A farsa do aquecimento global segundo Mário Villas Boas

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Allan Savory

Palestra do biólogo, ecologista e ambientalista Allan Savory na TED em fevereiro de 2013 sobre seu método de gerenciamento holístico para manejo e recuperação de pastagens degradadas. Segundo ele, nossa tábua de salvação…

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Especialistas do clima não são suficientemente claros, diz estudo

Autores analisaram linguagem dos resumos do IPCC de 1990 a 2014.

Cúpula do Clima de Paris (COP 21) ocorrerá em dezembro.

Os textos publicados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), cujas obras servem de referência para as negociações climáticas, não são suficientemente claros – lamentam os pesquisadores, temendo que essa falta de clareza prejudique a busca por um acordo na conferência de Paris.

“A ação global sobre as alterações climáticas fica seriamente prejudicada porque os conselhos do corpo científico do IPCC (…) são tão difíceis de compreender que é necessário ter um doutorado, no mínimo, para compreender as recomendações”, disse em declaração Ralf Barkemeyer, professor da escola de administração francesa Kedge Business School, que liderou o estudo publicado na segunda-feira pela revista “Nature Climate Change”.

“Se os governos não são capazes de compreender os fatos científicos que são apresentados, como podem esperar chegar a um consenso ou a uma decisão comum?”, questiona o pesquisador, a menos de dois meses para a Conferência do Clima de Paris, que ocorrerá de 30 de novembro a 11 de dezembro.

O IPCC publica a cada cinco anos um relatório acompanhado de um “resumo para os atores políticos”, síntese dos conhecimentos científicos com o objetivo de ser acessível a um público não especializado.

O IPCC “não cumpre sua missão, quando seus relatórios para os atores políticos são ilegíveis”, avalia Suraje Dessai, da Universidade de Leeds.

Os cinco autores do estudo (de França, Itália, Alemanha e Reino Unido) analisaram a linguagem utilizada nos resumos do IPCC de 1990 a 2014, com o auxílio de um algorítimo determinando a inteligibilidade de um texto segundo o tamanho das frases e a complexidade das palavras utilizadas.

Paralelamente, eles estudaram o tratamento do assunto em diferentes mídias.

‘Pouca clareza’

A “pouca clareza” dos resumos do IPCC “foi relativamente constatada a despeito dos esforços do grupo para consolidar e adaptar sua política de comunicação”, constatam os autores.

A clareza do resumo do primeiro relatório foi “consideravelmente superior” à dos últimos, contudo. Uma evolução que reflete talvez a “complexidade crescente” dos conhecimentos científicos. Ou o postulado de que o leitor de hoje “tem um nível de conhecimento mais elevado”.

Segundo a pesquisa, há “uma forte correlação entre o clima político e a clareza dos resumos destinados aos atores políticos. Quando as tensões e os desacordos políticos são importantes (…), a clareza diminui”, ressaltam.

Ao contrário, na mídia, a cobertura feita pelos jornais “científicos e de qualidade tornou-se cada vez mais clara e emocional”, notaram os pesquisadores.

O tom adotado pelas publicações científicas, jornais “de qualidade” e tabloides é “mais pessimista do que os resumos do IPCC”, apontam os autores do estudo.

Notícia da France Presse publicada hoje no G1.

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Não podem prever um furacão, mas o aquecimento global é uma certeza?

O tempo [em termos meteorológicos] e o clima não são a mesma coisa. De acordo com a NASA, o tempo representa as condições atmosféricas em um curto período de tempo [em termos cronológicos] e o clima é observado ao longo de períodos relativamente longos de tempo. Ambos, no entanto, usam modelos computadorizados ao tentar fazer suas previsões.

Como o site Climate.gov da NOAA explica, “modelos ajudam-nos a trabalhar com problemas complicados e a entender sistemas complexos”. De fato, o tempo e o clima são incrivelmente complexos, influenciados pelo Sol, pelo ar, pelo mar, pelas terras, etc..

Portanto, não é surpresa que a previsão da rota de um furacão, que considera o tempo, que é de curto prazo, seja bastante desafiadora. Abaixo está uma imagem composta de múltiplas previsões de modelos computadorizados para a tempestade tropical Joaquim, pouco antes de converter-se em um furacão. Esta imagem é do site Tropical Tidbits, um repositório bem organizado de informações sobre tempestades.

Joaquim

Cada linha representa uma previsão diferente, baseada em um modelo computadorizado particular. Cada modelo faz a sua análise dos dados de maneira diferente, com diferentes pesos atribuídos para cada um dos dados, e, por conseguinte, o que se observa é essa variabilidade. Assim como uma previsão do resultado de um jogo de futebol da NFL, com diferentes pesos atribuídos ao ataque, à defesa, aos treinadores, aos quarterbacks ou quaisquer outros aspectos das equipes.

O que é óbvio é que não existe um “consenso”, um termo muito usado nas discussões sobre as mudanças climáticas. Um modelo prevê que a tempestade Joaquim vai se abater e liquidar a Carolina do Sul. Outro modelo prevê que a tempestade vai visitar o Kentucky, e em seguida, em direção ao norte, passará através de Indiana e Michigan, para finalmente esmorecer-se sobre a Baía de Hudson, no norte do Canadá. A maioria dos modelos prevê que a tempestade passará por algum lugar da costa leste entre as Carolinas e o Maine. Um modelo prevê que a tempestade irá para o mar, e em seguida, voltar-se-á para a Terra Nova.

A previsão do Weather Channel abaixo parece um prato de espaguete, com linhas representativas destinando a tempestade em quase todos os lugares da costa leste, e algumas saindo para o mar.

Joaquim 2

E então, o que vai ser? Aonde o furacão vai passar? Será que Chris Christie estará dando outro “abraço de homem” no presidente Obama na próxima semana? Será que a casa de praia / mansão de John Kerry em Nantucket será engolida pela maré da tempestade? Isso tudo vai se desdobrar na próxima semana, e não em 30 ou 50 ou 100 anos.

No entanto, os modelos computadorizados estão por aí, em toda parte. Literalmente. Sim, o tempo é diferente do clima, mas ambos se envolvem com essas previsões baseadas em modelos computadorizados. O tempo estará acontecendo amanhã ou na próxima semana. O clima estará acontecendo nas próximas décadas. Se as previsões de curto prazo são tão difíceis, por que as previsões de longo prazo seriam mais fáceis?

É muito mais simples prever os participantes do Super Bowl e o vencedor em 2016 do que em 2066. Os dois candidatos presidenciais em 2016, ou daqui a 80 anos, com candidatos que ainda nem nasceram.

No entanto, dão como certa as mudanças climáticas, como se estivessem muito além de qualquer dúvida ou questionamento. O presidente Obama e o Papa Francisco estão de acordo que “estamos vivendo em um momento crítico da história”.

É irônico que um furacão, que representa um perigo claro e presente para milhões de pessoas, seja tão imprevisível, e que todos concordem com isso. Se eu disser que o furacão Joaquim vai para o mar, serei chamado de “negador do furacão” e ameaçado de prisão? Não, isto está reservado para aqueles de nós que desafiarem, não o tempo da próxima semana, mas o clima daqui a um século.

O post acima é uma tradução livre do artigo de Brian C. Joondeph, médico cirurgião de retina baseado em Denver e escritor, publicado no blog American Thinker. Para ver o original, clique aqui

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Como diminuir a pegada humana: e como voltar à natureza seria um desastre para a natureza

Matt Ridley

Bizarramente, a maioria das políticas instadas pelo movimento ambientalista aumentaria a extensão de terra que cada pessoa precisa para sustentar seu estilo de vida.

Para sustentar nosso estilo de vida atual, nós seres humanos necessitamos de 1,4 planetas. Esse é o número calculado por uma misteriosa organização chamada Global Footprint Network, que define a pegada ecológica como “uma medida da quantidade de terra biologicamente produtiva e água que um indivíduo, uma população ou atividade requer para produzir todos os recursos que consomem e para absorver o lixo que produzem utilizando a tecnologia predominante e práticas de gestão de recursos”. Em resumo, estamos consumindo a comida, os combustíveis e as fibras da terra a uma velocidade 1,4 vezes mais rápida do que eles podem ser repostos.

Na verdade, este número é enganador, quase ao ponto da desonestidade. Mais da metade dele consiste da terra que cada pessoa necessitaria para plantar árvores com as quais absorveria suas próprias emissões de carbono. Se for levada em consideração a visão de que podemos cortar as emissões, ou encontrar maneiras melhores de isolá-las, ou até mesmo lidar com pelo menos algum aumento, então a pegada diminui e estamos vivendo folgadamente dentro das condições do nosso meio ecológico.

Mesmo se esse número da pegada estiver certo, a questão interessante é se ele está ficando maior ou menor. Argumentarei que a pegada ecológica da atividade humana provavelmente está diminuindo em um ritmo acelerado e que estamos nos tornando mais sustentáveis, não menos, na maneira de usarmos o planeta. Em resumo, o mais sustentável que podemos fazer, e o melhor para o planeta, é acelerar as mudanças tecnológicas e o crescimento econômico.

Espero que tenha conseguido a sua atenção. Não acredita em mim? Então me deixe começar com o meu próprio estilo de vida. Estou sentado em uma casa com aquecimento central, vestindo um casaco de tecido sintético, meias de lã, sapatos de couro e calças e camisa de algodão. Acabei de comer uma tigela de cereais com leite e tomei um copo de suco de manga e maracujá importados.

Você concordará que, em termos ecológicos, esta vida é a mais infame que se possa imaginar. Poços de gás e petróleo, campos de algodão e de aveia, pastos para o gado e as ovelha, pomares de maracujá e de manga no mundo todo estão desviando a sua produção para mim. Acres e mais acres apenas para sustentar o meu estilo de vida.

Sim, mas suponha que eu desista de tudo isso e decida me tornar um caçador, vestido de pele de animais, possuindo pouco mais do que lenha, ferramentas de pedra feitas em casa, cestos de vime e contas de conchas. Caço veados enquanto minha esposa cava a terra à procura de raízes. De quanta terra eu precisaria? A resposta surpreendente é que eu precisaria de cerca de 1.000 hectares, exceto se eu vivesse em uma planície tropical bem irrigada à beira de um fecundo rio, mas se eu morasse – como, de fato, moro – onde uma vez foi uma fria floresta boreal de carvalhos. Essa é a extensão de terra que o estilo de vida do caçador requer. Se 6,8 bilhões de nós tentassem viver como caçadores, precisaríamos de 18 planetas (54 se não pudéssemos explorar o oceano). Voltar à natureza seria um desastre para a natureza.

Em poucas palavras, a coisa mais sustentável que podemos fazer, e o melhor para o planeta, é acelerar as mudanças tecnológicas e o crescimento econômico.

É claro, caçadores-coletores caminham pela terra com passos mais leves do que eu. Mas mesmo os amplamente dispersos caçadores de 50.000 anos atrás causaram muitos danos ecológicos. Os registros ecológicos de Israel, da Turquia e da Itália revelam que os primeiros seres humanos modernos em torno do Mediterrâneo deixaram de se alimentar de cavalos, rinocerontes, mamutes, bisões e tartarugas e passaram a comer coelhos, lebres, pombos e pequenas gazelas. Razão: eles haviam destruído as espécies de reprodução lenta. Caçadores-coletores causaram espasmos de extinção quando chegaram à Austrália, América do Norte, Madagascar e Nova Zelândia.

A característica mais notável da agricultura, quando esta foi inventada há 10.000 anos atrás, era o quanto a sua pegada era menor. Os primeiros agricultores precisavam de cerca de dez hectares cada para sustentar o seu estilo de vida – um centésimo do que o caçador-coletor precisava. Da mesma maneira, a introdução dos combustíveis fósseis, há 200 anos, diminuiu ainda mais a pegada e interrompeu o desflorestamento: nos anos 1700, a indústria de ferro britânica perecia pela falta de combustível (madeira) em uma ilha já muito desflorestada. Um século depois, a Grã-Bretanha estava queimando carvão equivalente à produção de uma floresta do tamanho da Escócia e as árvores estavam se propagando novamente.

Na verdade, de volta ao meu estilo de vida, cada item que eu uso hoje necessita de menos terra para ser produzido do que precisava no passado. Meu casaco sintético veio de um poço de petróleo, enquanto o suéter que eu costumava usar em dias frios como este veio de uma fazenda de ovelhas. A pegada do sistema de produção do tecido sintético – poço, refinaria, fábrica e loja – é minúscula se comparada com a terra necessária para a criação de ovelhas. Minhas meias, sapatos, camisa e o café da manhã precisam de cerca de metade da extensão de terra necessária para serem produzidos do que precisavam antes do surgimento dos fertilizantes sintéticos. Meu aquecimento central a gás precisa de muito menos do que uma fogueira.

Vamos dar uma olhada nos alimentos de maneira um pouco mais detalhada. Quando os campos eram cultivados com bois ou cavalos, que também precisavam de pasto, 25% a mais precisava ser reservado apenas para alimentá-los, de acordo com o especialista em energia canadense Vaclac Smil. A introdução do trator reduziu a pegada humana. Nos últimos 50 anos, graças às inovações da genética, os defensivos e os fertilizantes, a quantidade de cereais cultivados no mundo quase triplicou, mesmo que a extensão dos campos de cereais tenha permanecido praticamente a mesma – pouco menos de 700 mil hectares.

Se tentássemos alimentar a população atual de 6,8 bilhões de pessoas usando os métodos de 1960, teríamos que cultivar 82% da área de terra do planeta ao invés de 34%, calcula o economista Indur Goklany. Isso significaria lavrar uma área extra do tamanho da América do Sul sem o Chile.

A maior inovação de diminuição de terra de todas é a capacidade de extrair nitrogênio do ar através do processo de Haber. A agricultura orgânica tira o seu nitrogênio do ar também, mas através de plantas como o trevo e utilizando o gado no processo – e isso requer terra. Alimentar o mundo com agricultura orgânica exigiria uma população de mais sete bilhões de cabeças de gado pastando em 30 bilhões de acres a mais, apenas para suprir o adubo.

Mas deixemos de lado a comida. O mesmo ocorre com as fibras. Algodão, lã, seda e linho ainda exigem terra, mas suas produções dobraram desde a introdução dos fertilizantes sintéticos. Em muitos casos, eles deram lugar às fibras “fabricadas pelo homem”, provenientes de fontes mais eficientes. A extensão de terra necessária para vestir um homem ou uma mulher diminui continuamente.

Voltar à natureza seria um desastre para a natureza.

Similarmente, os combustíveis. Uma fogueira precisa de até dez acres de área florestal intensamente ceifada apenas para aquecer uma casa; mais se você cozinhar o ano todo. Um típico poço de gás de folhelho na Pensilvânia ocupa metade de um acre e produz 50.000 metros cúbicos por dia, o suficiente para aquecer 150 casas. Isso significa que a terra necessária para produzir o seu combustível pode ser 1/3000 do que seria se você dependesse da madeira. Por isso, uma das melhores maneiras de aliviar a pressão sobre as florestas na Ásia e na África é proporcionar combustíveis fósseis às pessoas – por exemplo, na forma de eletricidade.

O transporte também requer menos terra do que antigamente. Enquanto um cavalo precisa de mais de um acre de pasto e pode transportar uma pessoa 30 milhas por dia, um poço de petróleo na Califórnia produz, todos os dias, em menos de meio acre de extensão, gasolina suficiente para transportar 200 pessoas por 30 milhas. Mesmo se levarmos em conta estradas, pistas, refinarias e fábricas de automóveis, a diferença em passageiros-milhas por acre é esmagadora. Cada melhoramento na eficiência dos combustíveis é uma redução da extensão necessária para produzí-lo.

Moradia também requer menos terra do que antigamente: concreto e aço vêm de pedreiras e fábricas com pegadas minúsculas comparadas com as concessões madeireiras. Inclua o efeito da urbanização, com as pessoas deslocando-se para as cidades em um ritmo acelerado ao redor do mundo, e a extensão de terra necessária para abrigar cada pessoa está diminuindo.

Até para pequenos luxos como a luz artificial observa-se um declínio da necessidade de terra. Para manter sua casa iluminada com velas de sebo, cera de abelha ou óleo de espermacete das baleias, ou com as antigas lamparinas babilônicas queimando óleo de sésamo, requerer-se-iam muitos acres de pasto, flores ou solo oceânico. Agora só é necessário um buraco no chão: uma mina de carvão na superfície produz quase tanta eletricidade por acre quanto um campo de milho produziria em 2000 anos.

Então, meu ponto é simplesmente esse: a necessidade de terra do homem – medida em acres para produzir alimento, acres para produzir fibras, combustível, abrigo, iluminação – estão todas diminuindo cada vez mais, e vem diminuindo por um longo período de tempo. Como, então, é possível argumentar que estamos cada vez mais, e mais, insustentavelmente em dívida com o banco ecológico do planeta?

Para esta pergunta, você ouvirá três respostas comuns. Primeira: população. O explosivo aumento populacional em oito vezes nos últimos 200 anos foi maior do que a diminuição da necessidade de terra por pessoa. Segunda: recursos finitos. Só é possível produzir certa quantidade por acre queimando muito petróleo, carvão e gás, que são a energia solar armazenada de eras passadas, e irão logo esgotar-se. Terceira: poluição. O aumento da produção por acre foi alcançado às custas da poluição do ar, da água e das mudanças climáticas.

Quanto à população, é verdade que qualquer redução da terra usada por pessoa no século XX foi menor do que a quadruplicação da população. Suponha que o processo de Haber, no qual o nitrogênio é extraído do ar, nunca tivesse sido inventado. O século XX certamente teria assistido terríveis penúrias (e crescimento populacional muito menor). Suponha que os combustíveis fósseis não tivessem sido aproveitados no século XIX. A Revolução Industrial britânica teria sido interrompida assim que todos os córregos dos montes Peninos passassem a ser explorados com moinhos de água. Foi pela diminuição da extensão de terra necessária por pessoa alcançada por essas inovações e muitas outras que se tornou possível o imenso crescimento da população.

Esta é a versão do Paradoxo de Jevons, que recebeu o nome de um economista do século XIX, Stanley Jevons. Ele assinalou que, quando os produtos ficam mais baratos, as pessoas utilizam-se mais deles, de modo que a redução do preço da energia levou ao uso mais esbanjador da energia, enquanto o aumento da disponibilidade de alimento levou à sobrevivência de mais bebês. Hoje utilizamos os acres poupados para auxiliar-nos a acender a luz, dirigir Hummers, comer mangas e comprar mansões de uma maneira que impressionaria nossos frugais ancestrais.

Porém, bizarramente, graças a um fenômeno mundial conhecido como transição demográfica, quanto mais ricos, saudáveis e urbanizados nos tornamos, menos bebês nós temos. O ritmo do crescimento populacional têm tido uma diminuição tão abrupta e veloz que a taxa à qual o mundo está adicionando pessoas – em números reais, não apenas em porcentagem – caiu pelos últimos 22 anos. Até mesmo na África a taxa de nascimentos está caindo rapidamente. As Nações Unidas estimam que a população mundial irá parar de crescer completamente quando alcançar em torno de 9,3 bilhões de habitantes em algum ponto depois do ano 2060.

Isso significa que, longe de dobrar como no século XIX, ou quadruplicar como no século XX, a população mundial terá sido multiplicada menos de 1,5 vezes durante este século. A decrescente necessidade de terra para a vida começará a ter mais e mais impacto. À medida que a taxa de crescimento da população desacelera, a pegada da humanidade passará a encolher. Até 2070, cada redução no uso de terra por pessoa será um ganho para toda a espécie.

Na verdade, isso já está acontecendo agora. A costa leste dos Estados Unidos foi uma vez intensamente cultivada. Hoje em dia ela consiste em ilhas de cultivo em um mar de florestas. Em grande parte das Terras Altas da Escócia, o gado e as ovelhas deixaram os montes para os veados. Se não houvesse subsídios e barreiras tarifárias, uma quantidade muito maior de terra deixaria de produzir no rico oeste.

Sim, mas como os recursos são finitos, certamente ficaremos sem petróleo, gás, fósforo, cobre, níquel ou quaisquer outras fontes não renováveis? Primeiramente é preciso observar o surpreendente fato de que são os recursos renováveis que continuamente se esgotam: os mamutes, as baleias azuis, os arenques, os pombos-passageiros, as florestas de pinho branco, os cedros do Líbano, o guano. Em contraste, não há nenhum recurso renovável que tenha se esgotado ainda: nem cobre, petróleo, carvão, ferro, urânio, silício ou pedra. “É uma das previsões mais seguras”, escreveu o economista Joseph Schumpeter em 1943, “que em um futuro calculável viveremos em uma abundância de opções de supérfluos (embarras de richesse), tanto de alimentos quanto de matérias-primas, devido à expansão da produção total com a qual saberemos lidar. Isso se aplica aos recursos minerais também”.

Assim, meu ponto é simplesmente este: a necessidade humana de terras – medida em acres para produzir alimentos, acres para produzir fibras, combustíveis, abrigo ou iluminação – está ficando menor e menor, e tem sido assim por muito tempo.

Considere a humilhante falha das previsões feitas pelo modelo de computador chamado World3 no início dos anos 1970. O World3 tentou prever a capacidade de suporte dos recursos do planeta e concluiu, em um relatório chamado “Limites ao Crescimento”, de autoria do Clube de Roma, que o uso exponencial poderia esgotar o abastecimento mundial de zinco, ouro, estanho, cobre, petróleo e gás natural até 1992, e causar um colapso da civilização e da população no século subsequente. O relatório “Limites ao Crescimento” foi enormemente influente, com livros-texto escolares repetindo suas previsões sem as ressalvas. “Alguns cientistas estimam que os suprimentos conhecidos de petróleo, estanho, cobre e alumínio serão utilizados enquanto você estiver vivo”, dizia um deles. “Os governos devem ajudar a salvar nosso suprimento de combustíveis fósseis fazendo leis que limitem o seu uso”, opinava outro.

A verdade é que, à medida que as melhores fontes de cobre, fósforo ou petróleo esgotam-se e novas técnicas de extração são inventadas, as reservas antes não tão boas tornam-se economicamente viáveis. Nos últimos anos, a perfuração horizontal e o fraturamento hidráulico (fracking) para a extração de gás de folhelho dobraram as reservas americanas de gás natural acessível e barato; a mesma tecnologia está agora sendo experimentada na Europa, Ásia e Austrália e promete uma abundância de gás que durará por décadas. Mesmo que o petróleo convencional se torne escasso, as areias betuminosas, o xisto betuminoso e o gás metano assegurarão o suprimento de combustíveis fósseis por pelo menos um século, talvez por muito mais tempo. Eles serão substituídos no mercado pela energia nuclear ou solar barata muito antes de fisicamente esgotarem-se.

Muito bem, mas um recurso que certamente se esgotará, e talvez muito em breve, é a capacidade da terra de absorver o nosso lixo. Se você procura a pegada ecológica humana, não busque apenas na terra, mas no mar, nos rios e no ar. É por isso que a Global Footprint Network enfatiza tanto o sequestro de carbono. A extensão de terra necessária para retirar o dióxido de carbono do ar é vasta. Mas mesmo aqui existem vários tipos de tendências de melhoramentos. O rio Hudson e o Tâmisa têm menos esgoto e mais peixes. A cidade de Pasadena tem menos poluição. Os ovos de aves suecas têm 75% menos poluentes do que nos anos 1960. As emissões americanas de monóxido de carbono dos transportes diminuíram 75% em 25 anos. O lixo radioativo de testes de armas e acidentes nucleares diminuiu 90% desde o início dos anos 1960.

Quanto ao dióxido de carbono, a descarbonização já está acontecendo. O engenheiro italiano Cesare Marchetti elaborou um gráfico do uso de energia pelo homem nos últimos 150 anos, enquanto ocorria a transição da madeira para o carvão, para o petróleo e para o gás. Em cada caso, a proporção de átomos de carbono e átomos de hidrogênio caiu, de 10 na madeira para 1 no carvão, para ½ no petróleo, para ¼ no metano. Graças ao gás de folhelho barato, o metano pode muito em breve eliminar o carvão – o combustível mais rico em carbono – do mercado de eletricidade. Em 1800, os átomos de carbono faziam 90% da combustão, mas em 1935 a proporção era 50:50 entre carbono e hidrogênio e, até 2100, 90% da combustão pode vir do hidrogênio – provavelmente feita através de eletricidade nuclear ou solar. O especialista em energia Jesse Ausubel prevê que “se o sistema de energia for deixado funcionar ao seu próprio ritmo, a maior parte do carbono será eliminado até 2060 ou 2070”.

É claro que essas mudanças podem não acontecer a tempo de impedir as mudanças climáticas. (Contudo, eu argumentaria que as evidências mostram que as mudanças climáticas têm sido moderadas e vagarosas por muitas décadas até agora – um argumento para uma outra oportunidade). Mas o fato é que as coisas estão caminhando na direção certa. A pegada está encolhendo.

Então, é com incredulidade que assisto os governos do mundo assiduamente tentando aumentar a pegada ecológica humana enquanto alegam estarem salvando o planeta. Eles exaltam o cultivo orgânico, que significa um aumento maciço na terra necessária para a agricultura. (Não me leve a mal: eu não tenho nada contra as pessoas comprarem produtos orgânicos; eu apenas tenho objeções a elas me dizerem que é uma coisa mais ética a se fazer). E quase todas as medidas defendidas para combaterem as mudanças climáticas – energia eólica, das ondas, solar, das marés, hidrelétrica e, acima de todas, os biocombustíveis – aumentariam a extensão de terra necessária para sustentar o estilo de vida humano.

Se os Estados Unidos produzissem o seu próprio combustível para transporte como biocombustível, por exemplo, seria necessário 30% de terra cultivável a mais do que atualmente é utilizada para a produção de alimentos. Onde seriam cultivados os alimentos? O esquema dos biocombustíveis é verdadeiramente um erro terrível, um “crime contra a humanidade”, nas palavras de Jean Ziegler, a relatora especial das Nações Unidas do Direito à Alimentação. Entre 2004 e 2007, a colheita mundial de milho aumentou 51 milhões de toneladas, mas 50 milhões de toneladas foram para o etanol, não deixando nada para suprir o aumento da demanda: por isso ocorreu o aumento dos preços dos alimentos em 2008, causando tumultos e fome. Na realidade, motoristas americanos estavam tirando carboidratos das bocas dos pobres para encherem seus tanques.

Isso poderia ser aceitável se o biocombustível tivesse um grande benefício ambiental. Mas o benefício ambiental do biocombustível não é apenas ilusório; ele é negativo. Cada acre de milho ou cana de açúcar requer combustível de tratores, fertilizantes, defensivos, combustível de caminhões e combustível para a destilação – os quais são feitos de combustíveis fósseis. Então a pergunta é: quanto combustível é necessário para produzir combustível? Resposta: a mesma quantidade. Dependendo de qual estudo você cita, cada unidade de energia empregada no cultivo de milho para etanol produz 71% a 134% em produção de energia. A perfuração e o refino de petróleo, em contraste, geram um retorno de 600% ou mais da energia utilizada.

A chave é que as coisas estão indo na direção certa. A pegada está encolhendo.

Cada incremento no preço do grão causado pela indústria do biocombustível significa mais pressão nas florestas, cuja destruição é a forma mais eficiente de se adicionar dióxido de carbono à atmosfera. Além disso, são necessários cerca de 130 galões de água para cultivar e 5 galões para destilar apenas um galão de etanol de milho – supondo que apenas 15% da safra é irrigada. Pelo contrário, são necessários menos de três galões de água para extrair e dois galões para refinar um galão de gasolina. Cumprir o objetivo dos Estados Unidos de produzir 35 bilhões de galões de etanol por ano requereria usar a quantidade de água consumida por ano por toda a população da Califórnia. Não tenha dúvida: a indústria do biocombustível aumenta amplamente a pegada humana.

O mesmo é verdade em relação a outros renováveis. Para se ter uma ideia de como eles consomem espaço, considere que para suprir os atuais 300 milhões de habitantes dos Estados Unidos, com a sua atual demanda de energia de aproximadamente 10.000 Watts cada (2.400 calorias por segundo), seriam necessários: painéis solares do tamanho da Espanha; ou parques eólicos do tamanho do Cazaquistão; ou bosques do tamanho da Índia e do Paquistão; ou campos de feno para os cavalos do tamanho da Rússia e do Canadá juntos; ou usinas hidrelétricas com represas um terço maiores do que todos os continentes juntos.

Um engenheiro chamado Saul Griffith tem um nome para essas porções de terra: Renewistan. Ele calcula que para manter o nível de dióxido de carbono em 450 partes por milhão, a área dedicada à energia renovável ocuparia um espaço do tamanho da Austrália. Mas não fique com a impressão de que esse é um jeito benigno, suave e verde de utilizar a terra. Um parque eólico na Califórnia mata 24 águias-douradas por ano e pelo menos 2.000 outras aves de rapina; cada turbina nos Apalaches necessita de quatro acres de floresta desmatados. Painéis solares requerem enormes quantidades de aço e concreto. As barragens de marés mudam a ecologia dos estuários. Todos os renováveis precisam estar ligados através de longas filas de postes de energia. Gerar a energia que mantém o ritmo da civilização com energia renovável significaria voltar ao hábito medieval de industrializar a paisagem, mas com uma população dez vezes maior.

Eis um modo diferente de se pensar a pegada humana. Helmut Haberl, da Universidade de Viena, calculou que das 650 bilhões de toneladas de carbono potencialmente absorvidas do ar pelas plantas a cada ano, seres humanos utilizam cerca de 23% para o seu próprio uso: 80 bilhões de toneladas são colhidos, 10 são queimados e 60 são impedidos de crescer por causa de arados, ruas e cabras, deixando 500 para sustentar todas as outras espécies. Isso é o que Haberl chama de AHPPL: Apropriação Humana da Produção Primária Líquida (HANPP em inglês).

Ela varia muito de uma região para outra. Na Sibéria e na Amazônia, talvez 99% da produção de plantas sustenta a vida selvagem, e não pessoas. Em muitas partes da África e da Ásia central, as pessoas reduzem a produtividade da terra mesmo apropriando-se de um quinto da produção – um pasto onde os animais pastam demais, ao ponto de danificarem a vegetação, sustenta menos cabras do que sustentaria antílopes, se fosse selva.

Mas na Europa ocidental e no leste asiático – e este é o ponto crucial – as pessoas aumentam a produtividade da terra a tal ponto que, na verdade, elas aumentam o fluxo de energia para a natureza, mesmo que tomem metade da produção para si. Graças ao processo de Haber, tanto a população quando a vida selvagem na Europa tem mais para comer.

Isso na verdade suscita otimismo, porque sugere que a intensificação da agricultura na África e Ásia central poderia alimentar mais pessoas e ainda dar mais sustento a outras espécies também. Harber diz: “Essas descobertas sugerem que, em uma escala global, pode haver um considerável potencial para elevar a produção agrícola sem necessariamente aumentar a AHPPL”.

De longe, a melhor maneira de reduzir a pegada humana no tamanho desejado no século 21 é a utilização de mais tecnologia para aumentar a produtividade.

A pegada ecológica da humanidade é muito grande. É nosso dever encolhê-la. Mas regredir à agricultura orgânica, à autossuficiência, às energias renováveis ou até mesmo à caça apenas a aumentará, à custa de outras espécies. A melhor maneira de diminuir o tamanho da pegada no século XXI é usar mais tecnologia para aumentar a produtividade, mais fertilizantes para aumentar a produção, mais gás natural – o combustível fóssil menos rico em carbono, menos consumidor de terra e possivelmente mais abundante – para amplificar o trabalho humano e mais prosperidade para diminuir as taxas de natalidade.

Então nossos netos poderão viver vidas de grande riqueza, saúde e sabedoria, enquanto rodeados da vasta natureza selvagem. Mais cidades e mais tigres. Esse é o meu sonho.

O texto acima é uma tradução livre do ensaio de Matt Ridley publicado em 2 de junho de 2010, a capa é a figura no início. Para ver o original, clique aqui

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“Mais quente de todos os tempos…”

Nos últimos dias, a Rede Globo, entre outros, através dos seus veículos e noticiários, repercutiu a “notícia” de que, segundo uma agência norte americana, o mês de Junho de 2015 teria sido mês “mais quente do planeta”, e não faltaram aos repórteres e comentaristas expressões como “de todos os tempos”, etc..

Catastrofismo à parte, o que até eu sei é que temos muitos problemas com as medidas diretas das temperaturas em termômetros. O efeito “ilha de calor” nas estações meteorológicas terrestres próximas a centros urbanos que cresceram, como a do aeroporto de Congonhas (inaugurado em 1936) em São Paulo, por exemplo. Nas décadas de 1930 e 1940, o Jabaquara ainda era um matagal…

Há muito mais água (71%) que terra (29%) na superfície do planeta. As áreas urbanas representam cerca de 2% da superfície terrestre, ou 0,6% da superfície total do planeta. Os satélites que orbitam a Terra desde 1979 são capazes de calcular uma “temperatura média” mais confiável para o planeta, e eu gosto de dar uma olhada de vez em quando no site “The Cryosphere Today”. Lá, a superfície de gelo sobre os oceanos do planeta é mostrada em imagens, gráficos, bases de dados e tudo mais, muito interessante.

Se o planeta estivesse esquentando, mais gelo estaria se derretendo. E se o planeta estivesse esfriando, mais gelo se formaria. Simples assim. Os três gráficos a seguir creio que são os mais significativos.

No Hemisfério Norte:

NHSIA

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No Hemisfério Sul:

SHSIA

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E no planeta todo, somando-se o gelo sobre os oceanos do Hemisfério Norte com o do Hemisfério Sul:

GSIAwt

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Vejamos e convenhamos: o passado mês de Junho não deve ter sido o mais quente…, não é o que se vê com esses dados…, nada de extraordinário, sobretudo quando se considera a variabilidade natural do tempo, em termos meteorológicos…

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Encíclica ‘Laudato Si’

Sua Santidade o Papa Francisco publicou hoje a Encíclica ‘Laudato Si’, “Sobre o cuidado da casa comum”. 246 parágrafos, 2 orações e muitas referências. Concordo com o Santo Padre em muitos aspectos. Porém, no capítulo I (“O que está a acontecer à nossa casa”), item 1 (“Poluição e mudanças climáticas”), sub item “O clima como bem comum”, parágrafos 23 a 26, quando faz um diagnóstico da situação atual, o Santo Padre recorre à surrada ladainha do “aquecimento do sistema climático”, “elevação constante do nível do mar”, “acontecimentos meteorológicos extremos” e “derretimento das calotas polares e dos glaciares”, e embora reconheça que o sistema climático “é um sistema complexo” e que “não se possa atribuir uma causa cientificamente determinada a cada fenômeno particular”, insiste em considerar tendenciosamente que “numerosos estudos científicos indicam que a maior parte do aquecimento global das últimas décadas é devida à alta concentração de gases com efeito de estufa”. “Se a tendência actual se mantiver”, profetiza o Santo Padre, “este século poderá ser testemunha de mudanças climáticas inauditas e duma destruição sem precedentes dos ecossistemas, com graves consequências para todos nós”. Eu gosto do Papa Francisco, reconheço o valor de sua pregação por seu exemplo e pelos atos que pratica, mas por tudo o que tenho publicado neste blog, discordo desse diagnóstico do Santo Padre.

Reitero que o CO₂ não é um poluente! O Sol, a água e o CO₂ são essenciais para a fotossíntese e para a vida – tal e como a conhecemos – na “casa comum” a que Sua Santidade se refere. O Santo Padre fala em “numerosos estudos científicos” que confirmariam as suas hipóteses, mas desconsidera os tão ou mais numerosos estudos científicos que mostram justamente o contrário: que o planeta não só não está se aquecendo, como, eventualmente, está se arrefecendo; que o nível do mar está em elevação desde o final da última era glacial, o que não tem nada a ver com a atividade dos humanos; que eventos climáticos extremos não estão ocorrendo com frequência maior hoje do que sempre ocorreram; que não está ocorrendo o derretimento das calotas polares, senão o contrário; etc..

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Responsável pelo blog

Mario de Carvalho Fontes Neto, engenheiro agrônomo


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