos “naturais”, na agricultura biológica. Esquece-se de que a agricultura biológica precisa de mais espaço, valioso espaço, para produzir a mesma quantidade que a agricultura convencional, e que esse espaço terá de ser ganho à custa da desflorestação.

O ambientalista simplório quer que toda a gente se torne vegetariana, ou vegan, e acabar com a produção animal. Mas ignora que sem produção animal todo o fertilizante usado para cultivar os seus vegetais terá de ser artificial, e “ai, Deus nos livre dos químicos”.

O ambientalista simplório quer acabar com os jardins zoológicos, porque, não, os animais não podem estar em cativeiro, fechados a vida toda num espaço limitado. Mas abre uma exceção para gatos e cães (e coelhos, vá), menos animais do que os outros. Esses podem viver quase desde que nascem até ao dia em que morrem trancados num apartamento de 50 metros quadrados, que é para o bem deles.

O ambientalista simplório é contra o desperdício alimentar. Mas não quer conservantes na comida nem delícias do mar nem nada que seja feito com restos de comida.

O ambientalista simplório só cozinha com azeite, essa oitava maravilha para a saúde. Mas vocifera contra os olivais intensivos no Alentejo. Produzir azeite em grande quantidade é a única forma de lhe baixar o preço e torná-lo acessível a todos? Os pobres que comam bolos.

O ambientalista simplório chora a morte de cada rinoceronte e tigre. Mas defende com unhas e dentes a medicina tradicional chinesa que está por trás da perseguição a rinocerontes e tigres, para fazer pós milagrosos com os seus cornos e ossos – porque as medicinas alternativas são naturais e, lá está, o que é natural é bom (desde que não seja sal, cogumelos venenosos, arsénio, amianto, mercúrio, antraz, urtigas, malária, raios ultravioletas, etc., etc., etc.).

O ambientalista simplório faz campanhas para que se coma “fruta feia”, julgando que os agricultores mandam para o lixo tomates e maçãs que não interessam aos supermercados. Mas ignora que esses tomates e essas maçãs disformes se transformam em ketchup, sumos e outros produtos, que obviamente não são feitos com vegetais e fruta topo de gama.

O ambientalista simplório quer comer peixe. Mas não pode ser capturado no mar, porque a pesca não é sustentável, e não pode ser de aquacultura, porque tem antibióticos, e garantidamente não pode ser geneticamente modificado, porque viu um desconhecido no YouTube que dizia não sabe o quê, já não se lembra bem.

O ambientalista simplório quer que haja mais carros elétricos nas estradas. Mas é contra a prospeção de lítio, essa insustentável fonte de poluição do ar, dos solos, das águas, e escreve-o nas redes sociais, teclando furiosamente no seu telemóvel com bateria de lítio.

O texto acima é do jornalista português Luís Ribero. Para ver a publicação original, clique aqui. O texto foi lido pelo apresentador José Gomes Ferreira no início de uma edição do programa Negócios da Semana do canal SIC Notícias. Para ver o vídeo dessa edição, clique aqui. Um trecho desse vídeo viralizou nas últimas semanas entre os lusófonos.

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A humanidade não é “má”

Falando nas Nações Unidas, a ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, disse que se a humanidade realmente entende a ciência da mudança climática e ainda não age, somos “maus”. Isso ocorre porque a mudança climática significa “as pessoas estão morrendo”. Ela também nos disse o que devemos fazer para agir corretamente: em pouco mais de oito anos, teremos esgotado nossa provisão restante para emissões de carbono, portanto, devemos parar tudo que estiver funcionando com combustíveis fósseis até 2028.

Embora essa alegação não seja incomum, é fundamentalmente equivocada. Sim, o aquecimento global é real e causado pelo homem [afirmação com a qual não concordo], mas sua visão das mudanças climáticas como o fim do mundo não é suportada. O Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas estima que, na década de 2070, os efeitos totais das mudanças climáticas, inclusive nos ecossistemas, serão equivalentes a uma redução na renda média de 0,2 a 2%. Até então, cada pessoa no planeta estará 300 a 500% mais rica.

Não emitimos CO₂ com intenção maligna. De fato, é um subproduto de dar à humanidade acesso a quantidades sem precedentes de energia.

Há apenas um século atrás, a vida era devastadora. A energia abundante possibilitou uma vida melhor, sem ter que gastar horas coletando lenha, poluindo sua casa com fumaça, conseguindo calor, frio, transporte, luz, comida e oportunidades. A expectativa de vida dobrou. A energia abundante, principalmente de combustíveis fósseis, tirou mais de um bilhão de pessoas da pobreza nos últimos 25 anos.

Isso não é mau – é exatamente o contrário.

Thunberg acredita que as mudanças climáticas significam que as pessoas estão morrendo, mas o fato é que desastres relacionados ao clima, há apenas um século, matavam meio milhão de pessoas a cada ano. Hoje, apesar do aumento das temperaturas, mas devido à menor pobreza e maior resiliência, secas, inundações, furacões e temperaturas extremas matam apenas 20.000 pessoas a cada ano – uma redução de 95%. Essa é uma conquista moralmente louvável.

O fim do uso global de combustível fóssil até 2028 é um plano defeituoso, porque a energia verde simplesmente não está em um estágio em seu desenvolvimento onde pode assumir o que os combustíveis fósseis deixam para trás. Uma transição difícil por gancho ou trapaça causaria uma catástrofe real e global, enviando a maioria de nós de volta à pobreza devastadora. É por isso que os países em desenvolvimento, especialmente, querem mais energia para combustíveis fósseis, e não menos; eles querem elevar mais pessoas a uma vida confortável.

O que precisamos é de energia com baixo CO₂ que possa superar os combustíveis fósseis – o que faria com que todos, incluindo China e Índia, mudassem. Isso significa aumentar drasticamente o investimento global em pesquisa e desenvolvimento verde, algo que falhamos conspicuamente em décadas passadas, exatamente porque os ativistas sempre exigiram soluções antes de estarem prontos.

Finalmente, Thunberg nos diz que se não cortarmos os combustíveis fósseis até 2028, a geração jovem nunca nos perdoará. Isso, no entanto, reflete uma visão cega do primeiro mundo. Quando as Nações Unidas perguntaram a 10 milhões de pessoas em todo o mundo o que priorizam, destacaram cinco questões: saúde, educação, emprego, corrupção e nutrição. Em suma, eles se preocupam com os filhos que não morrem de doenças facilmente curáveis, obtendo uma educação decente e não morrendo de fome.

O clima chegou em último das 16 opções. Isso não é porque não é importante, mas porque para a maioria da humanidade, outras questões são muito mais prementes.

O problema é que o clima está superando cada vez mais todas as outras questões. Um terço de toda a ajuda ao desenvolvimento, por exemplo, agora é gasto em abordagens climáticas, desafiando diretamente as prioridades dos pobres do mundo.

Embora devamos abordar o clima por meio de investimentos mais altos em P&D em energia verde, parece mais verdadeiro dizer que a maioria dos jovens do mundo nunca nos perdoará se priorizarmos o clima acima do nosso dever de combater a pobreza, a saúde, a educação e a nutrição.

O texto acima é uma tradução livre de artigo de Bjørn Lomborg publicado no The Globe and Mail. Para ver o original, clique aqui.

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